JORNAL LUZILÂNDIA
Clipagem Eletrônica - Versão para impressão
INSPIRAÇÃO
Estão falando mal de você?
15/05/18, 15:59

Como usar as palavras

Certa vez, uma jovem foi confessar seus pecados. Não que ela fosse má, mas costumava falar dos vizinhos, deduzindo histórias sobre eles. Essas histórias passavam de boca em boca e acabavam fazendo mal – sem nenhum proveito para ninguém.

O padre, então, lhe disse:

– Minha filha, você age mal falando dos outros; tenho que lhe passar uma penitência. Você deverá comprar uma galinha no mercado e depois caminhar para fora da cidade. Enquanto for andando, deverá arrancar as penas e ir espalhando-as. Não pare até ter depenado completamente a ave. Quando tiver feito isso, volte e me conte.

Ela pensou com seus botões que era mesmo uma penitência muito singular! Mas não objetou. Comprou a galinha, saiu caminhando e arrancando as penas, como ele lhe dissera. Depois, voltou e reportou a São Filipe.

– Minha filha – disse o Santo –, você completou a primeira parte da penitência. Agora vem o resto.

– Sim, o que é, padre?

– Você deverá voltar pelo mesmo caminho e catar todas as penas.

– Mas, padre, é impossível! A esta hora, o vento já as espalhou em todas as direções. Posso até conseguir algumas, mas não todas!

– É verdade, minha filha. E não é isso mesmo que acontece com as palavras tolas que você deixa sair? Não é verdade que você inventa histórias que vão sendo espalhadas por aí, de boca em boca, até ficarem fora do seu alcance? Será que você conseguiria segui-las e cancelá-las, se desejasse?

– Não, padre.

– Então, minha filha, quando você sentir vontade de dizer coisas indelicadas sobre seus vizinhos, feche os lábios. Não espalhe essas penas, pequenas e maldosas, pelo seu caminho.

Cuide de sua vida!

Tem um amigo que pergunta, sempre debochado: "você sabe por que a tartaruga vive mais de 100 anos?" E logo responde: "Porque ela cuida só da vida dela..."

Brincadeiras à parte, nossa vida é curta demais para termos que controlar os passos de outros - passos estes que não nos competem, já que cada um dita seu próprio caminho. E se a trajetória é nossa, a direção e o tamanho do passo só compete a nós.

Há ainda mais uma questão: não temos em mãos 100% das informações que levaram Siclano ou Beltrano a tomar aquela decisão. Então, não temos o direito de julgá-los.

Caso tenha algo positivo a acrescentar, fale diretamente com o envolvido. Não saia espalhando por aí "ah...se eu fosse ele, agiria diferente".

Pronto. Falei!

Abraços inspirados, Beijos com +Atitude.

Marcio Zeppelini
Palestrante de Atitude

"Se a trajetória é nossa, a direção e o tamanho do passo só compete a nós" (Marcio Zeppelini)

Fonte: JL/por Márcio Zeppellini
Reportagem publicada no site www.jornalluzilandia.com.br