Quarta, 10 de Março de 2008
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04/12/2009 - 11:58:04

Zé doidim

Se foi pensando que morreu um burro, eu devo confessar à minha leitora e ao meu leitor que nas semanas em que estive ausente deste espaço, andei bem pertim de vestir o paletó de madeira e descer nas cordas. Enfrentei problemas psicológicos e psiquiátricos da maior gravidade. Isso angustiou profundamente a minha alma e o meu pobre ser. Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas! Era só o que eu tinha no juízo.

 

Minha analista, a dra. Fátima, me aconselhou a dividir a minha aflição com o máximo de gente que eu poder. Segundo ela, é uma terapia. Então, vou lhe dizer os questionamentos  que me atordoam: o Wellington sai do governo para disputar o Senado ou fica pra botar carga no candidato do PT? Se o Wellington sair, o Wilson Martins é candidato de qualquer jeito à reeleição ou vai cumprir o acordo da chamada “base aliada”? O João Vicente vai ser candidato pelo governo ou pela oposição? E ele vai ser candidato mesmo? O Silvio larga a prefeitura para se candidatar ou não? O Elmano, se assumir a prefeitura, passa mesmo a caneta na tucanada? O pastor Macedo vai ser candidato de novo? E o Mão Santa, depois de mudar de partido, se reelege ou não? Será que a candidatura do Marcelo Castro é pra valer ou ele tá só de agalândia? O Hugo e o Freitas vão se eleger juntos, como se elegeram para o Senado em 1994 ou vão perder abraçados para a Câmara Federal?...

 

Depois de muito sofrer, eu vi, enfim, que não vou ter estas respostas tão cedo. E este negócio de dar pitaco em política é coisa para o Amadeu Campos, o Pires de Sabóia, o Carlos Augusto e o Pedro Tamanco. E, se for pra adivinhar, piorou! Tem que chamar é a Irmã Janaina ou o Bita do Barão. E saravá, irmão!

Vamos, então, à coluna de hoje.

 

Ausência Audaciosa

Tem coisa que o cabra tando perto não tem como se livrar. Cuspida de bêbado, coice de gobila e conversa de doido são algumas delas.

 

Um dia, estava eu no Aeroporto de Teresina e peitei no então governador Mão Santa. Foi logo apertando minha mão e perguntando como estava meu avô. Fiquei confuso com a pergunta. Afinal, meu avô era um homem da roça e nunca tinha saído de sua casa, num grotão perto do município de São Miguel da Baixa Grande. Mas, de qualquer forma, disse-lhe com pesar: “Governador, meu avôzim já tá no céu faz é tempo”. Ele, sem mexer nem a cara, atirou à queima-roupa: “Pense num homem de bem! Era muuuuuito meu amigo!”.

 

Diante de tão emocionante confissão, eu só não cai nos olhos chorando porque já conhecia a figura do Mão Santa. Ora, onde diabo é que o Mão Santa lá conhecia o meu avô? Mas, como ele não tava mais vivo pra comprovar a conversa do outro, dita na frente de várias pessoas, ainda hoje a dúvida da amizade deles futuca a bainha do meu juízo: será que os homens foram amigos mesmo?

 

Zoropa

Eu tô contando esta história só pra enganchar noutra. Na quarta-feira desta semana, o governador Wellington Dias chegou de uma longa viagem à Europa. Mal desapeou do avião, foi logo se agrudando no primeiro microfone que encontrou pela frente pra dizer que nestes 12 dias que passou fora, tinha arrumado um bocado de coisa pra trazer pro Piauí. Vamos a elas: 24 milhões de reais para a construção de cinco centros de convenções (um pra Picos, um pra Floriano, um pra Piripiri, um pra São Raimundo Nonato e mais outro pra Parnaíba); 70 milhões de reais para obras estruturantes no Grande Dirceu e, de lambuja, ainda conseguiu mais 30 milhões para a construção de um Hospital das Clínicas, na cidade de Picos.

 

O deputado Tererê ou o senador Heráclito Fortes podem até duvidar da conversa do homem. De fato, quando a esmola é grande é do cego desconfiar mesmo! Mas veja bem: não se pode negar que o nosso governador tem um talento nato pra encartar serpentes - basta ver que ele colocou a Assembléia todinha dentro de um saco de estopa. 

Já faz tempo que ele prometeu 5 hidrelétricas no Rio Parnaíba. Prometeu fazer  dois portos, um molhado no litoral e o outro seco na capital. Prometeu recuperar e revitalizar a linha férrea Teresina-Luís Correia. Prometeu construir a Transcerrados, um estirão de 300 quilômetros. Prometeu fazer do turismo no Piauí uma realidade. Tanto é que criou duas secretarias só pra cuidar da área e prometeu dois aeroportos internacionais, um em Parnaíba e o outro em São Raimundo Nonato.

 

Estas promessas correram por aqui e ganharam o mundo globalizado. E era maquete, e era foto, era outdoor, era anúncio de Tv, jornal, rádio e internet, era imagens animadas em computação gráfica e o escambau a quatro... Tudo uma belezura! Coisa de encher os olhos!

 

Se tem gente que vive aqui no Piauí e que jura de pé junto e mão nos peito que todas estas obras já foram feitas, que dirá a negada do outro lado do Atlântico!! Os estrangeiros só podem é pensar que isto aqui é mesmo um paraíso.

 

Tubí or no tubí

Da minha parte, quero confessar que, neste caso, fiquei com o governador do mesmo jeito de quando o Mão Santa disse que era muuuito amigo do meu falecido avôzinho. Não acreditei nem desacreditei. Como eu não tava lá pra ver, tem hora que eu digo que sim e tem dia todim que eu penso que não. Mas bem que, se era pra trazer tanta obra assim, se o governador trabalhou tanto por lá, por que diabos é que ele não levou a tira-colo, como observador, um jornalista independente e poliglota do quilate do Arimatéia Azevedo, ou um político de oposição expert em turismo feito o Marden Menezes? Na pior das hipóteses, que me levasse na comitiva pra ver este mundilhão de gente querendo investir no Piauí! E, se a viagem fosse só de turismo, com o dinheiro do povo, como alguns acreditam que foi, também não tinha problema terem me levado!  Era só encher meu buchim de bacalhau e vinho do bom e me dá uns euros pra eu comprar um presente pra minha petistinha, que eu chegava aqui e, além de não entregar ninguém, ainda aumentava a conversa com as minhas próprias invencionices. Duvida que eu tinha coragem?

 

damasio.danilo@yahoo.com.br

 

chamada:  Ninguém se livra de coice de gobila e nem de mentira de político

 
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05/08/2009 - 08:54:13

Luto Folia

O historiador Hobsbawn chamou o século passado de “breve Século XX”. Outra não foi a razão. As mudanças ocorreram e continuam ocorrendo num piscar de olhos. E quando se fala em comportamento, elas não esperam nem as pestanas baterem uma nas outras. Tem sido assim na tecnologia, no vestir, no sexo e no relacionamento com o próximo.Não faz tempo, a morte de um parente enlutava a família e vizinhos. Se morria o marido ou a mulher, o cônjuge sobrevivente guardava religiosamente um ano de luto fechado. Se morria um filho, eram seis meses vestindo preto. Se morria um neto, eram três. Além de usar roupa preta, o enlutado não podia ir a festas, nem dançar e nem participar de bebedeiras. A tragédia da Barragem de Algodões, na cidade de Cocal, acabou de completar dois meses. Dados oficiais atestam que uma dezena de pessoas perderam suas vidas. Outras tantas perderam tudo. O que faz a prefeitura? Está preparando para os próximos dias uma grande festa com cinco bandas de forró, inclusive a famosa Aviões. Pra quem não respeita a memória nem a dor dos outros, tá feito o convite, na letra de uma das músicas mais conhecidas da banda: “Vamos simbora, prum bar/Beber, cair, levantar!” 

Medicina matuta

Quem quiser mangar de mim, que mangue.  Mas não acredito na medicina tradicional. O fato deu tá vivim hoje devo à medicina matuta. Tão aí minha mãe e meu pai que não me deixam mentir sozinho. Quando menino, eu só vivia adoentado. A primeira doença séria que peguei foi a papêra. Como eu não me aquetava, a papêra desceu. O remédio foi entrar num curral urrando, de quatro pé, pra ela voltar pro pescoço. Depois, fui acometido de sarampo. Tomei de tudo! Mas o que deu jeito foi chá de bosta seca de cachorro. Como funciona: é enrolar a merda num pano, botar pra ferver num papêro de esmalte branco e tomar o chá. É pêi e búfu! 

