JORNAL LUZILÂNDIA
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OPINIÃO
Com a cumplicidade do Congresso, Temer acelera a dilapidação do país
07/07/18, 22:50
Por Ribamar Fonseca, jornalista e escritor
 
N
ão foi por acaso que Michel Temer só chegou, pelas vias legais, à vice-presidência da República: ele não tinha preparo para assumir o comando da Nação. Daí o desastre da sua presença na Presidência, onde só chegou porque usurpou o cargo através de um golpe. Desde que assumiu o poder, há dois anos, Temer não tomou uma única medida que produzisse algum benefício ao país e ao seu povo. Muito pelo contrário, todas as suas ações estão voltadas para a destruição do país como, por exemplo, o desmonte dos programas sociais duramente conquistados e a entrega aos estrangeiros do nosso petróleo, incluindo a Petrobrás, e de outros empresas estatais. Agora mesmo ele acaba de aprovar a entrega da Embraer, uma das mais importantes empresas brasileiras, à norte-americana Boeing, um crime de lesa-pátria como tantos outros que tem cometido. E se prepara para entregar a Eletrobrás, contando com a cumplicidade da Câmara dos Deputados, cujo presidente Rodrigo Maia manobrou para conseguir a aprovação de um projeto que autoriza a venda de seis distribuidoras da empresa de eletricidade.

Temer, como é fácil perceber, não está sozinho nesse processo de dilapidação do nosso patrimônio: além do apoio da mídia golpista, que esconde os graves danos à nossa economia e à nossa soberania, ele conta, também, com os votos dos mesmos deputados que aprovaram o impeachment da presidenta Dilma Roussef. São todos vendilhões da Pátria, cujos nomes precisam ser conhecidos pelo povo, para que sejam extirpados do Congresso nas próximas eleições de outubro. Até porque eles são tão perigosos para a soberania da nossa Nação que, aproveitando a distração do povo com a euforia da Copa do Mundo de Futebol, aprovaram na surdina projeto de lei que permite à Petrobrás transferir até 70% dos campos da cessão onerosa do pré-sal na Bacia de Santos para as empresas estrangeiras, o que equivale a 5 bilhões de barris de petróleo. Não foi por acaso que os americanos espionaram a Petrobrás e a presidenta Dilma Roussef. Por isso os golpistas sabem exatamente onde atacar na questão do nosso petróleo, há muito cobiçado pelos Estados Unidos. Foi o ex-presidente FHC que abriu caminho para as investidas norte-americanas ao quebrar o monopólio do petróleo.

Os tucanos, aliás, à frente Fernando Henrique, sempre revelaram enorme empenho em entregar nosso petróleo para Tio Sam, como é fácil perceber pelo artigo do ex-presidente sociólogo publicado em 2015, no qual defendeu a retirada do direito da Petrobrás como exploradora exclusiva do pré-sal, o que acabou conseguindo por intermédio de projeto de lei de outro tucano, José Serra, aprovado pelo Senado. No seu artigo ele disse que o governo Lula "forçou a Petrobrás a apropriar-se do pré-sal", como se o pré-sal não fosse brasileiro.

Basta!

O Brasil não pode mais conviver com governantes e parlamentares que, eleitos para representar o povo e defender os seus interesses, estão empenhados justamente em massacrar a população, retirando-lhe direitos e, ao mesmo tempo, defendendo os interesses estrangeiros, além dos seus próprios. Temer e seus aliados, em particular os tucanos como FHC, pouco se importam com os destinos da Nação, mais preocupados com seus próprios negócios e em agradar os seus patrões americanos. Eles são os principais responsáveis pela criminalização dos políticos, transformados pela Lava-Jato em sinônimos de corruptos.

Na verdade, o golpe, tramado nos porões do Departamento de Justiça dos Estados Unidos como parte de um plano muito mais amplo englobando toda a América Latina, teve duas motivações principais: o nosso petróleo e a aproximação do Brasil à China e à Russia. Os americanos nunca digeriram a indigesta independência do nosso país no governo Lula, que manteve com eles e com as outras nações uma relação de igual para igual, sem a vergonhosa subserviência observada hoje no governo golpista de Temer, cujo chanceler só falta beijar a mão de Trump. Para a execução do golpe, que colocou no poder os vira-latas obedientes às suas ordens, Tio Sam contou com a participação de traidores da Pátria nos três poderes. E, ao contrário dos golpes tradicionais através dos militares, desta vez preferiram usar o Judiciário que, assumindo a responsabilidade pela aparência de legalidade, endossou o impeachment e passou a caçar, sob o manto distorcido da lei, os que poderiam ameaçar o novo governo obediente aos EUA.

Assustados com a gradativa perda do domínio dos países latino-americanos, que se aproximaram de China e Rússia com o estreitamento das relações políticas e econômicas, os americanos partiram para a execução de um plano de reconquista do controle do continente, primeiro influenciando suas eleições e, depois, promovendo a derrubada dos seus governos. Os seus estrategistas, porém, concluíram que a época não comportava mais golpes militares e, por isso, decidiram utilizar o Judiciário no que ficou conhecido como lawfare, ou seja, o uso da lei, interpretada ao sabor dos seus interesses, para perseguir os inimigos políticos. Os primeiros alvos foram Cristina Kirschner, na Argentina; Lula, no Brasil; e Rafael Correa, no Equador. Como não conseguiram a cumplicidade de traidores na Venezuela, ameaçam invadi-la militarmente. No Brasil, o principal braço americano nessa ação é a Lava-Jato que, além de desmoralizar a classe política, destruir algumas das mais importantes empresas do país e causar milhares de desempregos, colocou Lula na cadeia, o seu mais importante objetivo, disfarçado com a desculpa de combate à corrupção. Não é por acaso que o juiz Sergio Moro volta e meia está nos Estados Unidos. O entreguismo desse pessoal é tão escandaloso que a gente se pergunta: será que são brasileiros mesmo ou americanos disfarçados de brasileiros?

Fonte: JL
Reportagem publicada no site www.jornalluzilandia.com.br