CBN - A rádio que toca notícia

OPINIÃO

LEIA O ARTIGO: O ódio deve morrer

Criou-se, assim, uma escalada extremamente perigosa de ódio político

14/11/17, 00:30
Por Marcelo Zero, sociólogo
 
"L
ula deve Morrer". Este foi o título do artigo de um articulista da Isto É. Chocou a muitos.

De fato, o artigo, um somatório mal-ajambrado de clichês antipetistas, choca pela estupidez manifesta e pelo ódio desavergonhado. Mas não surpreende. O golpe abriu a porteira para uma direita tão obtusa quanto violenta. Há muito que o Brasil foi tomado por uma horda de insanos protofascistas.

Liderados por cérebros iluministas como Bolsonaro, Alexandre Frota, Marcos Feliciano, representantes do MBL etc., essa horda se dedica não apenas a destilar seu ódio contra Lula e o PT, mas também a censurar exposições artísticas, agredir palestrantes, impedir professores de darem aula, pedir a volta ditadura, exigir a execução de "bandidos", manifestar desprezo pelos direitos humanos e se insurgir contra tudo que cheire a "esquerdismo", "ideologia de gênero", combate ao racismo e à homofobia e afirmação dos direitos das populações excluídas ou de alguma forma oprimidas. Enfim, tudo que cheire a civilização.

O artigo do bocó da revista sustentada por generosas verbas governamentais é apenas mais uma da série infindável de violentas manifestações antidemocráticas. Assim, não se trata de ponto fora da curva. O que está definitivamente "fora da curva" em uma sociedade democrática é o espaço e o poder que se dá a essas figuras intelectualmente nulas e moralmente abjetas.

O que é anormal numa sociedade democrática é essa intolerância com relação à diferença e o ódio contra o adversário político. Porque esse ódio não é algo natural. Ele não surge por geração espontânea. Como diria Nelson Mandela, o ódio é algo que se ensina. Ninguém nasce odiando. O ódio se aprende. E, normalmente, se aprende com desinformação, com distorção e com mentiras. É necessário demonizar o alvo do ódio para que o ódio seja considerado algo normal e desejável.

Foi necessário se repetir à exaustão, como ensinava Goebbels, que os problemas da Alemanha tinham sua origem nos "ratos judeus" para que o Holocausto se tornasse palatável. Foi necessário se afirmar repetidamente que os tutsis eram "baratas" para que 800 mil deles fossem abatidos a golpes de facão em Ruanda.

Aqui no Brasil, a estratégia foi repetir, de forma sistemática, mentirosa e distorcida, que os governos do PT eram os mais corruptos da história do Brasil e que haviam submergido o país na sua pior crise.

Criou-se, assim, uma escalada extremamente perigosa de ódio político. No Brasil, o mal se banalizou, diria Hannah Arendt. Gente normal, comum, passou a considerar aceitável e desejável a violência contra petistas, marxistas, esquerdistas, bolivarianos, feministas, gays, defensores dos direitos humanos e que tais. Partidos em tese democráticos passaram a dividir as ruas com gente que pedia a volta da ditadura, condenava as políticas sociais e o combate ao racismo, defendia a homofobia e a tortura. Abriu-se a caixa de Pandora de um protofascismo assustador. Chocou-se, despudoradamente, "o ovo da serpente".

"Petista bom é petista morto".

Era o que diziam os panfletos que foram jogados no local onde estava sendo velado o corpo ex-senador José Eduardo Dutra. Dessa maneira, o ódio político tornou-se tão agudo, tão insano, que chegou ao ponto extremo da profanação dos mortos. Penetrou em hospitais e escolas. Desprezou o sofrimento dos enfermos. Virou uma enfermidade social e política.

Trata-se de um ódio extremado que desumaniza. Desumaniza o alvo do ódio e desumaniza aquele que odeia. Desumaniza até mesmo os mortos. É ódio que exige cadáveres insepultos. É o mesmo ódio que fez Creonte, na tragédia de Sófocles, negar os ritos sagrados a Polinice, provocando a insubordinação de sua irmã, Antígona, condenada à morte por defender o direito natural e sagrado ao enterro, ritual de passagem entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos.

Pois bem, essa cultura metodicamente construída de ódio político e de intolerância social gerou um "vale-tudo" que ameaça transformar a nossa democracia num "vale-nada".

Tal ódio, combinado com um moralismo neoudenista seletivo, cínico e grotescamente hipócrita, não se importou em destruir a democracia brasileira, desde que se atropelasse o governo do PT e seu projeto popular. Também não se importou em destruir o sistema de representação política, desde que o PT e aliados fossem afastados do poder. E não se importa em acabar com o país, desde que possa se apossar de suas ruínas.

No desespero para impedir a volta de Lula, o "mercado", na ausência de candidatos competitivos, face à débâcle do PSDB, já flerta abertamente com a candidatura Bolsonaro. Afinal, para quem apoiou o golpe, apoiar um candidato caricato, fascitoide e despreparado é "café pequeno".

De fato, nessas circunstâncias, Bolsonaro e aventureiros assemelhados têm tudo para crescer ainda mais. Com esse clima de ódio e intolerância, a nossa direita tradicional talvez não tenha forças para se contrapor ao fascismo ascendente. O (des) governo Temer é a nossa República de Weimar. Provavelmente, a direita que apoiou o golpe será engolida pelo monstro que cultivou. Se Lula for impedido de se candidatar, teremos, talvez, um Trump bem piorado. Isso se houver eleições. O que já está muito ruim sempre pode piorar ainda mais.