Mãe de leite

Uma doença que quase me tira a vida foi a tosse braba, que chamam por aí de coqueluche. Comecei tossindo aqui e ali, uma febrezinha de vez em quando, um escorrido no nariz... E aí piorei duma vez! A minha respiração assobiava tanto que parecia que eu tinha engolido era uma rabeca. Tossia que doía a caixa dos peito e vomitava mais do que urubu novo. Foi quando minha mãe obrigou meu pai a ir no interior de São Félix e a trazer, a qualquer custo, a minha cura: leite de jumenta preta. Como ele sempre foi bem mandado pela minha mãe, não trouxe só o leite. Um dia estávamos na porta de casa e, quando demos fé, lá vinha ele com uma jumenta preta parida amarrada na carroceria de uma caminhoneta C-10.Aí, passei a tomar um copo de leite de jumenta de manhã, um ao meio-dia e outro à boquinha da noite. Com capucho e tudo. Tanto fiquei bom da tosse braba como nunca mais em mim doeu nem uma unha. Aquela jumenta foi minha mãe de leite!E o que é que jumenta tem a ver com minha coluna? Peraí que eu vou bem ali e volto jazim! 

Idéia de jerico

O mundo se debate com uma nova pandemia: a gripe suína.  Com contagio rápido, ela tem se alastrado com uma velocidade bem maior do que a capacidade dos governos de fornecerem remédios e atendimento. Todos os dias sobe o número de vítimas fatais da doença.A minha leitora e o meu leitor sabem que este amigo que vos escreve entende de tudo, tudo. E mais um pouco! Mesmo sem ser consultado, e ainda por cima com o risco de pegar a pecha de inxirido, vou dar uma idéia, na base do 0800,  para o Assis Carvalho. Se ele tiver a humildade de aceitar, pode inclusive saltar da Secretaria de Saúde do Piauí para o cargo de Ministro da Saúde. E tanto faz ser do governo da companheira Dilma quanto do Serra. O lugar dele vai ser o primeiro a ficar garantido.Dr. Assis, pela hóstia, o senhor não tem nada a perder. É melhor ser fanhoso do que não ter nem venta. Apresente à comunidade científica internacional o poder medicinal e milagroso do legítimo leite da jumenta preta piauiense. Se ele é bom pra tosse braba, espinhela caída, regra de mulher, reumatismo, afinamento de sangue e, ainda por cima, serve de alimento pra menino injeitado, sem dúvida é o remédio que falta pra curar esta gripe suína.  

Tiração de leite

Com o leite da jumenta, vamos matar dois coelhos com uma pedrada só. O vírus da gripe suína vai se acabar. Além disso, os jumentos que o Assis vai ter que manter num cercado vão sair do meio das Br´s, evitando acidentes.A badalada Emgerpi, que já cuida de combate a dengue, construção de casas, escolas e estradas, compra de passagens aéreas e de campanhas políticas, deve criar um departamento especial só para laçar jumenta, outro só pra enchiqueirar jumenta e o terceiro só pra tirar leite de jumenta. Quem sabe, com tanta teta de jumenta, dêem uma folguinha para as tetas véa surrada da vaca leiteira que é o Governo do Estado! 

Chamada:

O Piauí tem o remédio pra curar a gripe suína. Só falta o mundo saber! 

damasio.danilo@yahoo.com.br

 
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10/07/2009 - 07:52:11

Impriauzim

No aniversário do Armazém Paraíba deste ano, o mote da campanha é: “A gente é igualzinho a você”.Quem não quiser se sentir igual a Seu João, que não se sinta. Mas eu me identifico demais com ele. Quer ver?Na Micarina de 1997, eu aluguei um terreno na beira do Rio Poty e transformei em estacionamento. Cobrava 5 reais pela guarda de um carro a noite toda. Passei os três dias da festa correndo dum lado pro outro, manobrando carro e ganhando o meu trocado. No último dia, eu já tava com uma babinha até boa no bolso. Mas, pra minha tristeza, parou no meu “estacionamento” a jornalista Elisabete Sá, que na época escrevia uma coluna no Jornal O Dia. Depois da Micarina, ela botou uma nota no jornal me chamando de “flanelinha”. Confesso: meu dinheiro foi merecido! Trabalhei por ele! Mas fiquei envergonhado de ser chamado de flanelinha. Amuado, nunca mais fui estacionar carro.Pois agora, na Micarina de 2009, bem ali do lado do Teresina Shopping, o estacionamento que tinha era o do Seu João. Na entrada uma placa do tamanho de não sei nem de quê, ofertava: “É só 1 real”. Não deu pra quem quis!Pra me vingar do insulto que eu recebi da Elisabeth Sá, eu quero aqui dizer que se eu fui um flanelinha um dia, Seu João, com um estacionamentozão daquele tamanho, é um flanelão. Sou impriauzim ao homem ou não sou? 

Eu e a Xuxa

Quando menino, meu sonho era ter um vídeo cassete. E fiz lá em casa tudo enquanto era chantagem no rumo de conseguir um. Deixei de comer, inventei dor, tirei nota ruim, futuquei o nariz com palito de dente pra sair sangue... O diabo a catorze eu fiz pra chamar a atenção do meu pai pra ele me dar aquele aparelho.Um dia, feito corredor de maratona, venci meu velho no cansaço. Ele foi na JET Vídeo Foto Som, bem ali na esquina da Simplício Mendes com Álvaro Mendes, e comprou um pra mim. Mas foi logo avisando: “Se alugar filme de saliênça, eu quebro este troço na tua cabeça!”. Na hora de receber o presente, fiquei com cara de quem tá comendo hóstia: santo todo! Mas foi ele dando as costas e eu amontando na minha monareta e me ajumentando pra uma locadora que tinha bem ali perto do 25 BC pra alugar o primeiro filme. E adivinhe qual foi o que eu fui atrás? Pois foi exatamente aquele filme da Xuxa que ela fica nua e falta é matar um menino de tanto coisar com ele. E era umas coisas altamente coisativas! Eu esperava o coitado do papai dormir e arrochava no filme lá no meu quarto. E era o menino no filme grudado na Xuxa e eu com os olhos vidrados na televisão, desconfiado, feito cachorro quando acua alma. Quase que eu me acabo! 

Máiquel Jéquisson

Ainda na minha meninice, quando eu tinha uns 10 anos, menino podia tudo: trabalhar, tomar cachaça, fumar cigarro e vagabundar pela rua até altas horas. Show no Verdão, eu não perdia um. Mas ir para o Verdão era garapa pra mim, já que era quase na porta da minha casa. Eu gostava mesmo era de atravessar a cidade todinha na minha bike e ir bater na Boate Moby Dicky, lá no Parque Piauí. Em 1983, o povo tava inventando uns passo novo de dança chamada de “breique”. Ciscavam pra trás feito galinha ajeitando ninho pra botar ovo. A música que arrastava o povo todim pro salão era uma de um tal de Máiquel Jéquisson que eu ouvia assim: “ Diasti píre, diasti píre, pom rom, pom pom, píre, píre, píre...” Botei logo no juízo que tinha de comprar um LP deste cabôco.Parei de merendar na escola uns dias e, com o economizado, fui bater na Loja Honolulu, pra comprar o disco. Cheguei lá todo me amostrando. Fui no balcão e perguntei a uma moça se ela tinha o LP da música do “Píre”, do cantor Máiquel Jéquisson. Acho que ela não botou fé que eu andasse com dinheiro no bolso. Só sei foi que ela, com cara de desdém, me apontou pra uma prateleira e disse: “È aquele bem dali”. E virou a cara pro outro lado. Fui chegando mais pra perto do disco e quase morro de tristeza. A moça ou não tinha me entendido ou não fez questão de me atender. Tanto que me mostrou foi o LP errado. O que tava lá era de um morenim do cabelo encriquiado, todo faceiro, vestido num terno branco, chamado de Michael Jackson. Fui pra casa com raiva da Loja Honolulu. Demorei foi tempo pra entender que quem tava errado era eu. Aquele era, sim, o cantor que eu procurava. O que me faltava era o inglês!  

