CBN - A rádio que toca notícia

INVESTIGAÇÃO

Ex-governador do PSDB é preso pela PF por propina de R$ 12 milhões

Ele prestava depoimento quando teve prisão decretada. Segundo advogado dele, o político recebeu o mandado quando estava iniciando o seu depoimento

10/10/18, 16:51

O

ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) foi preso nesta quarta-feira (10) enquanto prestava depoimento à Polícia Federal em operação que investiga pagamento de propinas em campanhas eleitorais, em Goiânia. O advogado dele, Antônio Carlos Almeida, conhecido como Kakay, confirmou a informação ao G1 e declarou estar "perplexo".

O ex-governador tinha depoimento marcado para as 15h, mas teria chegado duas horas mais cedo e entrado pelos fundos para evitar os jornalistas. Segundo a defesa de Perillo, ele "recebeu o decreto de prisão quando estava iniciando o seu depoimento [...] e optou por manter o depoimento por ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos".

A assessoria de comunicação da PF informou ao G1 que Perillo continuava em oitiva às 16h30. A corporação não disse se o mandado é de prisão preventiva ou temporária.

O político é considerado suspeito de receber R$ 12 milhões em propina de empreiteiras para os pleitos eleitorais em 2010 e 2014. A operação ocorreu em decorrência de delações da Odebrecht na Operação Lava Jato.

Kakay afirmou que "não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto do ex-governador Marconi Perillo, principalmente pelas mencionadas decisões anteriores que já afastaram a necessidade de prisão neste momento". Veja a nota na íntegra ao fim da reportagem.

A data do depoimento foi marcada após a defesa de Marconi pedir à Polícia Federal que o político fosse ouvido após as eleições. Perillo disputava o cargo de senador, mas recebeu apenas 416.613 votos e não foi eleito.

Investigação

Cinco pessoas foram presas quando a Operação Cash Delivery foi deflagrada, no dia 28 de setembro, e cumpriu mandados em endereços ligados a Marconi Perillo. Foram presos Jayme Rincón, o filho dele, Rodrigo Godoi Rincón, Márcio Garcia de Moura – policial militar e motorista de Rincón –, o empresário Carlos Alberto Pacheco Júnior e o advogado Pablo Rogério de Oliveira.

Até a manhã de sábado (6), apenas Márcio Garcia seguia preso. O G1 tenta contato com a Polícia Militar para verificar se ele segue preso.

Jayme Rincón, que é ex-presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) e foi coordenador financeiro de campanha eleitoral em 2010, disse em depoimento à PF que “recursos” para campanhas eleitorais de candidatos aliados foram entregues pela Odebrecht a seus motoristas no apartamento que tem em São Paulo.

Na ocasião ele também disse que esses valores eram “destinados, em sua maioria, para campanhas de candidatos aliados” e que “parte dos valores era oficializado com ajuda de empresas parceiras” – o que pode configurar lavagem de dinheiro, de acordo com a PF. Jayme disse ainda que “todo o montante destino à campanha de Marconi Perilllo foi legalizado”.

Ele foi solto dias depois de prestar depoimento.

Escutas da Polícia Federal presentes no inquérito que culminou na Operação Cash Delivery, obtidos pela TV anhanguera, mostram um diálogo que, segundo a corporação, revela a entrega de R$ 1,2 milhão em propina da Odebrecht para campanhas de Perillo em 2010 e 2014.

Outro documento, também obtido pela TV Anhanguera, mostra que o empresário Carlos Alberto Pacheco Júnior, preso na mesma operação, confirmou à Polícia Federal que prestou serviços a uma empresa onde, segundo as investigações, foram entregues R$ 1,8 milhão da Odebrecht. Na ocasião, ele também disse nunca ter recebido nenhuma quantia ilícita da empreiteira.

No inquérito consta que Marconi, ao solicitar os valores para suas campanhas, se mostrava favorável às demandas da Odebrecht em Goiás, como, por exemplo, na construção do VLT, que não saiu do papel, além de obras de esgoto no Entorno do Distrito Federal.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Perillo, quando ainda era senador e depois como governador, pediu e recebeu propina para favorecer a Odebrecht em contratos e obras. Os valores, segundo as investigações, foram de R$ 2 milhões em 2010 e R$ 10 milhões em 2014.

Operação Cash Delivery

Na denúncia, Marconi Perillo é citado como líder do esquema. Jayme Rincón é apontado como braço-direito do ex-governador, responsável pela entrega do dinheiro solicitado pelo político. O filho de Jayme, Rodrigo Rincón, teria colaborado diretamente com o recebimento do dinheiro, tendo sido beneficiário de parte dos pagamentos.

