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CRIME

As semelhanças do Caso Fernanda Lages no Piauí com o Caso Aída Curi no Rio de Janeiro

11/08/12, 09:34

O

Caso Fernanda Lages nos remete a uma comparação inevitável com o Caso Aída Curi, ocorrido em 14  de julho de 1958, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Aída tinha 18 anos de idade e foi levada ao topo do Edifício Rio Nobre, na Avenida Atlântida, e de lá atirada para a morte por seus algozes, após sofrer tentativa de abuso sexual.
 
O Crime - Aída Jacob Curi, uma jovem de 18 anos, tão logo termina seu curso de inglês na Cultura Inglesa no Rio, andando a pé pela Rua Miguel Lemos, em Copacabana, acompanhada da amiga Ione Arruda Gomes, é paquerada e perseguida por dois rapazes de boa aparência, “boa pinta”, como então se dizia na época.
 
Um dos rapazes se chamava Ronaldo Guilherme de Souza Castro, natural do Espírito Santo, ora estudando no Rio de Janeiro, de 19 anos, com pinta de galã de cinema, usando um irresistível par de óculos escuros, dando-lhe um ar de playboy que seduzia garotas no aprazível Bairro de Copacabana, no momento da ação acompanhado do jovem Cássio Murilo Ferreira, que depois se saberia menor de idade - 17 anos. Eles integravam a “Turma da Miguel Lemos”, como era conhecida a “patota” daquela juventude do bairro.
 
Após impressioná-la, os rapazes, então, convidam Aída para aprender algumas palavras em inglês ouvindo um “long play” com sucessos americanos da época em um apartamento de um amigo deles no Edifício Rio Nobre, na Avenida Atlântida, em Copacabana.
 
Impressionada com a educação e a beleza dos dois, Aída aceita o convite e dirigiu-se com eles para lugar combinado. Acontece que o amigo mencionado pelos rapazes não se encontrava em seu apartamento. O menor Cássio Murilo, então, teria sugerido que ambos fossem para o terraço do prédio apreciar o panorama noturno da cidade.
 
Os dois jovens subiram com Aída para o terraço, com o porteiro também subindo e se escondendo por cima da caixa d’água. Foi ai que os rapazes iniciaram uma tentativa de estupro contra a garota. Durante trinta minutos, a jovem foi espancada com grande violência. Para encobrir o crime, seus agressores atiraram-na do terraço tentando simular um suicídio. Aída faleceu em função da queda.
 
Corpo de Aida Curi estendido no chão próximo ao Edifício Rio Nobre
As investigações
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De acordo com o laudo médico da autópsia, a vítima apresentava escoriações e equimoses provocadas por unhadas e socos. Arranhões nas coxas, ventre, pescoço e equimoses no abdômen. Houve ruptura interna do lábio superior devido a um soco. Tentativas de estrangulamento. Sinais de forte trauma no queixo. Marcas nos braços, antebraços, punhos e dorso das mãos (significando “ferimentos de defesa”). Algumas marcas no tórax que podiam ser conseqüência de mordida.
 
Em seus relatórios e laudos, os peritos criminais concluíram que para levar Aída ao estado de exaustão um só agressor - mesmo usando de muita violência - não seria suficiente. Seriam necessários pelo menos duas pessoas agindo simultâneamente para espancá-la até o desmaio. A jovem não seria levada com facilidade ao estado de “stress”, ou seja, de exaustão total sem no mínimo a presença de dois fascínoras.
 
O susposto suicídio – Na tentativa de encobrir o crime, apresentou-se uma investigação de que Aída teria se matado, jogando-se do 12° andar para fugir do ataque de Ronaldo, Cássio e Antônio. Entretanto, havia indicios que desmentiam essa versão e levavam a crer que a moça realmente foi assassinada e não se suicidou. Entre as evidências, o lenço manchado de sangue encontrado na bolsa da jovem. A autópsia de Aída revelou ferimentos nos lábios, em função da bofetada de Ronaldo. A anágua da jovem foi encontrada toda ensanguentada. Outros indícios foram os ferimentos puntiformes e em semicírculo no rosto, cujo diâmetro coincidiu com do anel do porteiro. Na parede externa do parapeito do terraço os peritos encontraram marcas deixadas pelas sandálias de Aída, que rasparam quando o corpo foi levantado e jogado para o precipício.
 
Os fatos traçam cenas muito semelhantes com aqueleas ocorridas na morte de Fernanda Lages no Piauí. Sem dúvidas!

A bela Aída Curi
Alterações na cena do crime
A polícia, então, desobre que haviam indícios de que “fraudaram” a cena do crime. Os livros de Aída cairam ou foram colocados bem junto ao corpo da vítima, como se ela tivesse saltado do prédio com eles. Entretanto, dificilmente ela estaria com os livros ainda nas mãos após trinta minutos de violência e luta intensa contra três agressores.

O fato, então, faz-nos lembrar do celular e dos apetrechos de Fernanda Lages na cena do crime.

Condenações e conclusões - Em que pese a semelhança com o Caso Fernanda Lages, que deixou o Piauí inteiro alarmado e até agora indignado, no Caso Aída Curi a polícia do Rio desvendou o crime e os autores foram julgados e condenados pela Justiça.

Aqui, ainda em fase “interminável” de investigações, diferentemente de lá, as polícias civil e federal se debatem há quase um ano (no próximo dia 25 Fernanda completa 1 ano de morta) para apresentar à Justiça um relatório com conclusões que o “mundo inteiro” já sabe: “nada com coisa nenhuma vai desvendar o torpe assassinato da jovem estudante de Direito e filha de família nobre piauiense”.

Em 1975, dois anos antes de morrer, a mãe de Aída, Jamila Jacob Curi, num lindo gesto de grandeza humana perdoou todos os assassinos, em nome de seus quatro filhos Nelson, Roberto, Maurício e Waldir.
por Miguel Dias Pinheiro, advogado

Fonte: JL
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