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POLÍTICA

Disputa pela Presidência vai ser mais uma vez entre PT e PSDB, diz cientista político

Para Vitor Marchetti, as indicações das duas legendas confirmam que as adesões do eleitorado serão, como nas últimas eleições, polarizadas entre os mesmos partidos

08/08/18, 16:32

E

m análise sobre as eleições de 2018 na edição de hoje (8) do Seu Jornal, da Rádio Brasil Atual, o cientista político e professor da Universidade Federal do ABC Vitor Marchetti aponta o retorno de um conhecido cenário na disputa pela Presidência da República: o antagonismo entre PT e PSDB. As confirmações dos nomes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-governador Geraldo Alckmin, respectivamente, deverão trazer para si os votos de centro-esquerda, no caso de Lula e de centro-direita, com Alckmin, segundo Marchetti.

No entanto, ainda que veja "com curiosidade a repetição" desse tradicional cenário diante de todo um processo que considera de rupturas e instabilidade vivenciado nos últimos anos, o docente adverte sobre o “perigo” que ainda representa a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) na disputa por novas adesões do eleitorado brasileiro. "A candidatura do Bolsonaro continua uma candidatura perigosa do ponto de vista de adesões, ainda mais agora com o general Mourão (seu vice), que é um candidato abertamente antidemocrático e que defende regimes e intervenções militares", afirma o especialista.
 
Como você avalia a decisão do PT em coligar-se ao PCdoB?
Essa estratégia do PT me parece que foi acertada. Você não toma uma decisão de excluir uma das maiores lideranças populares e trabalhistas que a história produziu por vontade própria. A candidatura Lula está aí por dois motivos: para manter em pé uma agenda trabalhista e uma agenda popular, mas também para denunciar os processos que o golpe produziu a partir de 2016.
Então, a manutenção da candidatura Lula, com todas as dificuldades jurídicas que tem, me parece bastante acertada. E acertada também me pareceu toda a movimentação para a construção dessa chapa, tanto do Haddad como vice, como a sinalização para a aliança com o PCdoB e também para garantir a neutralidade do PSB.
 
Essa movimentação foi sagaz e estrategicamente bem costurada porque toda a leitura que se faz aposta que, em um segundo turno, teremos duas raias: uma mais à direita e outra mais à esquerda. E o PT, quando faz essa movimentação, acaba definitivamente assumindo a esquerda, deixando a vontade que o Ciro Gomes tinha fragilizada.
 
Se fomos comparar os tamanhos dos partidos – PDT com PT –, do ponto de vista parlamentar, de governos e prefeitos, não faria sentido que o PT abrisse mão de disputar essa raia para a figura do Ciro Gomes. Ainda que a candidatura de Ciro represente, do ponto de vista de política macroeconômica, uma agenda que pode dialogar com o campo da esquerda, não fazia sentido o PT abrir mão de sua candidatura e o Ciro assumir essa área.
 
Do ponto de vista do que o cenário representa lá pra frente, toda essa movimentação do PT foi bem acertada.
 
O Supremo Tribunal Federal pode julgar, ainda nesta semana, o pedido de liberdade de Lula. A defesa já não quer e articula toda uma estratégia. Quais avaliações podem ser feitas sobre esse julgamento?
O PT já retirou essa ação para que não se corra o risco da questão da inelegibilidade ser julgada de forma precipitada. A gente sabe o quanto foi retardado o processo por uma série de manobras do STF, então não fazia sentido mesmo, em um cenário que parecia querer que se abreviasse o julgamento do presidente Lula. Desse ponto de vista, a estratégia da defesa é garantir que o rito da Justiça Eleitoral seja respeitado e que o STF se preserve como instância de recurso no momento futuro, porque junto com a questão da liberdade do presidente, certamente haveria a questão das eleições e isso, nesse momento, abreviaria demais o processo.
 
Como se sabe que, nos últimos anos, o respeito aos ritos processuais não tem sido a tônica da justiça brasileira e fundamentalmente do STF, me parece que a decisão foi acertada nessa direção. Você retira a possibilidade de desrespeitar o rito, de registro da candidatura, o período que o Ministério Público e outros partidos têm para que ingressem com o pedido de impugnação da chapa, o TSE julgar esse pedido e depois a possibilidade de recursos no STF. Quer dizer, esse é o rito normal e é o rito que se espera ser respeitado.
 
Como você vê a mobilização dos militantes que estão tentando pautar o julgamento de medidas cautelares das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) 43 e 44?
É por essa via que se coloca há muito tempo como a mais adequada para julgar o caso, que é de julgar a possibilidade de manutenção desse entendimento da prisão em segunda instância. Mas, a todo momento, as manobras realizadas pelo STF, fundamentalmente pela sua presidente Carmen Lúcia, foram no sentido de pautar o caso concreto, ou seja, no sentido de personificar o debate e colocar as ações do Lula em vez de pautar o tema.
 
Isso porque havia uma avaliação dela de que, ao pautar a matéria, provavelmente, naquele momento, haveria uma maioria favorável a derrubar a possibilidade de prisão de pena privativa de liberdade em segunda instância. E ela reagiu ao que ela entendeu naquele momento, com uma manobra para garantir a prisão de Lula.
 
Quer dizer, ao pautar esse caso, havia ali uma expectativa dela de que não fosse concedida a liberdade até que se julgasse a matéria. Eu acho pouco provável que, depois de todas essas manobras feitas nos últimos meses, isso entre em pauta, mas acho que é papel nosso, das entidades civis, cobrar que a justiça siga os ritos normais, que ela não desvirtue da normalidade judicial por conta do nome que está na capa do processo.
 
