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s polícias Civil e Militar da região de Barra do Corda continuam as buscas ao índio identificado apenas como Galego, apontado por testemunhas, como um dos três envolvidos na morte do caminhoneiro Gutemberg Brito Câmara. A vítima, segundo informações da Delegacia Regional de Barra do Corda, foi morta a pauladas, por volta de 18h da última quarta-feira, por indígenas da Reserva Canabrava. O motorista tinha ido receber um carregamento de madeira no povoado Piçarreira, na estrada de Jenipapo dos Vieiras, a cerca de 10 km da BR-226, quando foi abordado pelos suspeitos, que queriam dinheiro para liberar a carga.
“As buscas serão iniciadas o mais rápido possível. As dificuldades não são poucas, visto que o local é de difícil acesso, sendo que as chuvas, que tem caído na região, pioram a situação. Além disso, o suspeito pode estar sendo acobertado por outros indígenas seus conhecidos. Capturá-lo é apenas um questão de tempo”, declarou a delegada Bernadete de Jesus Teodoro, titular da Regional de Barra do Corda. Pelo crime, já estão presos o cacique Macildo Gomes Guajajara e Goiabeira Neto Timbira, ambos da aldeia Caru.
O crime
Conforme a delegada Bernardete Teodoro, o assassinato aconteceu porque o caminhoneiro não deu dinheiro aos três índios. “Recebemos a informação, que vamos apurar, de que um índio conhecido como Goió retirou madeira das terras da aldeia Caru e prometeu dar dinheiro aos silvícolas. Como isso não aconteceu, segundo a informação, os indígenas abordaram Gutemberg Câmara, solicitando a quantia prometida”, explicou a delegada.
Como o caminhoneiro disse que não tinha dinheiro, mas que o traria depois, eles se enfureceram e passaram a agredi-lo a pauladas. Dois dos agressores fugiram para a aldeia Caru, enquanto o terceiro se embrenhou no mato. Gutemberg Câmara morreu a caminho do hospital de Barra do Corda. Horas mais tarde, Macildo Guajajara e Goiabeira Timbira foram presos pelo Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Militar.
De acordo a delegada regional Bernardete Teodoro, os crimes que vêm sendo praticados pelos índios na área da Reserva Canabrava não refletem, propriamente, a realidade da região. “Os índios vêm sendo apontados como criminosos. Não negamos que eles ve-nham praticando delitos, mas não podemos esquecer os inúmeros crimes cometidos contra eles pelos brancos, que investem contra as reservas, além de aliciá-los para o crime”, observou.
“A questão é mais ampla, pois envolve, também, a problemática do respeito aos direitos dos índios”, ponderou a delegada. Para Bernardete Teodoro, somente uma pequena parcela entre os indígenas é responsável pelos delitos. “Em todo lugar há gente de caráter controvertido. Os brancos aliam-se aos índios de má conduta dentro das aldeias e cometem crimes que são atribuídos aos silvícolas”, reforçou. A delegada explicou que vem realizando parcerias com a Polícia Militar no sentido de proteger as áreas externas às aldeias e impedir que brancos e índios criminosos façam mais vítimas.
“Também temos feito reuniões com caciques, e eles têm permitido que nós, por meio de mandados judiciais, façamos varreduras nas aldeias à procura dos criminosos, sejam eles brancos ou estejam entre os próprios silvícolas. Cremos que os resultados têm sido positivos, pois já identificamos brancos e índios que praticam delitos. Estamos diligenciando no sentido de localizá-los”, resumiu a delegada regional. |