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CRIME

Homem finge ser gerente da Caixa e faz mais de 40 vítimas em Teresina

Suspeito dizia ser gerente da Caixa Econômica Federal, gerente da SDU, e até sobrinho de senador do Piauí. Prejuízo total gira em torno de R$ 300 mi

11/01/18, 17:56

O

sonho da casa própria levou pelo menos 42 pessoas a serem vítimas de uma suposta quadrilha de estelionatários que atua em Teresina e Parnaíba há quatro anos. Segundo a Polícia Civil, o grupo formado por pelo menos seis pessoas cobrava de R$ 1.500 até R$ 14 mil para acelerar o processo de compra de imóveis do programa Minha Casa Minha Vida em troca de quantias em dinheiro. O prejuízo calculado até o momento gira em torno de R$ 300 mil.

A polícia informou que o homem apontado como líder da quadrilha se apresentava como gerente da Caixa Econômica Federal, como gerente habitacional da Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) ou como corretor de imóveis, e dizia ser sobrinho do senador Elmano Férrer (PMDB-PI).

O G1 procurou a assessoria do senador Elmano Férrer, que esclareceu que a avó do suspeito envolvido no caso citado é sua prima de segundo grau. O senador reiterou que não possui nenhum tipo de relacionamento pessoal com o mesmo. O parlamentar disse esperar que tudo seja apurado e, em caso de confirmação das acusações, que haja as devidas punições.

Assim, o suspeito ganhava a confiança das pessoas e cobrava os valores para acelerar o processo de compra de um imóvel do programa. Depois de receber o dinheiro, as pessoas do grupo desapareceram: não respondiam mensagens, não atendiam e nem retornavam ligações.

O advogado Jairo Braz, que representa algumas das vítimas do grupo, contou que o homem apontado como líder entregou às vítimas diversos documentos falsos como sendo da prefeitura e da Caixa Econômica. Os valores foram tanto depositados na conta bancária dele como de outras três pessoas, além de dinheiro entregue em espécie. “Os valores variam: R$ 8 mil, R$ 10 mil, R$ 14 mil. Ele falava que era para acelerar a burocracia do processo”, disse o advogado.

Marianni Campelo, uma das vítimas do grupo, soube do "serviço" ofertado pela quadrilha através de colegas de trabalho, em outubro de 2017. “Havia uma pessoa do meu trabalho que estava comprando. Dizia que o irmão dela conhecia esse homem. Marcamos um encontro com o irmão dela e ele, e a gente começou, ele sempre tratando como gerente da Caixa e o irmão da minha colega como um amigo pessoal dele, batendo no peito e dizendo que podia confiar”, contou Marianni. A proximidade fez com que acreditasse que tudo correria bem.

Marianni pagou R$ 6.178. Parte do dinheiro foi entregue em um depósito bancário e outra feita em espécie.
 
“A previsão para assinar a documentação ficou para janeiro”, relembra. A partir do ano novo, ela não conseguiu mais falar com o líder da quadrilha nem com o irmão da colega de trabalho.

“A gente percebe que é uma quadrilha. No emprego, barzinho, qualquer lugar eles vão conquistando com uma proposta boa, dizendo que é de família, que tem emprego, que não ia fazer isso e sempre bem apresentado”, comentou a vítima.

Carmen Célia e o marido foram vítimas da quadrilha ainda em 2014 e foram até a delegacia após o caso ser divulgado na mídia local. “Ele dizia que era sobrinho de um senador piauiense. Isso dava uma confiança para a gente”. Além dela, outras cinco pessoas de sua família também foram enganadas. “Ele levou todos para escolher o lote lá no Vale do Gavião e escolhemos cada um o seu. Depois disso, nunca mais ele apareceu”.

Após diversas vítimas denunciarem o caso em vários Distritos Policiais diferentes em Teresina, o delegado Mamede Rodrigues, do 6º DP, foi nomeado delegado especial para este caso. A polícia já conhece a localização do suposto líder da quadrilha de estelionatários. O homem será intimado a prestar depoimento e caso se recuse, será pedida sua prisão. Outro inquérito, com outras vinte vítimas, também corre na Delegacia de Parnaíba.

De acordo com o investigador Joatan Gonçalves, o grupo poderá ser indiciado pelos crimes de estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e falsificação de documentos. “Na nossa contabilidade já vai para 42 pessoas. Deus sabe lá quantos vão aparecer mais”, disse Joatan. Segundo o investigador, as vítimas imaginavam se tratar de um procedimento legal.

“Ora, se um homem de cargo alto na SDU diz que tenho que pagar essa quantia, bem, eu não entendo disso, então acho que é devido. Não podemos de início culpar as vítimas, essas pessoas foram induzidas ao erro”, comentou o Joatan.

Fonte: JL/G1PI
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