Caixa de papelão

Mas, na verdade, não era só a compreensão do inglês que me faltava. A minha vida toda sempre sofri com a lentidão das idéias. Sou o que o povo de São Miguel da Baixa Grande costuma chamar de ariado. A minha ficha sempre demora pra cair. Isso quando ela cai!Pra minha leitora e meu leitor ter uma idéia deste meu retardo, vou contar outra: em 2002, na véspera da eleição para governador, os petistas ocuparam todos os microfones para denunciar um vai e vem de caixas cheias de dinheiro público para gastar na campanha do finado PFL. Já no governo, não demorou muito a pequena oposição ao governo do PT dava conta, na Assembléia, de desvio de dinheiro público. Dinheiro esse que andava passeando também dentro dumas caixas.Agora, com este escândalo da Emgerpi, lá vem um ex-assessor denunciar que dinheiro público foi transportado para financiar campanhas do PT e de aliados em municípios do interior. Além de ser levado para figurões do partido. Tudo dentro de quê? Mais uma vez, de caixas e mais caixas.Apois bem! Sóóóóóó agoooooora foi que eu vim entendeeeeeer o porquê do interesse da Suzano Celulose, gigante do papel e da cartonagem, de se instalar aqui no Piauí pra fazer caixa de papelão. É que do jeito que a coisa vem e vai, o que não vai faltar é encomenda! 

damasio.danilo@yahoo.com.br 

chamada:  A Suzano vem aí. Deve ser pra fazer caixa pra carregar dinheiro.

 
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21/05/2009 - 20:35:06

A dedada

Contam que certa vez um senhor de aproximados 45 anos procurou um urologista famoso no Rio de Janeiro para fazer o exame de próstata. E bota luva... e engraxa com vaselina... e dedo vai e dedo vem... a próstata tava no tamanho e consistência normais. O médico, finalizando a consulta, perguntou:- E como é sua vida sexual?- Olha doutor, quando eu tô com muita sorte eu consigo transar uma ou duas vezes no mês.- Mas moço, eu sou da sua idade, e faço sexo quase todo dia. Por que tanta dificuldade?- Ah doutor, o senhor é um médico rico e famoso e pode pegar quem quiser na hora que bem quiser. Agora pra mim é difícil, já que eu sou o bispo de Caruaru. 

Auto-estima

E a vida é assim. Tem coisa que calça num e não calça noutro. Eu, por exemplo, tenho uma história de amor com Teresina, embora critique ela o tempo todo. Sou daqui e acho que tenho o direito. E a justiça, pra ser boa, começa é de casa mesmo! Mas não acho certo que um cidadão de fora, que se sirva da nossa cidade pra sobreviver, fale mal dela. Nesta semana, fiquei muito feliz quando li num blog de um cearense cabeça chata que mora em Teresina, que ele pagava o IPTU da casa dele com a maior satisfação do mundo. Diz ele que o IPTU não é tão barato, mas os buracos da rua dele estão sempre bem limpinhos. E ter buraco nas ruas é bom porque, andando devagar, o caba faz economia de multa do fotossensor.Contou também que a luz do poste em frente à casa dele tá apagada há mais de ano. Mas que era muito bom porque evitava ajuntamento de mariposa e potó. Achei sensato e elegante da parte dele. Dia desses, o amigo e empresário Fernando (ex Afal e atual Artefaço), paraibano de nascimento, me disse que a hora mais feliz da vida dele era quando estava num engarrafamento da Avenida Frei Serafim. Segundo ele, nestas horas, com carro pra todo lado, é que sente que está morando num lugar desenvolvido. E que agora está cada vez melhor porque em muitos cruzamentos da cidade aparecem palhaços com pernas de pau e menino fazendo malabarismo com laranja e cuspindo fogo pra enterter os motoristas que esperam a abertura dos semáforos.É deste otimismo que nós precisamos. 

De novo

O Piauí passou batido, mais uma vez, na distribuição de mega investimentos federais. O Lula anunciou a instalação de mais três refinarias no Nordeste: uma no Ceará, outra no Maranhão e a terceira no Rio Grande do Norte. Eu nem fiquei surpreso! O deputado Tererê, que eu já adotei como meu novo mentor para assuntos políticos (antes era o Tomaz Teixeira), já tinha me convencido de que a única obra federal que o Piauí vai ganhar nestes 8 anos de governo do PT é só o programa Bolsa Família.Mas eu tenho uma idéia pra o Piauí pegar uma babinha neste restim de governo. Como o presidente Lula só gosta de duas coisas – cachaça e futebol – vamos ajeitar o homem. Basta mandar, por terra, no rumo de Brasília, um mercedinha ¾ impinhada de cachaça Mangueira ou de Siri e atrepar num avião, às custas destas passagens aéreas que a Emgerpi distribui à fulote, um selecionado de futebol, vestindo a camisa do time do governador, o Sport Club KLB, mais conhecido como “Ki Lapa de Bucho”. Vamos enfrentar os peladeiros do presidente.Pra agradar o Lula, o KLB tem que apanhar mais do que mala velha pra largar a poeira ou galinha pra tirar o chôco. A escalação do time deve ser especial e independente de partidos. É para a grandeza do Piauí! Temos é que ajeitar o homem de todo jeito pra ver se ele olha pra gente.Eis a sugestão para formação do escrete: No ataque, os fumentes Rui Berger, Abelardo Carvalho e Ubiraci Carvalho. Na ponta esquerda, o Freitas Neto. Na ponta direita, o Luciano Nunes Pai. No meio de campo, o Osmar Junior, que é entrevado do espinhaço, o Paes Landim, que é rendido, e o valente Elias Ximenes do Prado. Na defesa, os roliços Carlos Augusto de Araújo Lima e Cícero Magalhães. No gol o próprio governador, auxiliado pelo Jesus do Detran e pelo Assis Carvalho pra pegar bola.Só não podem é levar os zuadentos Robert Rios e João Silva Neto, pra não corrermos o risco deles chamarem o juiz de ladrão. Ahh, e nem o Mão Santa, porque se não ele baba na bola.  

Trouxa na cabeça

Falando em Mão Santa, ele anda pra cima e pra baixo com a trouxa na cabeça, atrás de um novo partido político pra concorrer à reeleição. Ele se queixa que o PMDB lhe deu as costas. Já o PMDB diz que o Mão Santa só pensa nele mesmo. Não sei quem tem razão nessa novela, mas fico pensando cá com meus botões: se o PMDB jogou os pés no Mão Santa, que deu tudo para os peemedebistas, quando estava no poder, o que não fará com o coitado do Wellington, quando ele perder a caneta? Eu já tô sentindo pena dele é de daqui...  

Ciumeira do santo

Vi em algum lugar e passo adiante, como sugestão ao prefeito Silvio Mendes: o problema dos freqüentes alagamentos da Curva São Paulo é puro despeito de santo.Então, a sugestão é mudar o nome do balneário para Curva São Pedro.  

CHAMADA

O Piauí tem como tirar algo mais do Lula, além do Bolsa Família   damasio.danilo@yahoo.com.br

 
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02/04/2009 - 21:10:36

São Tomé e eu

O apóstolo Tomé entrou para a história como “Tomé, o Incrédulo”. Devido à sua mania de desconfiar de tudo, ficou conhecido também como “Apóstolo Bule”, por ser um home de “poucafé”.  Basta ver que, para acreditar na ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, foi preciso Ele reaparecer e deixar que Tomé tocasse nas Suas chagas.  Nesta onda de precisar tocar nas coisas pra poder acreditar foi que o cronista Luís Fernando Veríssimo disse, há alguns anos, que seria incapaz de acreditar na existência da então musa Luisa Brunet. E explicou, na maior cara de pau: “Já que eu nunca peguei nela, não acredito que ela exista”.Eu, às vezes, sou pior do que São Tomé e o mestre Luís Fernando Veríssimo juntos. Nem se me deixarem pegar, apalpar e cheirar, em certas coisas e pessoas eu não acredito nem morto.   

Fim de governo

Vou dar um exemplo: todo mundo dizia que o governo do PT tinha acabado nas eleições municipais, com o surgimento das máquinas de fazer prefeitos do Wilson Martins e do João Vicente. Eu não acreditei. Depois, quando o governador afirmou que iria concorrer como sem falta ao Senado, tendo que abandonar o governo em abril de 2010, os entendidos de política voltaram a dizer que, como político vive de esperança, e na campanha eleitoral o Wilsão já estaria sentado na principal cadeira do Karnak, desde aquele momento o vice-governador já assumiria de fato o comando do governo. Novamente eu não acreditei no fim do governo. Achei exagerada a previsão.Então, veio o diabo da crise econômica mundial e o despencamento da arrecadação do Estado. Os incrédulos diziam em alto e bom som que dali em diante o governo acabaria, já que a única obra que tem pra mostrar é não ter mais atrasado o salário do funcionalismo. Não acreditei. Pensei: com jeito, e extinguindo uns carguinhos comissionados aqui e uns contratinhos de terceirização ali, o governo petista vai passar por mais essa.Mas, nesta semana, vi na página 4 do Diário do Povo um robusto artigo do dr. Alberto Silva criticando a falta de iniciativa do governo do PT em executar obras estruturantes. Aí eu me assustei. Peraí! O Dr. Alberto criticando o governo? Li de novo. Tornei a ler. E era isso mesmo!Desde que governo é governo eu nunca vi o Dr. Alberto  ele contra nenhum deles. Nem do vovô PSD, nem da vovó UDN, nem da finada Arena... Muito menos do PT. Se agora resolveu criticar o governo do Wellington, pra mim foi mais que suficiente. O governo acabou mesmo. Agora eu acredito!  