Além disso, os policiais militares Sergio Rodrigues de Souza (falecido) e Márcio Garcia de Moura teriam transportado o dinheiro conforme pedidos de Marconi, assim como Pablo Rogério de Oliveira e Carlos Alberto Pacheco Junior.

Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão. A ação ocorreu em cinco cidades – Goiânia (GO), Pirenópolis (GO), Aruanã (GO), Campinas (SP) e São Paulo (SP). Foram apreendidos R$ 80 mil na casa de Jayme Rincón. Outros R$ 940.260, na casa do motorista dele.

De acordo com as investigações, a propina era entregue em dinheiro em espécie e transportada em malas e mochilas. O MPF apontou que houve ao menos 21 entregas do dinheiro irregular em 2014 feitas a mando da Odebrecht para favorecer Perillo.

Veja o que dizem os citados

    Marconi Perillo

A Defesa de Marconi Perillo, perplexa, vem registrar a completa indignação com o decreto de prisão na data de hoje. O Tribunal Regional da Primeira Região ja concedeu 2 liminares para determinar a liberdade de duas outras pessoas presas nessa mesma operação, através de decisões de 2 ilustres Desembargadores. O novo decreto de prisão é praticamente um “copia e cola” de outra decisão de prisão já revogada por determinação do TRF 1. Não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto do ex Governador Marconi Perillo, principalmente pelas mencionadas decisões anteriores que já afastaram a necessidade de prisão neste momento. Na visão da defesa, esta nova prisão constitui uma forma de descumprimento indireto dos fundamentos das decisões de liberdade concedidas a outros investigados. A Defesa acredita no Poder Judiciário e reitera que uma prisão por fatos supostamente ocorridos em 2010 e 2014, na palavra isolada dos delatores, afronta pacífica jurisprudência do Supremo, que não admite prisão por fatos que não tenham comtemporaneidade. Marconi Perillo recebeu o decreto de prisão quando estava iniciando o seu depoimento no departamento de Polícia Federal e optou por manter o depoimento por ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos (Kakay).

    Odebrecht

A empresa informou, por meio de nota, que “continua colaborando com a Justiça e reafirma o seu compromisso de atuar com ética, integridade e transparência”.

    Jayme Rincón

A Defesa do Jayme Rincón, constituída especialmente para o HC, desde o início da deflagração da Operação Cash Delivery, sustenta que a operação tem cunho eleitoreiro. A prova disto é que uma delação já há muito conhecida, a da Odebrecht, que aponta pagamentos de caixa dois nas campanhas de 2010 e 2014, foi o fundamento das prisões. É evidente a falta de contemporaneidade que possa justificar uma medida tão grave como a supressão da Liberdade. Ninguém está acima da lei e a Defesa não tem nenhuma preocupação com a investigação. Mas o uso abusivo da prisão em um momento pré-eleitoral é extremamente grave e tende a desestabilizar o necessário equilíbrio nas eleições. A decisão do TRF começa a resgatar a verdade e a devolver ao eleitor de Goiás a autonomia para decidir o seu destino. Desde o início a Defesa afirmou que a prisão era injusta, extemporânea e ilegal. A espetacularização do processo penal não serve para o estado democrático de direito (Kakay).

    Márcio Garcia de Moura

Nem o policial militar Márcio Garcia de Moura nem o advogado dele quiseram comentar o assunto durante a audiência de custódia.

Em nota, a assessoria de comunicação social da Polícia Militar informou que "todas as providências legais serão adotadas em decorrência da operação desencadeada pela Polícia Federal no tocante ao possível envolvimento e prisão de um integrante da Polícia Militar".

    Pablo Rogério de Oliveira

A defesa do ex-policial militar e advogado Pablo Rogério de Oliveira disse que também não tem conhecimento dos autos, mas pedirá a liberdade provisória do investigado. “Ele tem todos os requisitos para responder em liberdade, não causa prejuízo ao processo. Tem também a questão da lei eleitoral, que protege eleitores e candidatos”, afirmou o advogado José Coelho de Oliveira.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Goiás disse que foi informada da prisão.

"A Ordem tem por regra acompanhar toda ocorrência envolvendo seus inscritos por meio de sua Comissão de Direitos e Prerrogativas. Antes de tudo, para assegurar o respeito às suas prerrogativas profissionais. Depois, para certificar-se de que será punido em caso de comprovação de culpa, observando sempre o devido processo legal, contraditório e amplo direito de defesa, garantias que assistem a todo cidadão, não apenas aos advogados".

    Carlos Alberto Pacheco Júnior

O empresário negou, durante audiência de custódia, envolvimento com o esquema.