O custo democrático, político, social e econômico desse ódio turbinado pelo golpismo e por uma Lava Jato partidarizada é incomensurável. Não compromete apenas os avanços que foram feitos em período recente. Compromete nosso futuro.
A única esperança da democracia brasileira é justamente Lula. Lula e uma união das forças progressistas e democráticas do país. O Brasil popular, mesmo com toda a companhia midiática e o absurdo lawfare dirigido seletivamente contra a maior liderança popular de sua história, não apenas sente muita saudade de Lula. Sente que ele é o único candidato que projeta esperança. Não ódio. Que projeto um futuro melhor para todos. Não a volta ao passado de pobreza e desigualdade.

Se a democracia e o país quiserem sobreviver, não é Lula que deve morrer. Os que devem morrer são o ódio e a intolerância.

Fonte: JL
TODAS AS NOTÍCIAS DO PORTAL
07/11/17, 12:54 | REFÉM DO CONGRESSO - Temer ouve de líderes queixas contra privatizações e acordos descumpridos
07/11/17, 12:50 | INCERTEZAS - Para jurista, reforma trabalhista faz parte de 'momento trágico'
07/11/17, 12:31 | RECONHECIMENTO - MPF ganha prêmio internacional por combate à corrupção na Lava Jato
07/11/17, 12:07 | PALESTRA - Corrupção no Brasil se espalhou de modo 'espantoso', diz Barroso
06/11/17, 21:06 | LEVANTAMENTO - Operação Finados registra mais de 1 mil acidentes nas BRs e deixa 1.015 pessoas feridas e 73 mortas
06/11/17, 20:46 | REFORMAS - Temer reconhece que reforma previdenciária pode ser derrotada
06/11/17, 19:12 | ESPORTE - Real Madrid sonha com Neymar para substituir Cristiano Ronaldo
06/11/17, 19:05 | ECONOMIA - Temer decide enviar projeto de lei para privatização da Eletrobras
06/11/17, 19:02 | POLÍTICA - Por reforma ministerial, partidos ameaçam boicotar reunião com Temer
06/11/17, 18:51 | TRABALHADOR - Cerca de 600 mil servidores públicos federais serão atingidos por MPs de Temer
06/11/17, 18:14 | 'NOVOS CAMINHOS' - Frente Povo Sem Medo promove debates públicos em diversas capitais
06/11/17, 14:48 | POLÍTICA - PSDB conta os dias para desembarcar do governo Temer
06/11/17, 14:44 | ECONOMIA - ALERTA! Brasil pode voltar a fazer parte do Mapa de Fome da ONU
06/11/17, 13:27 | CRIME - Homem é preso por estuprar enteado de 4 anos em Teresina
06/11/17, 13:23 | PROVAS - Piauí tem a menor taxa de faltosos no Enem 2017 no 1º dia
06/11/17, 13:18 | VIOLÊNCIA - Mulher é morta a pedradas no Piauí; amigo do filho é preso
06/11/17, 13:05 | INVESTIGAÇÃO - ‘Tudo está devidamente declarado’, diz Henrique Meirelles sobre dinheiro aplicado no exterior
06/11/17, 13:02 | ECONOMIA - Oposição prepara projetos para aumentar salário mínimo e corrigir tabela do IR
05/11/17, 21:30 | BRASILEIRÃO - Grêmio começa atrás no placar e vence o Flamengo por 3 a 1
05/11/17, 21:21 | BRASILEIRÃO - Corinthians vence o Palmeiras e mantém conforto na liderança
05/11/17, 20:59 | EDUCAÇÃO - Candidatos consideram inesperado e difícil tema da redação do Enem
05/11/17, 20:44 | EDUCAÇÃO - Universitárias vendem água no Enem para juntar dinheiro da formatura
05/11/17, 20:38 | FACULDADE - Enem: provas são canceladas por queda de energia em Teresina
05/11/17, 20:31 | APOIO - Em 6 horas de prova e oração, neto agradece avô: 'foi comovente'
05/11/17, 20:17 | EDUCAÇÃO - Tema da redação do Enem 2017 é revelado: formação educacional de surdos
05/11/17, 19:48 | MUNDO - Igreja no Texas é palco de tiroteio com 27 mortos e 24 feridos
05/11/17, 14:48 | DEBOCHE - Enem: Bolsonaro chama direitos humanos de esterco e vagabundagem
05/11/17, 14:04 | EDUCAÇÃO - Quase 150 mil candidatos fazem o Enem no Piauí
05/11/17, 13:56 | MUNDO - Arábia Saudita decreta prisão de príncipes e ministros por corrupção
05/11/17, 13:44 | FÉ & ESPERANÇA - Em carta ao Papai Noel, menino de SC pede tratamento para o câncer: 'tenho medo de morrer'
« Anterior 61 - 90 | 91 - 120 | 121 - 150 | 151 - 180 | 181 - 210 | 211 - 240 | 241 - 270 | 271 - 300 | 301 - 330 | 331 - 360 Próximo »
JORNAL LUZILANDIA - O Futuro Começa Aqui
Copyright 2003 - Todos os direitos reservados
SITE FILIADO À LITIS CONSULT - REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS
CNPJ nº 35.147.883/0001-41 / CCN Comunicação.com Nordeste
Jornalista Renato Araribóia de Britto Bacellar - Homenagem Especial
Luzilândia - Teresina - Piaui - Brasil
CEP:64049-600 - Rua Lemos Cunha, 1544 - Ininga- Teresina-PI
Telefones: (86) 8804.2526 - 8100.6100
jornalluzilandia@hotmail.com | jornalluzilandia@gmail.com
création de site