Caça ao voto

O Mão Santa, de quem sou fã de carteirinha e telespectador assíduo, costuma citar, como personalidades que mais entenderam de política na história da humanidade, dois cabôco véi que eu não sei quem são: um inglês chamado “Tchátcha” e um americano chamado “Abrolíncu”.Pra lá pro rumo dos estrangeiro estes dois aí podem até entender de política. Mas, minhas leitoras e meus leitores sabem que aqui a Chapada do Corisco, eu só tiro o chapéu para o Dr. Alberto, pro Tomaz Teixeira, pro Pedro Tamanco e pro Luis Brandão. Aforantemente estes daí, o papaizim aqui não abre nem pro trem do pré-metrô vindo embalado das banda do Itararé. Então, como eu comecei a acreditar que o governo acabou mesmo, passei a olhar ele mais de perto, com olhos de analista político que sou. E ái, como diz o Mago de Aço! Sabem o que eu vi? Vou contar!O governador exige dos auxiliares que não antecipem a campanha de 2010. No entanto, ele mesmo não se desatrepa do palanque. E se o governador não governa, só faz campanha, o que dizer do vice? Quando este espia para o prédio do Karnak, tem tanta vontade de assumir que fica babando pelos canto da boca feito cachorro com calazar ou que nem o Mão Santa fazendo discurso. Se fosse uma novela, a cena teria como trilha sonora uma música do Roberto Carlos: “Eu conto os dias conto as horas pra te ver, eu não consigo te esquecer...”Os deputados estaduais e federais não pensam mais em legislar. Só se empenham numa coisa: reeleição.No Senado, dois dos nossos senadores também só pensam naquilo: a reeleição. O terceiro, o João Vicente, que não precisa pensar em reeleição, ocupa seu tempo com eleição. No caso, a dele, para governadorPor último, e depois que apareceu bem cotado nas pesquisas de opinião, o dr. Silvio Mendes mudou até o penteado.Vou bem ali e volto já! 

Feijão queimado

Antes da televisão chegar no município de São Miguel da Baixa Grande, quem fazia sucesso por lá era uma tia minha. Quando meu tio ia pra roça, ela botava o feijão no fogo, deixava o fogareiro pra trás e saía de porta em porta, pela vizinhança, falando mal de um e de outro. (Cá pra nós, eu suspeito que herdei este meu lado fofoqueiro foi dela).Apois bem. Bastava ela sair por um lado pra fofocar, minhas primas, que ficavam encarregadas de olhar a panela, saíam por outro lado, pra se empregar no mesmo ofício: falar da vida alheia.Quando o pobre do meu tio chegava da roça, cansado e morto de fome, o feijão tava sempre queimado.Me lembrei desta minha tia a propósito desta fofocagem toda que tá estabelecida em relação às eleições do próximo ano. O governador sai por um lado fazendo campanha, o vice pra outro e os auxiliares ganham o oco do mundo na mesma marcha.Já que ninguém tá olhando a panela de feijão do governo, não foi nenhuma surpresa pra mim quando paparam mais de 6 milhões de reais das contas do estado pra pagar uma obra que, se existiu, ninguém sabe, ninguém viu, como diz a “Conceição” do Cauby.É! É minha tia fazendo escola! Né não?

damasio.danilo@yahoo.com.br 

chamada: Como e por que paparam 6 milhões das contas do governo

 
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28/03/2009 - 22:42:52

Atentai bem!

O Mão Santa, da primeira vez que chegou no Congresso como senador eleito, cuidou logo de procurar saber onde tava o microfone. Depois que achou, dele não se apartou mais. Todo dia tá lá na tribuna, metendo o cacete, ora no Lula, ora no Wellington. Me lembro, como se fosse hoje, o primeiro discurso dele: “Este Senado véi, hein, hein, Papaléo, atentai bem, é melhor do que o céu. Porque pra ir pro céu, hein, hein Pedro Simão, o caba tem que morrer. E prá cá o caba vem é vivim. Tá? Entendeu?” Por estes dias, eu tenho acompanhado o noticiário nacional e visto que aquela Casa do Povo tá mais para casa-de-mãe-joana. São mais de 180 diretorias com salários de 18 mil reais cada, nepotismo cruzado pra tudo quanto é lado e, pra manter a atividade parlamentar de apenas 81 senadores, tem um orçamento anual de quase 3 bilhões de reais.. Não é nada, não é nada, isso é mais de duas vezes o orçamento previsto para o ano de 2009 para toda a Teresina, com seus quase 1 milhão de moradores e agregados. Se aquilo lá for mesmo o céu, como diabo é que será o inferno? Cruz credo!
  
No lugar errado
Ainda falando em Senado, me lembrei que outro dia, depois da eleição da Mesa Diretora, com os três senadores piauienses ocupando a primeira, segunda e terceira secretarias, vi um comentário do Freitas Neto na coluna do Zózimo: “Se ser secretário da mesa fosse boa coisa, não tinham dado tudo para os piauienses!”. Do alto da minha autoridade de consultor máster em gestão pública, juiz de briga de canário, árbitro de rinha de galo e sacaniobrás futebol clube, vou me permitir discordar do eminente, ínclito e conspícuo Freitas Neto. Ser secretário da mesa do Senado é uma coisa muito é da boa. O problema é que botaram as pessoas certas nos lugares errados. Deram para o Heráclito a primeira secretaria, que cuida da folha de salários. Para o João Vicente, deram a segunda secretaria, que cuida das passagens aéreas. Já para o Mão Santa, deram a gestão dos imóveis funcionais do Senado. Deste jeito aí, é pra não dar certo mesmo!

O jeito certo
O Heráclito, que só desce dum avião pra se atrepar em outro, era quem deveria estar cuidando das passagens aéreas. O João Vicente, que é dono de mei mundo de imóveis no Piauí, é que deveria labutar com as moradias funcionais. Já o Mão Santa... Ahhhh, o Mão Santa! Era ele quem deveria estar administrando a folha de pessoal do Senado. Nesta prateleira, não tem craque melhor do que ele! No governo do Piauí, ele inventou uma tal de folha secreta, com o Magno Pires, que, até hoje, nem os petistas, que eram bons de escrafunchar a vida alheia, nem o Ministério Público e nem a Polícia Federal conseguiram achar. Tô certo ou tô errado?

Faixa de Gaza
Nesta semana, deputados estaduais cearenses vieram pra Teresina pra, junto com os deputados daqui, tentar pôr fim a uma indefinição dos limites territoriais  entre os dois estados. Este é um problema que já se arrasta desde o tempo em que o cão era menino. Não sei que solução vai vingar, mas sei que outra vez vão fazer as coisas erradas porque não têm a humildade de me consultar. Minhas leitoras e meus leitores sabem que, ao contrário do finado Sócrates, o filósofo, que dizia que “só sei que nada sei”, eu, modestamente, digo: “de tudo eu sei é tudo!” Eu vou bem ali e volto já, pra dizer qual seria a melhor solução para esta crise secular.

A troca
Hoje, o Ceará é o principal destino turístico do país. Já tem o Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, mas o governo de lá já está ampliando e modernizando o Aeroporto de Aracati. “Será uma nova porta de entrada para vôos internacionais e garantirá acesso imediato a todas as praias do Pólo Canoa Quebrada”, garante o governador Cid Gomes. É para o Ceará também que esta indo uma siderúrgica novinha em folha. É lá também que já existem o porto marítimo do Mucuripe e o novíssimo, mas já em fase de ampliação, porto do Pecém. Indústria nem se fala! É uma opegada na outra.

A solução
Pois bem! A minha sugestão é que, para resolver o litígio de terras, o Piauí fique mesmo com o que já tem e dê ao Ceará uma faixa estreita começando em Teresina até bater no pé da Serra Grande. Com Teresina nos domínios dos cearenses, eu aposto meus dentes da frente como jazim nós concluiremos a Ponte do Sesquicentenário e a linha do pré-metrô, reabriremos a Potycabana, reabriremos o Hospital Universitário, teremos uns dois ou três centros de convenções de responsa, botaremos o Shopping dos Camelôs pra funcionar, instalaremos uns dois ou três shoppings nos moldes do Iguatemy e, o melhor, acabaremos de uma vez por todas com esta brincadeira de mau gosto de falta de energia de manhã, de tarde e de noite toda vez que um cachorro mija no pé de um posto. Né não, macho?!

