CBN - A rádio que toca notícia

PROPINA

Delator diz que Temer recebeu R$ 15 milhões e 'guardou 1 milhão no bolso'

Ricardo Saud, diretor da JBS, disse que repasse foi feito a pedido do PT para financiar campanha de Temer, então vice de Dilma, em 2014. Dinheiro saiu de cota de R$ 300 milhões do PT

19/05/17, 18:38

O

presidente Michel Temer teria recebido R$ 15 milhões do Partido dos Trabalhadores para financiar sua campanha à Vice-Presidência, em 2014, mas decidiu "guardar" R$ 1 milhão, segundo afirmou Roberto Saud, diretor da JBS, em depoimento ao Ministério Público Federal.

O G1 questionou Temer sobre a afirmação do delator, via assessoria do Palácio do Planalto, mas, até a última atualização desta reportagem, ainda não havia recebido resposta.

Os detalhes estão em um vídeo de 23 minutos, que faz parte do material divulgado à imprensa nesta sexta-feira (19) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e baseia um dos inquéritos que apuram atos ilícitos de políticos.

Assista ao vídeo na íntegra acima, e veja abaixo os principais pontos do depoimento.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin determinou a abertura de inquérito para investigar Temer, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) por corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) agiram "em articulação" para impedir o avanço da Lava Jato.

'Só o Temer e o Kassab'

De acordo com Saud, além de Temer, Gilberto Kassab, que deixou o governo Dilma em abril de 2016 e passou a apoiar o impeachment da petista, e hoje é ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, foi o único outro político que ele viu fazendo o mesmo, ou seja, usando o dinheiro de caixa 2 de campanha em proveito próprio.

"Eu já vi o cara pegar o dinheiro da campanha e gastar na campanha. Agora, ganhar um dinheiro do PT e guardar pra ele no bolso dele, eu acho muito difícil. Aí, ele e o Kassab fizeram isso. Só o Temer e o Kassab guardaram o dinheiro pra eles usarem de outra forma", afirmou ele. (assista no minuto 15'30'')

No depoimento, o delator diz que Temer negociou o valor junto ao PT e que os R$ 15 milhões foram repartidos em diversas frentes: R$ 9 milhões teriam sido pagos em cinco parcelas ao PMDB nacional, como "propina dissimulada em forma de doação oficial"; R$ 3 milhões teriam sido entregues a um intermediário do ex-deputado Eduardo Cunha em um posto de gasolina no Rio de Janeiro; e R$ 2 milhões teriam sido repassados a Duda Mendonça como parte do pagamento pela campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo.

De acordo com Saud, o pagamento a Duda Mendonças foi "simulado como se ele tivesse prestado um serviço" para uma das empresas do Grupo JBS.

Argeplan

O R$ 1 milhão restante, que Saud afirma ter ficado com Temer, foi, segundo ele, entregue na sede da Argeplan Arquitetura e Engenharia, na Vila Madalena, em São Paulo. A empresa pertence a João Baptista Lima Filho, amigo de Temer, e já foi alvo de investigações da Operação Lava Jato.

Segundo Saud, "o Michel Temer fez uma coisa até deselegante. Porque nessa eleição só vi dois caras roubar deles mesmos. Um foi o Kassab, o outro o Temer. O Temer me deu um papelzinho, e falou: 'Ó, Ricardo, tem um milhão, que quero que você entregue em dinheiro nesse endereço aqui'. O Temer falou isso. Na porta do escritório dele, na calçada. Só eu e ele na rua. Na Praça Panamericana." (assista a partir do minuto 12'28'')

O diretor da JBS disse que enviou Florisvaldo Caetano de Oliveira, seu funcionário que realizava as entregas de dinheiro a político, até o local, para saber do que se tratava, e descobriu que era a sede da Argeplan.

"Até então, eu achava que esse dinheiro seria para o [José] Yunes [advogado e amigo de Michel Temer]." Saud disse ainda que Florisvaldo teria sido recebido pelo próprio Lima Filho, que teria pedido que ele retornasse dias depois e dito que só ele colocaria a "mão nesse dinheiro".

A partir do minuto 15', Saud descreve como Florisvaldo estacionou de ré na calçada para entregar o dinheiro, e mostrou fotos da fachada do imóvel, afirmando quem uma câmara de vigilância teria filmado o encontro.

Origem do dinheiro

O dinheiro teria saído de uma conta que a JBS disse manter com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a campanha do Partido dos Trabalhadores em 2014.

