 No topo da pesquisa para o Senado, Aécio Neves (62%) tem, na balança de Minas Gerais, peso igual ao de Lula.
A taxa de influência do ex-governador tucano sobre o eleitorado mineiro é, segundo o Datafolha, idêntica à de Lula: 27%.
Olhado de esguelha dentro do próprio partido, Aécio nega, uma vez mais, que negligencie a campanha de José Serra no Estado:
"Não há nenhuma outra unidade da federação onde ele tenha vindo tantas vezes, quanto aqui, em Minas Gerais...”
“...Queremos que isso continue e eu acho que ele pode também vencer em Minas Gerais".
Aécio vive situação análoga à do padre que, de tanto repetir a mesma missa, leva os fiéis a desconfiarem de Deus.
Até o dia da eleição, repisará a homilia das mangas arregaçadas incontáveis vezes. E não espantará o vírus da desconfiança.
Parte da dúvida deve ser debitada ao próprio Serra. Prevaleceu sobre Aécio, na disputa interna do PSDB, sem a gentileza de uma prévia.
No mais, a atmosfera de ambiguidade é tonificada pela realidade que rodeia Aécio, tão desgostosa quando pão de queijo amanhecido.
Por ora, Aécio não logrou inocular seu prestígio pessoal na corrente eleitoral de Antonio Anastasia, o tucano que o representa na disputa pelo governo.
A 22 dias do início da propaganda televisiva, Anastasia coleciona 18% das intenções de voto. O rival Hélio Costa (PMDB) soma 44%.
Num cenário assim, tão adverso, é natural que Aécio priorize o Estado em detrimento do nacional.
Uma eventual derrota de Serra em Minas terá múltiplas explicações. A ruína de Anstasia será evento de explicação única: uma derrota de Aécio. |