A petistinha 7
Hoje, a minha mocinha Maria Eduarda, a petistinha, completa 4 meses de idade. Mesmo sem falar, ela já consegue conversar comigo, com a mãe e com a babazinha dela. Outro dia, eu perguntei: “filhinha, quando você crescer, você quer ser doutora?” Ela fez de conta que não ouviu. “ Você quer ser empresária?” Ela nem morgou. Aí eu perguntei: “a bebezinha do papai quer ser prefeita de Timon, pra ganhar mais de 40 mil reais num só mês?” A menina deu um “sim” tão convicto, arregalando as vistas, que eu vi foi a hora das peteca dos olhos voar pra fora da caixa.

damasio.danilo@yahoo.com.br

Chamada:
O Senado vira um inferno e o Piauí tem sua Faixa de Gaza
 
Ou: 

O que minha filha Maria Eduarda, que hoje faz quatro meses, quer ser quando crescer

 
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19/03/2009 - 11:40:27

Silvio Mendes

Conta o mestre Silvio Mendes, o pai do prefeito de Teresina, em seu livro de memórias “Revivendo Meus Caminhos”: Otaviano Gonçalves era casado com Sinhara Costa, irmã de Pequeno Costa. Este, além de cunhado, era também seu vizinho, compadre e amigo. Otaviano possuía uma roça em Simplicio Mendes e gostava de encabular o compadre Pequeno Costa se gabando das terras férteis de sua propriedade. Pequeno Costa não lhe dava crédito, pois sabia que aquelas terras eram cheias de custaneiras e não dava pra se plantar nada. Certo domingo, Otaviano estava saindo para a roça e Pequeno se ofereceu para acompanhá-lo. Lá chegando, Otaviano começou mostrando ao cunhado o capim plantado aproveitando as grotas. Realmente era verde, mas apenas nos leitos dos córregos. O resto era tudo seco. Em seguida Otaviano foi mostrar ao compadre Pequeno sua “plantação de bananas”. De cara mostrou ao visitante um belo cacho de bananas. Deram mais uma voltinha e Otaviano mostrou outro cacho. Mais outra voltinha e mais outro cacho.  Foi aí que Pequeno Costa perdeu a paciência e falou: - Compadre Otaviano, vamos voltar pra casa! Só este mesmo cacho você já me mostrou três vezes. 

A Ponte

Acho que o prefeito de Teresina, Silvio Mendes Filho, pegou esta história do pai dele e contou para o governador Wellington Dias. Quer saber porque? Eu digo! Quando eu escuto falar que Teresina vai receber um ministro ou qualquer outra autoridade de tigela toda ou de meia tigela eu já fico esperando. É visita na certa às obras da Ponte do Sesquicentenário. Aí é transmissão ao vivo nas emissoras locais de TV, fleche nos portais de internet e no outro dia lá tá a foto do prefeito, do governador e do visitante, cada um com um capacete de engenheiro na cabeça, na primeira página dos jornais. Sempre o mesmo prefeito, o mesmo governador, os mesmos capacetes e a mesma ponte. Só muda o visitante. Ah! E ultimamente tem mudado também a data de inauguração. Era pra agosto, foi pra outubro e agora tá pra dezembro. É mesmo que eu tá vendo: na próxima visita que aparecer a inauguração muda de novo! 

A “expressa”

Este reboliço de gente pra ver a obra da ponte toda vez que chega uma visita  me lembra minha infância no município de São Miguel da Baixa Grande. Lá, toda vez que o ônibus da Líder chegava, o povo se amontoava na porta do Bar do Cumpade Neca pra ver quem descia e o que trazia. Este alvoroço era porque a “expressa”, como chamava minha vó, era a única novidade que aparecia por lá. Pelo que eu tô vendo por aqui por Teresina, terra de muro baixo e pouca obra, esta Ponte do Sesquicentenário tá sendo impriauzim o nosso ônibus da Líder em São Miguel da Baixa Grande. 

Bolo-frito e companhia

Só de ministro do Turismo lá já foram dois: a ex-ministra Marta Relaxa e Goza Ex-Faivre Supricy, e este novo ministro de nome...De nome...De nome...Eu sei lá!. É tanto ministro neste governo Lula e eles mudam tanto que só se eu não tivesse nada pra fazer pra decorar o nome deste povo. Aí eu tive pensando: há tempos o poder público dá sinais de uma grande alavancagem do turismo no Piauí. Primeiro, só o governo do Estado tem dois órgãos pra cuidar do que vem por aí: a Piemtur e a recém-criada Secretaria do  Turismo. Depois esta procissão danada de ministro do turismo por aqui. Só nos últimos meses já vieram dois, como já disse. Então, é bom eu me aviar e tomar uma providência. E já sei o que vou fazer. Da crise e da observação amiudada é que surgem as grandes idéias e oportunidades de negócio. Eu vou colocar uma barraca no pé desta ponte nova pra vender café, bolo frito, cachaça, cigarro na unidade, água, refrigerante, cd e DVD pirata, vale-transporte e tudo enquanto é modalidade de bombom. Vou ser o primeiro a chegar. E não me venha o prefeito querer me tirar de lá pra me levar pra Shopping de Camelô que eu já tô avisando que não vou! No monumento do finado Donizete Adauto, botaram uma barraca lá na Marechal Castelo Branco, ela se acabou e a prefeitura nunca tirou. Se com o Donizete, que tá morto, não mexeram, não é possível que vão mexer na minha barraquinha comigo vivim e dentro dela, dinamizando a economia nestes tempos de crise mundial! 

A petistinha 6

Minhas leitoras e leitores, que eu calculo que sejam de 100 mil pra lá, tirando por baixo, têm acompanhado a minha labuta pra arrumar um padrinho para a minha filhinha Maria Eduarda. Depois de um longo processo de escolha, resolvi convidar o senador Heráclito Fortes e a Dona Mariana Brennand. Eu tava de cálculo, com um padrinho poderoso e uma madrinha multimilionária, oferecer à minha pequeninha uma chance de desfrutar do bom e do melhor, por conta, naturalmente, dos padrinhos. Através de um telegrama, o senador me deu um Nike (Nike é o ato de levantar a palma da mão e rebolar ela de lado. O tal do cai fora! abera!) e inventou uma desculpa pra não me ter como compadre. Passei umas duas semanas desconfiado feito cachorro andando de canoa. Mas Deus, que sempre me mostra o caminho certo, me fez enxergar que o que era bom podia não ser tão bom assim. Daqui a dois anos é a eleição para senador. Serão dois os eleitos. Um, dizem que já tá certo que é o Wellington Dias. E o outro? Agora que o Robert Rios diz que é candidato ao Senado, eu tenho pra mim que a reeleição do Heráclito vai ficar difícil. Sim, porque o que tem o Heráclito de dinheiro tem o Robert de tamanho de língua. E já pensou se o Heráclito não se reelege? Pra que diabo eu ia querer um cidadão feio daquele como meu compadre, sem poder nenhum? Nam! 

Cumpade Wilson Martins

Aí resolvi mudar de estratégia. Em vez de um senador, vou querer logo é que um governador seja o padrinho dela. Meu plano é arrumar um compadre que me ajeite e ajeite a minha patroa dando um DAS pra mim e outro pra ela. Com o apurado vou pagar babá, colégio, merenda no colégio e balé. O Wellington eu não quero porque a caneta dele já tá seca, falhando nos últimos risquim . E também já vai com seis anos de poder e ele nunca me arrumou nem o do cigarro. Por mais que eu tente pensar no outros candidatos ao governo, Silvio Mendes e João Vicente, eu não tiro meu juízo do Wilson Martins. Deve ser porque ele se parece muito com o meu ex-quase-compadre Heráclito, em matéria de desabonitamento.  Mas tem um porém: como o governo dele vai ser mais curto do que coice de leitoa, eu vou esperar a eleição pra escolher melhor. 

Chamada:

Teresina tem uma nova atração turística. E é pra lá que eu vou!

