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INVESTIGAÇÃO

Irmãos Bolsonaro prestaram homenagens a ex-assessor com conta suspeita

Policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz foi condenado em processo disciplinar na Alerj

06/12/18, 22:35

O

s irmãos Flávio (PSL-RJ) e Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ), prestaram homenagens na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e na Câmara dos Vereadores, respectivamente, ao policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do gabinete de Flávio, deputado estadual.

Queiroz foi citado em relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que indicou movimentações financeiras atípicas de profissionais da Assembleia. O documento foi anexado às investigações da Operação Furna da Onça, que levou à prisão de dez deputados estaduais, suspeitos de receber mesada para apoiar o ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

Segundo o relatório, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Uma das transações citadas é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro. A folha de pagamento de setembro (a mais recente disponibilizada pela Alerj) indica que Queiroz recebia salário líquido de R$ 8.517,86 no cargo de assessor parlamentar III.

Em outubro de 2003, quando deputado estadual pelo PP, Flávio apresentou na Assembleia moção de louvor e congratulações a Queiroz.

"Com vários anos de atividade este policial militar desenvolve sua função com dedicação, brilhantismo e galhardia. Presta serviços à Sociedade desempenhando com absoluta presteza e excepcional comportamento nas suas atividades", dizia a homenagem. 

Três anos depois, a Câmara dos Vereadores aprovou requerimento de Carlos Bolsonaro para conferir a Queiroz a Medalha de Mérito Pedro Ernesto, principal homenagem prestada pelo estado do Rio.

O policial militar atuava como segurança e motorista de Flávio Bolsonaro. Segundo a assessoria de imprensa da Alerj, esteve lotado em seu gabinete de 2007 a 15 de outubro de 2018. De acordo com o senador eleito, Queiroz foi exonerado para tratar de sua passagem para a inatividade. Ele entrou na Polícia Militar em 1987 e obteve reserva remunerada neste ano.

Processo disciplinar Em 2011, o policial militar respondeu a um processo disciplinar, pelo qual acabou condenado. Segundo a assessoria da Alerj, Queiroz recebeu bolsa de reforço escolar em favor da filha Nathalia, declarada como sua dependente.

Nathalia, no entanto, exercia cargo comissionado no gabinete da liderança do PP, então partido de Flávio Bolsonaro, o que, segundo o regulamento da Casa, impediria que figurasse como dependente do pai.

Queiroz devolveu R$ 16,8 mil que havia recebido, parcelados em 36 vezes, a partir de junho de 2012. Também foi imputado com pena de repreensão, comunicada à PM.

Hoje, Nathalia tem quase 15 mil seguidores no Instagram -ela atua como personal trainer de famosos como os atores Bruno Gagliasso e Bruna Marquezine.

Homenagens Deflagrada em agosto deste ano, a Operação Quarto Elemento teve como alvo dezenas de policiais, militares e civis, suspeitos de participar de uma quadrilha especializada em extorsões.

Entre eles, estavam os PMs Leonardo Ferreira de Andrade e Carlos Menezes de Lima e o policial civil Bruno Duarte Pinho. Os três também foram homenageados por Flávio Bolsonaro com moções de louvor na Alerj.

A Quarto Elemento também prendeu os gêmeos Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, dois PMs que teriam participado da segurança de agendas da campanha de Flávio ao Senado. Eles são irmãos de Valdenice de Oliveira Meliga, assessora da liderança do PSL na Alerj e tesoureira do partido no estado.

À época, o senador eleito negou ao jornal O Estado de S. Paulo que os policiais integrassem sua campanha, enquanto Valdenice disse que os irmãos atuavam como voluntários.

Em foto publicada em sua rede social em outubro de 2017, Flávio aparece com o pai, Valdenice e os gêmeos. Na legenda, escreveu: "Parabéns Alan e Alex pelo aniversário, essa família é nota mil!!!".

Tortura Queiroz já teve seu nome citado pela imprensa em outubro de 2015, quando foi preso e torturado por criminosos na Cidade de Deus, na zona oeste do Rio.

Segundo notícias da época, o PM estava indo buscar Flávio Bolsonaro em sua casa, na Barra da Tijuca, quando foi abordado por dois homens em uma moto, identificado como policial militar e levado para dentro da comunidade.
 
Fonte: JL/Folha de S. Paulo
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