Do ponto de vista da direita, como será a disputa eleitoral?
Me parece impressionante como o sistema político tradicional mostrou alguma resiliência e fôlego de sobrevivência. A estratégia do Alckmin foi exatamente de fazer essa movimentação, trazendo (para a sua candidatura) os partidos tradicionais de centro e de direita e foi muito competente do ponto de vista da negociação e de fazer a política tradicional, de amarrações, e construir um tempo robusto na televisão.
 
Será discrepante o tempo que o Alckmin terá à disposição no horário gratuito com as outras assinaturas. Eu arriscaria a dizer que essa movimentação me parece que foi uma “pá de cal”, ou pelo menos uma “ombrada” muito importante na candidatura do Bolsonaro, que corre nessa mesma raia.
 
Esse processo se conclui trazendo a Ana Amélia para ser vice em sua chapa, claramente dialogando com alguns partidos de centro, mas uma posição muito forte à direita, mostrando que essas eleições de fato serão polarizadas.
 
A gente passou alguns meses antes das eleições com a questão de quem iria ocupar o centro, que traz uma suposta neutralidade, e esse movimento pré-eleitoral aponta que no fundo esse eleitorado brasileiro e essas eleições vão reforçar a polarização da nossa sociedade, o que eu não acho terrível não.
 
Acho importante que o Brasil tenha esse tipo de debate para que se consiga entender as muitas diferenças de agenda que estão hoje colocadas nos campos ideológicos distintos da esquerda e da direita.
 
Acho que o Alckmin conseguiu dar essa ombrada no Bolsonaro. Agora, saber como o eleitor vai se comportar diante disso, quer dizer, se essas intenções de voto no Bolsonaro são consistentes e se mantêm seu fôlego como candidato, quando ele tiver seus longos oito segundos para apresentar suas propostas.
 
Não dá ainda pra gente dizer que se concluiu o processo, tanto à esquerda como à direita. Mas me parece que, nesse momento, saem fortalecidas tanto as candidaturas de Lula para ocupar a esquerda, como a candidatura de Alckmin e da Ana Amélia para ocupar a raia da direta. Vai ser muito curioso – depois de todo esse processo de rupturas e instabilidade que o país passou –, assistirmos em mais uma eleição uma disputa entre PT e PSDB.
 
Nesse momento, as coisas apontam por aí, mas ainda não dá pra gente cravar que esse cenário vai se realizar. A candidatura do Bolsonaro continua uma candidatura perigosa do ponto de vista de adesões, ainda mais agora com o general Mourão, que é um candidato abertamente antidemocrático e que defende regimes e intervenções militares.
 
Por que seria perigosa a candidatura do Bolsonaro?
O Bolsonaro oferece soluções para o país que geralmente aparece nas mesas do bares: mirabolantes, fáceis e simples. Por exemplo, “como você resolve o problema da violência?”, matando todos os bandidos. Essa é solução que parece fazer algum sentido na mesa do botequim.
Agora, quando você vai pensar em políticas públicas, no Estado e na responsabilidade que o Estado tem de agir, a gente sabe que essa solução é inviável, uma insanidade e não faria o menor sentido. Mas ela tem uma adesão fácil porque fica na superfície do debate.
 
Acho que tem aíi uma questão sobre o que Bolsonaro representa, que é a ideia de que nós estamos passando um momento de discurso muito forte contra um estado de coisas, contra o establishment e a situação atual, que pode se transformar em um discurso contra a política neoliberal, que produziu desemprego, que está vendendo o país e privatizando-o.
 
Mas ela também pode ganhar, a depender de como essa debate for conduzido, os traços desse discurso do Bolsonaro. Eu vejo muito nos eleitores que se dizem simpatizantes, o discurso dele não parecer o de um político tradicional. A despeito de ele estar lá há sete mandatos seguidos, mais de 30 anos, ele não tem uma postura de político tradicional, que se dá por ele dizer o que pensa, sem papas na língua, de escancarar algumas questões.
 
Isso ganha alguma adesão do eleitor no sentido de que "ele vai fazer o que precisa ser feito". A gente ainda não consegue dimensionar o fato de ele não ter conseguido alianças e do quanto isso será encarado de forma positiva pelo seu eleitor e não como uma fraqueza.
 
Agora, o que esse eleitor tem de perceber é que esse discurso pode produzir, mais à frente, um aprofundamento da crise no país. Essa perspectiva de longo prazo eu acho que falta no eleitor, que acaba tomando essa postura irresponsável, no sentido de querer chacoalhar "tudo o que está aí" e acaba aderindo à candidatura Bolsonaro, que é explosiva.
 
Na questão de segurança pública, por exemplo, ele pede que outras áreas sejam acionadas.
 
É por isso que eu digo que as soluções da candidatura do Bolsonaro são as soluções do botequim, soluções rápidas e de quem olha a superfície, que pede mais violência por parte do Estado, uma visão torpe. Quando você olha o perfil de quem está preso, as desigualdades sociais, o racismo e questões estruturais da nossa sociedade, você vai perceber que equipar o Estado com mais armas, colocando mais violência para combater a violência, só vai aprofundá-la. O candidato à Presidência não pode propor soluções irresponsáveis, de botequim, não pode navegar na superfície das coisas.
 
Eu diria que tem duas coisas em seu discurso: uma estratégia de marketing eleitoral, de fazer esse diálogo na superfície, mas eu diria que, além disso, tem uma insuficiência e uma incapacidade mesmo dele, do ponto de vista da sua formação política e intelectual e como parlamentar.
 
Bolsonaro não tem capacidade de colocar outras coisas no meio, por isso que fica o tempo todo dizendo que vai "buscar o posto Ipiranga".
Fonte: JL/RBA
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