 
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24/02/2009 - 23:37:26

Cumpadi Heráclito

Na sexta-feira passada, aqui neste espaço, fiz uma declaração pública do meu desejo de que o senador Heráclito Fortes e a dona Mariana Brennand fossem padrinhos de minha filhota Maria Eduarda (a petistinha). No processo de escolha, dei um canto de carroceria nos outros candidatos fortes, que eram o Cirim e a Ceminha e o Hugo Napoleão com a professora Leda. Apadrinhada pelo senador Heráclito e por dona Mariana, uma Brennand da gema, minha filha teria acesso – calculei – ao que de melhor existisse no mundo, inclusive passar férias todo ano no castelo que a dindinha tem nos arredores de Londres. Era pei e bufo! Futuro garantido! Mas, para minha tristeza, na terça-feira desta semana, dia 17 de fevereiro, às 11 horas e 17 minutos batidos, recebi um telegrama de Brasília, do gabinete do Senador Heráclito, com os seguintes dizeres: “Prezado Danilo vg honrado convite formulado vg agradeço escolha padrinho sua filha. Infelizmente vg por motivo de viagem programada anteriormente vg não poderei aceitar”. Meu Deus! – pensei – o que é que tem a ver uma viagem com o batizado da minha filha, que ainda não tem nem data e nem local marcados? 

A desculpa

Aí fui me aconselhar com o amigo, filósofo, poeta, ínclito, imortal, cientista político e cabôco da Água Branca Zózimo Tavares.  Ele ouviu em silêncio e com atenção o meu agunêi todim, tim tim por tim tim. Mal eu terminei, ele já encarriou uma história: “A vaca do compadre pobre apareceu na propriedade do compadre rico. O compadre pobre pediu ao compadre rico uma corda pra tirar a vaca de lá. O compadre rico fez de conta que não ouviu. O compadre pobre insistiu no empréstimo da corda ainda por umas duas ou três vezes.

- Ô compadre, respondeu o rico, você não tá vendo que eu não posso emprestar a corda? Agora eu tô indo pra missa!”

Aí, ele Zózimo, se calou.

Eu, aflito, perguntei:

- E o que diacho é que tem a ver vaca, corda e missa com o batizado da minha filhinha?

Então ele arrematou:

-Rapaz, vê se tu deixa de ser jacú! Quando a gente não quer, qualquer desculpa serve!

Doeu mas aprendi. Capiau que quer se misturar com gente importante cai pra trás e ainda tem o azar de quebrar a venta. E no fim morre fazendo careta. E, pensando bem, o Heráclito já é padrinho do deputado Mainha, do vereador Roney Lustosa, do Assiszim, do Pimbas e duma cambada que não tem fim. Não iria sobrar nada mesmo pra minha pequeninha! Mas jazim eu arrumo outro padrinho. Pagã é que ela não há de ficar! 

Acompanhante

“Rita Cadillac dos seios bicudos”, “Stefany morena popozuda”, “Gil super dotado para casais”, “Feiticeira quente e gostosa”, “Iara casada, louca para te satisfazer”... Besta é quem pensa que é nos classificados dos jornais onde se encontram as maiores imundices da alma humana, como estas aí. Imundice mesmo a gente encontra é nas principais reportagens jornalísticas. Esta semana, vi que, numa pesquisa do IBGE, o Piauí foi o estado onde houve, desde que começou a crise, o maior decréscimo nas atividades do comércio. A pesquisa não disse, mas eu sei que só não foi o de maior decréscimo na indústria porque aqui a única indústria que nós temos é a da fofoca. E essa não entra em crise nunca! Pois não é que nesta semana li nos jornais que o deputado Antônio Uchoa propôs na Assembléia um projeto para criar uma Agência, com status de Secretaria! Não me lembro nem bem pra que é o diabo desta Agência, mas sou capaz de dar meus dois dentes da frente se não for para acomodar mais um aliado da vasta base política do governo. Foi a coisa mais imoral e inoportuna que eu vi na imprensa nos últimos tempos. E digo mais: é imoral a proposta, imoral a sua aprovação e muito mais imoral quem aceitar a direção desta porcaria, que será mais uma sinecura pra sangrar o dinheiro do contribuinte. 

Bolsa Família

Deste governo do Lula eu aceito que digam tudo. Menos que é um governo chato e previsível. Eles criam novidade de hora em hora, feito a Tele-Sena do Silvio Santos. E é um tal de bolsa disso, bolsa daquilo, cota pra isso, cota praquilo e mais cota praquilo outro... É cota e bolsa que não acaba mais. A última invencionice criada tá sendo chamada de “Bolsa Vaselina”.  Exatamente: “Bolsa Vaselina”. O governo federal decidiu gastar uns milhões de reais na compra do lubrificante para entregar no carnaval. Com a farta distribuição da vaselina aos homossexuais, o governo pretende facilitar o coito anal, reduzindo a dor. E como no mundo tem gente que perde uma prega, mas não perde uma piada, resolveram colocar na internet uns versos de um poeta popular chamado “Miguezim de Princesa”, abordando o tema de forma epistemológica. Selecionei algumas partes mais republicanas do tal poema:        

-“O Governo Federal/ Que em tudo quer se meter/ Decretou que o coito anal/ Tem mas não pode doer/ E o Bolsa-Vaselina/ Surgiu para socorrer. 

-Quinze milhões de sachês:/A farra está animada!/Vai ter festa a noite inteira/Até mesmo na Esplanada/Sem ninguém sequer sentir/A hora da estocada. 

-É para reduzir danos/Defende logo um petista./Porque na hora do coito/Dá um escuro na vista/E a dor é tão profunda/Que eu sinto dó do artista. 

-O Brasil é mesmo assim:/Prostituta tem prazer/Vagabundo tira férias/Se trabalha sem comer/ E quem dá o ás-de-copas,/Dá mas não pode doer.

-O governo resolveu/Dar bolsa pra todo mundo/E criar um grande exército/De milhões de vagabundos/ Só faltava esta bolsa/De vaselinar os fundos.”         

Ora, se sem vaselina a aprovação do homem já era estrondosa, imagine agora! 

Chamada: Vem aí o “Bolsa Vaselina”. Pode dar. Mas não pode doer! 

damasio.danilo@yahoo.com.br

 
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16/02/2009 - 17:27:00

Kit de Banho

Na coluna anterior, disse à minha leitora e ao meu leitor da minha felicidade por ter visto uns tapumes em torno do Grand Park Potycabana, como prenúncio de uma reforma. Cheguei pra perto do emadeirado e dei fé que lá tinha uma placa gigantesca com os dizeres: “Execução dos serviços de recuperação e obras complementares do Parque Potycabana”. Fui acabando de ler a placa e cuidando logo em atravessar a rua, no rumo do shopping, pra comprar um kit de banho pra mim. Como o cão tem uma mão furada e outra tampada, dois ou três dias depois, recebi um email que transcrevo na íntegra: 

Alegria de pobre

“Sr. Danilo, bom dia! Quero lhe prevenir, por experiência própria, que a obra da Potycabana será mais uma das obras intermináveis do Governo do Desenvolvimento. Visite as obras do HGV, que começaram em abril de 2003. Isto mesmo, ainda em 2003! Expulsaram de lá os empreiteiros que não terminavam a obra. E nem podiam terminar mesmo, já que também não recebiam o pagamento pelos serviços executados. Veja também o caso do chamado “Espaço Cidadão”, aquele inicialmente batizado de “Vida Nova”. Há tempos está fechado para reforma. Reforma que anda a passos de tartaruga. E o cidadão, titular do “Espaço”, que se lasque e vá procurar em outro lugar os serviços que lá eram prestados, como os do Detran, das telefônicas, do Instituto de Identificação, dos bancos e do Juizado Especial de Pequenas Causas, dentre outros.

Se eu fosse você, venderia essas burundangas que você comprou pra surfar na piscina de ondas da Potycabana”. 

E agora?

Depois deste email, eu não dormi mais que prestasse. Meu Deus! – pensei – o que é que eu vou fazer com o meu calção Elite, com meu par de chinela da Embopil, com um vidro de 100 ml de óleo de urucum que comprei pra  bronzear a minha distinta pessoa e um picinês escuro novim estralando? Sim, porque, se a Potycabana não reabrir tão cedo, eu hei de ficar na mão. A Curva de São Paulo, onde eu também poderia fazer uso dos meus panim de bunda, tá igualmente abandonada. E faz é tempo! Será meu pai, pela hóstia, que eu vou ter que voltar pra piscina do Clube dos 100, lá no Parque Piauí?  

A Petistinha 5

Até o início deste mês de fevereiro, eu andava num agunêi danado pra saber quem eu iria convidar pra ser padrinho de minha filhinha Maria Eduarda (a petistinha), que hoje completa dois meses e dezessete dias de vida. E cada dia tá mais linda, já que é a minha cópia fiel quando eu era cambirote.  Tava caçando umas pessoas que tivessem o calibre bom pra este negócio de luxo, requinte, finesse, poder e, por que não dizer, também um dinheirim bom na conta. Cá pra nós, isso não faz mal a ninguém! Meu sentido foi diretim em três casais: o Cirim com a Ceminha, o Hugo com a professora Leda ou o Heráclito com a dona Mariana Brennand. O Mão Santa eu descartei logo de cara, porque ele tem um cesto feio de falar espumando pelo canto da boca feito cachorro com calazar. Aí fiquei com medo dele cuspir no rostinho encantado da minha pequenininha. Outro em que eu passei logo o rodo e descartei também, foi o João Vicente. Sabe por quê? Mesmo ele sendo um bom partido, pois tem um capinzim até bom, não vai muito longe. O PT, jajazim, empurra um canto de carroceria nele que ele vai sair catando mamona. A carreira dele no rumo do governo, em 2010, vai ficar bem curtinha, feito coice de barrão e garupa de jumento. 

