CBN - A rádio que toca notícia

REVOLTA POPULAR

Entenda porque o governo faz propaganda enganosa sobre recuperação da economia

Com desemprego superando a marca de 12 milhões, especialistas explicam que o baixo crescimento do PIB é uma ilusão

09/03/18, 10:33

A

pós dois anos de queda, com o país acumulaeendo perdas de mais de 7% de sua economia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou, na semana passada, que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, índice que mede o desempenho econômico nacional, avançou apenas 1% em 2017.

Rejeitado por mais de 70% da população e praticamente sem nenhuma notícia positiva para comemorar, o governo de Michel Temer, e grande parte da mídia comercial, se apressaram para celebrar o que seria um resultado “extraordinário” e o fim da recessão. Para economistas ouvidos pelo Brasil de Fato, no entanto, por trás da propaganda, o país segue sem oferecer saídas consistentes para enfrentar o desemprego e o crescimento da miséria.

A própria elevação do PIB não foi obra da atual política econômica, explica Márcio Pochmann, professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp).  “O resultado do PIB se deve ao desempenho do setor agropecuário, que cresceu 13% no ano passado, em decorrência de uma safra recorde de grãos. O setor industrial apresentou crescimento zero e o setor de serviços só cresceu 0,3%, uma estagnação. Ou seja, esse dado não está associado à política econômica do governo. Pelo contrário, a atual política econômica agravou o quadro do país nos últimos anos”, argumenta.

A recessão do país, que começou em 2015, poderia ter terminado no final de 2016, não fosse a mudança de governo provocada pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff. “A política do 'austericídio' começou ainda no governo Dilma, mas foi aprofundada com Temer, o que prolongou a recessão e contribuiu para uma falência generalizada das empresas. O único setor que obteve lucros foi o financeiro, ou seja, os bancos, que mantiveram seus ganhos. Em algum momento a gente ia bater no fundo do poço e uma recessão tão demorada ia dar um sinal de recuperação, mas trata-se de um crescimento marginal [esse do PIB]”, aponta o economista Paulo Kliass, doutor pela Universidade Paris 10 e especialista em políticas públicas e gestão governamental.
 
Desemprego

Na última atualização do IBGE, também da semana passada, o desemprego no país manteve patamares elevadíssimos. Um total de 12,7 milhões de pessoas estão sem trabalho no país, índice que representa 12,2% da chamada população economicamente ativa (PEA), aquela que busca trabalho e não encontra. O número é menor do que no ano passado, que chegou a registrar 14,1 milhões de desempregados, mas o que impulsionou a queda foram os empregos sem carteira assinada ou o chamado trabalho por conta própria. Pela primeira vez ao longo dos últimos anos, o Brasil voltou a ter mais empregos informais, de baixa qualidade e menores salários.

“O pouco crescimento do emprego vem se dando precariamente, na informalidade. É uma combinação da capacidade ociosa da indústria com a flexibilização da legislação trabalhista. É importante salientar que a média do salário informal é muito mais baixa do que de quem tem carteira assinada,  além de serem trabalhos muito mais precários do ponto de vista da segurança e da assistência previdenciária, o que acaba prejudicando o próprio sistema previdenciário, já que nem empresas e trabalhador passam a contribuir com o INSS. Não é um processo sustentável para o país”, analisa Paulo Kliass.

Além dos mais de 12 milhões de desempregados, Márcio Pochmann lembra que um outro contingente muito expressivo, que engloba cerca de 4 milhões de trabalhadores, desaparece da estatística porque deixa de procurar emprego. “São pessoas que estão desempregadas há muito tempo e não conseguem arrumar uma ocupação, por isso deixam de procurar. O IBGE identifica como população economicamente inativa e, por isso, essas pessoas nem entram nas estatísticas”, explica.
 
Problema estrutural

Os economistas ouvidos pela reportagem lembram que não houve ampliação da capacidade instalada do setor produtivo nos segmentos da indústria e dos serviços, ao longo dos últimos anos, o que revela o caráter ilusório de uma recuperação econômica mais consistente.  “O Brasil tem uma economia com baixíssima capacidade de expansão, do ponto de vista da produção. Esse cenário que vem acompanhado do aumento dos importados, justamente porque qualquer ganho extra de renda não encontra capacidade produtiva para responder a demanda internamente”, avalia Márcio Pochmann.

Segundo Paulo Kliass, esse é um problema estrutural da economia brasileira. “Foi adotada uma opção de estimular a exportação de commodities agrícolas, petróleo e minérios, que são produtos de baixo valor agregado, ou seja, o país exporta basicamente a sua natureza. Por outro lado, foi feita uma política de valorização da importação de produtos industrializados, principalmente da China e de outros países asiáticos, o que provocou uma quebradeira da indústria brasileira de produtos manufaturados”, destaca.

Na origem do problema, a combinação de câmbio valorizado e altas taxas de juros, que desestimulam a capacidade produtiva da indústria nacional. “Esse movimento de desindustrialização foi ceifando a capacidade de produzir e fez com que os industriais preferissem ser meros montadores. Eles importam produtos manufaturados para montar aqui no país, sem transformação. O fato de nós vivermos com alta taxa de juros foi criando esse tipo de empresário que não tem retorno operacional e perde o estímulo da produção”, acrescenta Márcio Pochmann.