Fonte: JL/Globo
TODAS AS NOTÍCIAS DO PORTAL
09/10/18, 14:15 | EDUCAÇÃO - Ensino superior a distância é ferramenta de inclusão, defende ministro
09/10/18, 14:07 | CONGRESSO NACIONAL - Herdeiros de famílias políticas estão entre os mais votados para a Câmara dos Deputados
09/10/18, 13:48 | POLÍTICA - Comando da campanha de Haddad quer Ciro Gomes ‘como protagonista’
09/10/18, 13:46 | SEGUNDO TURNO - Bolsonaro quer conversar com Alvaro Dias, Daciolo e Partido Novo
09/10/18, 13:42 | COOPERAÇÃO - CNJ assina acordo com ministérios para fazer biometria de presos
09/10/18, 13:38 | POLÍTICA - Haddad diz que ataques por divergência de opinião ameaçam a democracia
09/10/18, 13:31 | TRAGÉDIA - Criança pede ajuda em rodovia após família morrer em acidente
09/10/18, 09:57 | POLÍTICA - Cientista político dispara: FHC expressa falência moral do PSDB
09/10/18, 09:51 | ELEIÇÕES - Quatro amigas de Marielle são eleitas deputadas no Rio de Janeiro
09/10/18, 09:40 | ELEIÇÕES - Ciro Gomes chama Fernando Haddad de 'presidente' em telefonema
09/10/18, 08:57 | FISCALIZAÇÃO - Eleições: Missão da OEA elogia segurança de urnas eletrônicas
09/10/18, 08:53 | POLÍTICA - Roraima elege primeira mulher indígena para deputada federal
09/10/18, 08:49 | ELEIÇÕES 2018 - PSB, PSDB, Rede, DC e PPL devem anunciar hoje apoio no segundo turno
09/10/18, 08:35 | POLÍTICA - São Paulo elege palhaço, general, príncipe e ator pornô
09/10/18, 08:31 | POLÍTICA - Briga entre apoiadores e críticos de Bolsonaro deixa um ferido em SP
09/10/18, 08:27 | ELEIÇÕES 2018 - Quase metade da Câmara dos Deputados será de milionários
09/10/18, 08:20 | LEVANTAMENTO - Brasileiro é o povo que mais acredita em notícias falsas, diz pesquisa
08/10/18, 23:44 | POLÍTICA - Eleitor recusou parte da elite da política tradicional, diz cientista
08/10/18, 22:48 | ENTREVISTA - Haddad diz que não vai propor nova constituinte e aprovará reformas por emenda
08/10/18, 22:36 | CLIMA DE ÓDIO - Irmã de Marielle é agredida, com a filha, por eleitores do presidenciável Jair Bolsonaro
08/10/18, 22:29 | CLIMA DE ÓDIO - Gritavam: 'É comunista!' Jovem é agredido por eleitores de Jair Bolsonaro em Teresina
08/10/18, 19:38 | LEVANTAMENTO - Taxa de renovação da Câmara dos Deputados foi a maior em 20 anos
08/10/18, 19:12 | CLIMA DE ÓDIO - Mulher é espancada em Maceió após dizer que não votaria em Bolsonaro
08/10/18, 18:56 | POLÍTICA - Alckmin é o tucano com pior desempenho em disputas pela Presidência
08/10/18, 18:42 | CORRUPTOS - Mais de 30 corruptos e propineiros alvos da Lava Jato se elegem
08/10/18, 18:31 | RENOVAÇÃO - Aluna de escola pública e formada em Harvard, jovem é a sexta mais votada em SP
08/10/18, 18:02 | POLÍTICA - Deltan Dallagnol diz que pelo menos 10 “graúdos” da política perderam foro
08/10/18, 14:02 | POLÍTICA - Câmara dos Deputados terá 14% de mulheres
08/10/18, 13:51 | POLÍTICA - Não posso virar 'Jairzinho paz e amor' no 2º turno, diz Bolsonaro
08/10/18, 13:36 | CRIME - Novo ataque de eleitor do Bolsonaro: jornalista agredida e ameaçada de estupro
« Anterior 1 - 30 | 31 - 60 | 61 - 90 | 91 - 120 | 121 - 150 | 151 - 180 | 181 - 210 | 211 - 240 | 241 - 270 | 271 - 300 Próximo »
JORNAL LUZILANDIA - O Futuro Começa Aqui
Copyright 2003 - Todos os direitos reservados
SITE FILIADO À LITIS CONSULT - REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS
CNPJ nº 35.147.883/0001-41 / CCN Comunicação.com Nordeste
Jornalista Renato Araribóia de Britto Bacellar - Homenagem Especial
Luzilândia - Teresina - Piaui - Brasil
CEP:64049-600 - Rua Lemos Cunha, 1544 - Ininga- Teresina-PI
Telefones: (86) 8804.2526 - 8100.6100
jornalluzilandia@hotmail.com | jornalluzilandia@gmail.com
création de site