A escolha

Eu não vou mentir: meu coração bateu mais ligeiro do que coração de ladrão novo no rumo de escolher o Cirim. Mas, como ele perdeu a eleição para presidente da Câmara, eu concluí que não posso sacrificar o futuro da minha inocente criança. Então, tirei logo ele de tempo também. Aí fui pensar direito no Hugo Napoleão. Lembrei que ele já foi de um tudo: governador, senador, ministro três vezes... Além dele ser um homem de fino trato, poliglota e eticétera e tal e coisa e loisa. Mas, agora o que tá dando pra ele é uma candidaturazinha pra deputado federal. E, atentai bem, ser deputado federal perdeu o “gramú” faz é tempo, principalmente depois do Simplício Mário, do Mainha e agora do Elizeu Aguiar. Pra se ter uma idéia, até o Osmar Junior, que é mais ruim de voto que o Romildo Mafra, hoje é deputado federal. Tá certo que ele foi vice-governador duas vezes. Mas foi na garupa dos outros. Deste jeito aí, papai, até eu e o Elmano Ferrer! Num acha não? 

Cumpáde Heráclito.

Apois bem. Eu e a minha velha estamos faltando só meio grau pra decidir. Mas tudo se encaminha pro lado do Senador Heráclito e da dona Mariana. Como é sabido, ele acaba de ser eleito o 1º Secretário da Mesa do Senado. Acima dele, por lá, só mesmo o Sarney, que é o presidente. E uma grande vantagem dele é que nunca vai ter a preocupação de preencher os cargos do gabinete com a família da esposa, que tem dinheiro que faz até lama. Nesta marcha, quando a menina tiver maiorzinha um pouco, pode ser que sobre até uma colocaçãozinha pra ela no Senado.Mas não é só por isso! Usei também outros critérios para apulumar a minha escolha. Andei pesquisando e constatei que, em matéria de compadre, não há cristão melhor do que o Heráclito. Quer ver? Ele pelejou foi muito para ajeitar o seu compadre Arimatéia Azevedo. Deu secretaria a ele quando era prefeito. Andou com ele a tira-colo pra cima e pra baixo pelo mundo a fora, ensinando ele a comer de talher, a beber e a vestir do bom e do melhor. O serviço só não ficou completo, com o padrão diplomático do Itamaraty, porque o Arimatéia meteu os pés pelas mãos e arrumou uma briga sem fim com ele. Mas comparar o Arimatéia comigo é impriauzim comparar o Frei Damião com frei de caminhão. Ele é ele e eu sou eu! Eu e meu futuro compadre Heráclito vamos nos dar tão bem que em pouco tempo nós vamos andar por aí grudado um no outro feito mambira agarrado em pescoço de cachorro. Não há cão que separe! Coisa de fazer inveja ou causar ciúme ao vereador Roney Lustosa, ao Assiszim, ao Pimbas, ao Zé Costa, ao Cirilo Formiga e até ao Daniel Dantas.Tá certo que o meu compadre Heráclito é meio desabonitado. Não tem nem de longe a belezura do Cirim. Mas, eu tenho pra mim, que, começando olhar pro padrinho ainda de pequenininha, a menina de poquim em poquim vai se acostumando com ele. Afinal, a beleza sempre passa. A feiúra é que fica. 

damasio.danilo@yahoo.com.br

Chamada: 1º Secretário do Senado, o Heráclito jazim ganha mais um compadre.

 
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29/01/2009 - 18:46:45
Poticabana

Nesta semana, resolvi ir ao Teresina Shopping só pra pagar 1 real pro seu João deixar eu encostar minha viatura no estacionamento. Antes de chegar, ainda na Avenida Raul Lopes, vi uns tapumes na Potycabana. Enfim, estão reformando uma obra que custou meses e meses de atraso do funcionalismo no governo Alberto Silva. Pois muito bem. O certo é que fiquei tão feliz que aproveitei e comprei logo um kit pra inaugurar a reforma. Um calção elite, uma chinela da Embopil, um vidro de óleo de urucum pra bronzear a minha linda pessoa e um picinês escuro pra eu colar nas orelhas deitado no pau da venta.

Sei que vai demorar pouco tempo funcionando, mas vai servir pelo menos pra calar os bocudos que dizem que o governo do PT não tem obras em Teresina.

Petistinha 4

Já disse aqui neste espaço do arrependimento que tive por ter chamado minha filhinha de 2 meses de nascida, Maria Eduarda, de petistinha, porque, quando ela não tava mamando, tava chorando ou tava cagada.

Disse aqui também que, por conta disso, ela, que dormia e mamava bem caladinha, em qualquer lugar, depois deste apelido só sossega dentro de um carro de luxo com o ar-condicionado no máximo.

Apois bem. O certo é que a minha mocinha pegou gosto por mordomias e luxo. E eu não posso mentir. Não sou escolado em luxo e frufrú. Mas como bom pai que estou tentando ser, vou dar um jeito dela aprender o que é bom. Coisa de profissional.

Como ela já está pronta pra ser batizada, vou escolher como padrinho e madrinha pessoas que sejam craques no riscado. Quero convidar para ser meus compadres ou o Hugo Napoleão com a professora Leda, ou o senador Heráclito com a dona Mariana Brennand ou o Cirim com a sua Iraceminha.

Afinando o cabelo

Estes casais são os únicos que conheço que têm, duma lapada só, a conjugação de luxo, poder, riqueza e requinte. Porque não adianta ser rico e só comer panelada, buchada e sarapatel, como o Seu João – falta a ele o requinte. Nem adianta ser poderoso e tomar vinho do porto como quem bebe guaraná Kero, como o Wellington Dias – falta o “gramú”. Nem adianta ser o Ari Magalhães, que tem tanto dinheiro que o mofo deu, mas, quando se fala em finesse, o resultado é “zero bala”.

Com os chiques, ricos, poderosos e requintados padrinhos que estou planejando para a minha bebê, tenho certeza que ela só vai ganhar presentes importados e vai passear pelo mundo todo, usufruindo do bom e do melhor acompanhando o dindim e a dindinha. E tem mais: não vai passar pelo sufoco dos petistas quando chegaram ao poder. Todos lembram que eles eram só do restaurante da Ufpi pro Panela de Barro. Sem esquecer o restaurante “De Comer”, do companheiro Décio Solano. Nunca abriram uma carta de vinho, que dirá uma garrafa. Nunca pegaram num par de talher. Embora  os mais letrados já comessem de colher, o resto da petesada comia era fazendo capitão com a mão e rebolando na boca.

Graças a Deus o Joaquim Almeida passou uns diinhas no governo e amansou um mói deles.

Viva minha bebê, futura madame Maria Eduarda!

Robi Rio senador

Mudando de pau pra cassetete, pra eu comprovar que o Robert Rios é tantan das idéias, eu não preciso de nenhum laudo psiquiátrico. Quem, rapaz, que em sã consciência, entrava na mira do revólver do coronel Correia Lima com ele solto e da caneta do Hugo Napoleão quando ela tava cheia de tinta? Então, eu pergunto à minha leitora e ao meu leitor: tem juízo um cristão desse?

Como se não bastasse estes sinais exteriores de loucura, ele agora anda com uma moda nova: quer ser senador. Baseado em que secretário, o senhor pensa que pode vencer uma corrida ao senado? Não é porque eu esteja na minha frente não, mas aqui em Teresina só quem entende as nuvens da política sou eu e o Carlos Augusto de Araújo Lima. Só que ele analisa se apaixonando pelo analisado. E eu sou isento. Eu juro!