Segundo Saud, a "conta da propina" tinha R$ 300 milhões. No início do vídeo, ele explica que, em meados daquele ano, Guido Mantega teria solicitado a Joesley Batista, dono da JBS, que sacasse R$ 35 milhões para entregar a senadores do PMDB para garantir o apoio de todo o partido à reeleição de Dilma.

Perguntado por um procurador para nomear os senadores, o delator respondeu: "Eduardo Braga, Vital do Rêgo, Jader Barbalho, Eunicio Oliveira, Renan Calheiros, e tinha um milhão pra Kátia Abreu, mas esse um milhão a Kátia nunca recebeu, ficou pra eles lá." (assista no minuto 3'11'')

Saud diz que esse grupo "estava jogando para fazer o Jucá presidente do PMDB nacional, Eunício presidente do Senado, Vital do Rêgo no TCU, Renan líder da bancada."

Reação de Temer

Saud afirmou que "o PT agiu rápido" para impedir a debandada de senadores peemedebistas para a campanha do rival rival Aécio Neves, candidato do PSDB nas eleições de 2014. No dia 3 de julho de 2014, disse ele, Mantega fez uma solicitação a Joesley para que a JBS distribuísse o dinheiro entre o grupo.

O dono da JBS, então, decidiu relatar a história a Michel Temer. De acordo com o delator, Joesley teria dito: "Vamos fazer o seguinte? Isso aqui não tá passando por ninguém, pega esse bilhete e vai lá e conversa com o Temer." (assista a partir do minuto 5'40'')

A pedido de Joesley, Saud então esteve com Michel Temer em sua residência em São Paulo para assistir ao jogo entre Holanda e Costa Rica pelas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2014. O jogo aconteceu no domingo seguinte, dia 5 de julho. De acordo com ele, Temer teria ficado "muito indignado" ao descobrir do esquema dos senadores do PMDB.

Ainda segundo o delator, o então vice-presidente teria pedido para que a JBS aguardasse "uma semana" para que ele reassumisse a presidência nacional do partido.

Isso aconteceu em 16 de julho de 2014, 11 dias após a suposta conversa. "Poderei ter protagonismo maior de natureza exclusivamente politica e não somente administrativa. Vamos percorrer o país para tentar fazer prevalecer o nosso PMDB", disse Temer na época.

Pedido de financiamento

Em agosto, Saud afirmou que teria tido novo encontro com o então vice-presidente, e que ele perguntou sobre o financiamento de sua própria campanha com dinheiro da "conta de propina" do PT.

"Aí ele [Temer] me perguntou: 'tá, e pra mim o que o PT mandou?' Eu falei 'ó, Temer, por enquanto não mandaram nada. O senhor vai lá conversar porque não tem nada aqui... Por enquanto não tem nada pro senhor. Acho que o PT tá entendendo que o senhor é vice, o senhor vai arrumar o dinheiro do senhor.' Ele falou: 'Não, uai. Eu entrei nisso aqui, já trouxe o PMDB inteiro, eles vão ter que me dar o dinheiro pra minha campanha.'", relatou Saud. (assista no minuto 6'50'')

No encontro seguinte, o delator afirma que Temer teria dito que combinou um valor com o PT.

"Nós estávamos ali no escritório político dele na Praça Panamericana. Ele me chamou e disse: 'Olha, Ricardo, o pessoal do PT vai mandar 15 milhões pra mim. Pra minha campanha. Tá tudo certo?' Eu falei: 'Nada, tudo errado. Eles não mandaram nada pro senhor até agora.' 'Mas não pode, eu tô lá esperando esse dinheiro, não sei o quê, como é que vou fazer com isso?' Eu falei: 'Não sei, eu vou conversar com o Joesley, vou pedir ao Joesley pra ver se está sabendo de alguma coisa pro senhor, porque não chegou nada.'" (veja a partir do minuto 7'50'')

Em seguida, Saud diz que, em um encontro com Edinho Silva, prefeito de Araraquara (SP) pelo PT, ele descobriu que o valor que o partido queria destinar à campanha de Temer era de R$ 5 milhões, e disse que o vice-presidente teria definido que a quantia fosse três vezes maior. Edinho, então, prometeu analisar os valores. "Aí veio a ordem para dar os R$ 15 milhões pro Temer. Do PT para o PMDB, para a campanha do Temer", disse Saud. (assista no minuto 9')

Depois disso, Saud disse que teve mais um encontro com Temer, dessa vez no escritório da Vice-Presidência em Brasília, onde o atual presidente teria definido como gastaria os R$ 15 milhões.