Para Kliass, o Brasil só poderá sair da crise “quando o Estado recuperar os investimentos na área social, de infraestrutura, mas o que o governo atual  tem sinalizado é exatamente o oposto”, lamenta.

Fonte: JL/por Pedro Rafael Vilela
TODAS AS NOTÍCIAS DO PORTAL
22/05/18, 10:48 | PESQUISA - Corrupção interessa mais ao brasileiro do que Copa do Mundo
22/05/18, 10:36 | CORRUPÇÃO - Ex-tesoureiro do PP se entrega à polícia e começa a cumprir pena da Lava Jato na Papuda
22/05/18, 10:12 | MUNDO - Michelle e Barack Obama fecham acordo milionário com a Netflix
22/05/18, 08:10 | POLÍTICA - Lula prepara pré-candidatura à Presidência da República para o dia 27
22/05/18, 07:53 | ARTIGO - É preciso aprofundar os fundamentos sobre presunção de inocência
22/05/18, 07:25 | ARTIGO - O corrupto é, realmente, uma ameaça!
21/05/18, 20:06 | ADMINISTRAÇÃO - Prefeito de Luzilandia contrata engenheiro civil como "mercadoria"
21/05/18, 15:31 | ESPORTE - A maioria dos jogadores da Seleção se apresentou no Centro de Treinamento da Granja Comary
21/05/18, 15:23 | ECONOMIA - Temer convoca reunião para discutir alta no preço dos combustíveis
21/05/18, 14:45 | VULGARIDADE - Prefeito Ronaldo Gomes agride o Jornal Luzilândia; veja
21/05/18, 14:06 | INSTITUCIONAL - Pleno do TJ-PI elege Desembargador Erivan Lopes para mandato especial de sete meses
21/05/18, 13:11 | HOMENAGEM - Vice-governadora recebe Medalha do Mérito Divinal em Valença
21/05/18, 12:27 | ECONOMIA - Caminhoneiros protestam contra alta do diesel em todo o país
21/05/18, 11:40 | POLÍTICA - Jaqkeline Aguiar fortalece bases com Themístocles Filho, Ismar Marques e vereadores de Luzilândia
21/05/18, 08:49 | DECISÃO - Condenação de Ismar e José Marques é confirmada em 2ª instância
21/05/18, 08:19 | INVESTIGAÇÃO - Pelo menos 110 magistrados estão sob ameaça no País, diz CNJ
21/05/18, 08:10 | JUDICIÁRIO - Cármen sobre Lula: TSE não pode tomar iniciativa de impedir candidatura
21/05/18, 07:53 | ESPORTE - Dezessete jogadores se apresentam à seleção nesta segunda-feira
20/05/18, 21:02 | LEGISLAÇÃO - Avança na Câmara projeto que acaba com a revista íntima em presídios
20/05/18, 20:59 | REDES SOCIAIS - Facebook remove 2,5 milhões de posts com discurso de ódio em 6 meses
20/05/18, 20:30 | POLÍTICA - Eleições podem promover até 17 suplentes no Senado em 2019
20/05/18, 20:21 | INVESTIGAÇÃO - Alckmin recebeu R$ 5 milhões em caixa 2 da CCR, diz Ministério Público de SP
20/05/18, 16:29 | INVESTIGAÇÃO - Barco à deriva com 25 imigrantes e 2 brasileiros é resgatado no Maranhã
20/05/18, 16:12 | HISTÓRICO - Um ano após caso JBS, Aécio perde força e complica PSDB
20/05/18, 15:52 | SAÚDE PÚBLICA - Mortalidade infantil no Brasil cresce após 15 anos de redução
20/05/18, 15:46 | POLÍTICA - Alckmin e Serra são investigados por caixa 2 de concessionária
20/05/18, 11:51 | SENTENÇA - Janainna Marques é condenada pela 2ª vez na Justiça Federal por improbidade
19/05/18, 20:20 | MOVIMENTO - Caminhoneiros iniciam paralisação na segunda contra aumento dos combustíveis
19/05/18, 19:54 | CORRUPÇÃO & PROPINA - STF manda quase 100 ações contra políticos para instâncias inferiores
19/05/18, 19:32 | EDUCAÇÃO - Estudantes têm até quarta-feira para pagar taxa de inscrição no Enem
« Anterior 1 - 30 | 31 - 60 | 61 - 90 | 91 - 120 | 121 - 150 | 151 - 180 | 181 - 210 | 211 - 240 | 241 - 270 | 271 - 300 Próximo »
JORNAL LUZILANDIA - O Futuro Começa Aqui
Copyright 2003 - Todos os direitos reservados
SITE FILIADO À LITIS CONSULT - REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS
CNPJ nº 35.147.883/0001-41 / CCN Comunicação.com Nordeste
Jornalista Renato Araribóia de Britto Bacellar - Homenagem Especial
Luzilândia - Teresina - Piaui - Brasil
CEP:64049-600 - Rua Lemos Cunha, 1544 - Ininga- Teresina-PI
Telefones: (86) 8804.2526 - 8100.6100
jornalluzilandia@hotmail.com | jornalluzilandia@gmail.com
création de site