Fonte: JL/Globo
TODAS AS NOTÍCIAS DO PORTAL
23/05/17, 10:20 | CRISE - FHC: 'Se não tiver defesa aceitável, tem obrigação de renunciar'
23/05/17, 10:07 | CRISE - Ministros atuam para partidos se manterem na base de Temer
23/05/17, 09:51 | CORRUPÇÃO - Família de Fred quer delação para 'entregar' Aécio na propina
23/05/17, 09:36 | CRIME - Indicado por Temer para receber propina entrega mala com R$ 500 mil à PF
23/05/17, 09:16 | CORRUPÇÃO - Construção do estádio Mané Garrincha teve propina de R$ 900 milhões
23/05/17, 09:11 | PROPINA - Loures viajou com Temer 2 dias depois de receber mala com R$ 500 mil
23/05/17, 09:06 | POLÍTICA - Tucanos torcem por cassação da chapa Dilma-Temer no TSE
23/05/17, 08:30 | CORRUPÇÃO - PF prende assessor especial de Temer e ex-governadores do DF Arruda e Agnelo
22/05/17, 22:41 | PROPINA - Delação da JBS cita propina para governadores e ex-governadores de cinco estados
22/05/17, 22:23 | ALIADO - Tucanos vão esperar TSE para decidir sobre desembarque do governo
22/05/17, 22:14 | PROPINA - Janot pede prisão de Aécio e Rocha Loures ao plenário do STF
22/05/17, 22:08 | MUNDO - Polícia britânica confirma ao menos 19 mortes em show de Ariana Grande
22/05/17, 21:02 | OBRAS - Janainna Marques implementa ações de qualidade de vida em Luzilândia
22/05/17, 20:15 | AÇÕES - Prefeito Ronaldo Gomes prioriza infraestrutura de Luzilândia
22/05/17, 17:04 | CASSAÇÃO - Câmara acumula 14 pedidos de impeachment contra Michel Temer
22/05/17, 16:56 | CORRUPÇÃO - Temer desiste do pedido de suspensão do inquérito no Supremo
22/05/17, 16:35 | ARTIGO - Estaria o PSDB “Armando A Madeira” para Temer?
22/05/17, 16:27 | ARTIGO - Três possíveis cenários para o pós-Temer
22/05/17, 16:11 | PROPINA - 'Deputado da mala' isenta Temer e diz: 'não sabia que havia dinheiro'
22/05/17, 16:03 | POLÍTICA - Temer recebe deputados para conversar sobre agenda legislativa
22/05/17, 15:33 | POLÊMICA - STF só agendará julgamento sobre inquérito de Temer após conclusão de perícia, diz Cármen Lúcia
22/05/17, 15:00 | CORRUPÇÃO - Joesley pediu pelo amor de Deus para Aécio parar de pedir dinheiro
22/05/17, 14:51 | CRISE - Dilma viaja a São Paulo para discutir crise política com Lula
22/05/17, 14:45 | CENÁRIO - Para consultoria Eurasia, chance de Temer deixar o cargo é de 70%
22/05/17, 14:14 | POLÍTICA - Líder do governo diz que Temer está indignado, mas animado
22/05/17, 13:59 | CRIME - 'Meu filho está preso por lealdade a você', diz pai de Frederico Pacheco para Aécio Neves
22/05/17, 10:30 | DELAÇÃO - Joesley conta como infiltrou juiz e procurador para travar Lava Jato
22/05/17, 10:25 | PROPINA - Aécio fala sobre delação e se defende: "Lamento minha ingenuidade"
22/05/17, 10:21 | POLÍTICA - FHC admite que Temer cai e articula sucessão com Jobim e PT
21/05/17, 21:28 | ARTIGO - Quem tem medo da democracia?
« Anterior 1 - 30 | 31 - 60 | 61 - 90 | 91 - 120 | 121 - 150 | 151 - 180 | 181 - 210 | 211 - 240 | 241 - 270 | 271 - 300 Próximo »
JORNAL LUZILANDIA - O Futuro Começa Aqui
Copyright 2003 - Todos os direitos reservados
SITE FILIADO À LITIS CONSULT - REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS
CNPJ nº 35.147.883/0001-41 / CCN Comunicação.com Nordeste
Jornalista Renato Araribóia de Britto Bacellar - Homenagem Especial
Luzilândia - Teresina - Piaui - Brasil
CEP:64049-600 - Rua Lemos Cunha, 1544 - Ininga- Teresina-PI
Telefones: (86) 8804.2526 - 8100.6100
jornalluzilandia@hotmail.com | jornalluzilandia@gmail.com
création de site