Vou, portanto, dar um conselho ao Maluquim, ou melhor, para o excelentíssimo deputado e secretário Robert Rios. E na base do 0800. Pra ser senador, o senhor precisa ter características pra lá de especiais. Por mais que eu lhe analise não vejo nenhuma delas . Pra ser senador tem que ter ou a cara de besta do Mão Santa, ou a feiúra do Heraclito, ou a bufunfa do João Vicente. O senhor não tem de besta nem o caminhado. É feio, mas não chega nem aos pés do deputado Antônio Félix. E no quesito dinheiro, o seu não dá pra comprar nem o filé da língua dum canário belga. Ah, antes que eu me esqueça: pra concorrer ao Senado, o senhor ainda precisa mudar de partido. Este seu PCdoB é mais difícil de carregar do que uma cruz de aroeira molhada. Por enquanto, o senhor só tem de vantagem uma linguona de sogra e mão-de-obra da Betânia, a sua Bebé.

Piqui Fest

Eu sei que poucos gostam do que eu penso. Mas eu sou brasileiro e não desisto nunca. Eu quero dar uma idéia para o Governo do Desenvolvimento.

Li nos jornais que o governador foi a Petrolina lançar o Festival da Uva de São João do Piauí, que começou ontem e vai até domingo. Acho que não da pra fazer festival só com os quatro hectares de uva que o Piauí tem plantado. Vieram me contar que a uva desse nosso festival veio quase toda do Vale do São Francisco. Mas eu morro e não acredito!

Se cada um mostra é o que tem, eu sugiro que façam agora o primeiro Festival Internacional da Pitomba ou o Pitomba Folia.Todo mundo vai participar. Inclusive eu. Eu quero encomendar logo um stand pra minha exposição, porque no quintal da casa da mamãe só de pitomba tem é dois pés.

Se não gostarem da minha idéia do Pitomba Folia, ou acharem que ela é pobre, pois que façam o Grand Meenting of Pequi Producers, Art and Music Festival, o Piqui Fest.

Não vou cobrar nada pela idéia, mas faço de logo uma exigência. Que pripine o estado de Norte a Sul de placas de propaganda divulgando o evento. Quero tudo do mesmo jeitim do Festival da Uva, onde para cada cacho de uva tem um outdoor.

As sedes desses novos eventos poderiam ser as internacionalmente famosas São Miguel da Baixa Grande ou a inigualável Morro Cabeça do Tempo.

damasio.danilo@yahoo.com.br

Chamada:

Depois do Festival da Uva, vem aí o Pitomba Folia e o Piqui Fest

 
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22/01/2009 - 13:46:28

Bença, pai! 

Na minha casa, meu pai nos impôs o costume de pedirmos a bênção a ele todas as manhãs e à boquinha da noite. Eu fazia era me aborrecer com essa ladainha. Como somos sete filhos, e conosco ainda moravam quatro primos, era um tal de “bença, pai” e “bença ti Rufino” que faltava pouco era não acabar mais.Pois bem. Dia desses, conversando com minha mãe, a propósito deste costume, ela disse que tinha assistido na TV Canção Nova, pela boca do hoje falecido padre Léo, que a bênção dos pais para os filhos era mais importante e mais forte do que a bênção do Papa. E me orientou a abençoar também os meus filhos todos os dias. 

Petistinha 3 

Passou o tempo, eu virei pai e o conselho de minha mãe caiu no esquecimento. Nos primeiros dias de vida da minha filha Maria Eduarda, que nasceu no final de novembro, em vez de abençoá-la e cobrir ela de boas palavras, escrevi foi um texto idiota dizendo que minha pequena, ainda nas primeiras fraldas, já demonstrava ser uma petistinha: quando não tava mamando, tava chorando ou tava cagada. Pra quê? Me arrependi demais! Além dos muitos emails reprovando a minha atitude, daquele dia em diante comecei a notar na menina algumas mudanças. Por exemplo: antes do malfadado texto que escrevi, ela mamava caladinha, arrotava e golfava naturalmente e dormia com muita facilidade, a qualquer hora e em qualquer lugar. Depois de ser chamada de petistinha, ainda que carinhosamente, ela inventou uma moda de só dormir andando de carro. E não pode ser um carro qualquer, não! No carro popular que eu tenho lá em casa, ela chora desesperadamente do começo ao fim da viagem. Mas é só botar ela no outro carro, com ar-condicionado, banco de couro, cd com MP3, GPS, teto solar, aerofólio na dianteira e na traseira, farol de milha e um motor potente e silencioso, ou seja, estes carros que caíram nos gostos dos petistas, que a menina dorme que escangota o pescoço. Minha filha, me perdõe! Tá doendo, mas eu aprendi! Deus te abençõe, te cubra de fortuna e muita felicidade! Amém! 

O cego da sanfona 

No município de São Miguel da Baixa Grande, mora um primo meu, de nome Domingos. Cego de nascença, ele toca sanfona de 120 baixos taliqual o Sivuca. E tem mais: ainda conserta rádio. É, pra mim, uma prova viva de que a sensibilidade supera os limites dos sentidos. Vou ali e já volto!A Bíblia ensina que a fé remove montanhas. O maluco beleza Raul Seixas foi mais longe. Na sua canção “Tente outra vez”, ele diz que o querer é capaz de sacudir é o mundo. Basta, pra isso, “ser sincero/ e desejar profundo”. Confesso que eu sou sincero e desejo profundo. Procuro e me esforço de todas as maneiras para evitar falar da política do Piauí. Mas não consigo. 

Canteiro de obras 

Nesta semana, vi o Kleber Eulálio dizendo, na televisão, que nunca, antes, na história deste Estado, se fez tantas e tão grandes obras públicas como estão fazendo agora no governo. Imediatamente, bati nos sentidos procurando as obras que de ele estava falando. Grandes obras no Piauí, que eu conheço, ainda são a Barragem de Boa esperança, o Albertão, o Verdão, o Lindolfo Monteiro, o Hospital Getúlio Vargas e a Poticabana. E, que eu saiba, nenhuma dessas foi feitas pelo governo do PT.Apois. Talvez esteja me faltando a sensibilidade do meu primo que é cego e sanfoneiro. Porque só com estes dois zoim engatinhado que eu tenho, eu não tô enxergando estas obras que o deputado Kleber diz que existem.    

Made in Piauí 

Teresina entra, enfim, na rota dos shows internacionais. O publicitário Marcus Peixoto traz, neste final de janeiro, a canadense Alanis Morissete pra cantar aqui. Muita gente está orgulhosa por isso. Menos eu. Não tô achando a menor vantagem.Vantagem seria se o Peixoto levasse para o Canadá ou para qualquer outro país um show da Maria da Inglaterra, do Xenhenhém, do Roraima ou do parnaibano Zé de Maria, com seu “Butiquins e Blues”. Ou mesmo o Dirceu Andrade e o Amauri Jucá pra apresentar no estrangeiro o “Jumento e o Bode”.Já pensou, o Carnegie Hall, em Nova Iorque, a Maria da Inglaterra cantando: “e peru rodou e rodou, rodou. E as meninas desta terra querem meu amô...” e o público, lá embaixo, delirando diante da Madonna piauiense e fazendo coro, aos gritos: “ And the turkey twisted, and twisted and twistes, and the girl from this land wants my love.”Ai, papai! 

damasio.danilo@yahoo.com.br

 
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16/01/2009 - 08:39:27
A Petistinha 2

Minha santa mãezinha tem muita sabedoria. Esta foi a única herança deixada pelos pais, retirantes da seca do Ceará. Ela diz sempre, por exemplo, que palavras ruins não devem ser pronunciadas nunca. E explica: as palavras têm muito poder. Pra se ter uma idéia, é impossível ouvir da boca de minha mãe os termos "câncer" e "AIDS", por exemplo. Quando ela não tem por onde escapar e precisa tocar nestes assuntos, prefere chamar de "aqueeelas doenças que andam matando o povo".

Eu, que perco o amigo, mas não perco a oportunidade de fazer uma piada, semana passada disse que já tinha notado que a minha filhinha Maria Eduarda, que hoje completa exatos 53 dias de nascida, é uma petistinha de fraldas. Isso porque, quando não tá mamando, tá chorando ou tá cagada. Pra quê? Caíram nos meus couros foi sem pena. Bateram mais em mim do que em mala velha pra largar a poeira. Foram muitas as manifestações que recebi por e-mail me condenando por ter chamado uma inocente e indefesa de petista. Pra mim, ser petista não é coisa ruim. E eu digo isso porque o que vejo é muita gente querendo ser petista desde criancinha. Mas como há os que pensam que até o nome "petista" é depreciativo, é palavrão, venho aqui, de público, me penitenciar e pedir perdão à minha bebezinha.

Um eleitor inveterado

Sou um simples eleitor e a mim só resta, além do direito que tenho de escolher os governantes com o meu voto, o direito de fiscalizar, criticar e tentar acertar quando a outra eleição chegar. Ou, como se diz no popular, exercer o meu direito de espernear. Sim, porque toda vez que eu voto, fico com a impressão de que errei de novo.

E não há animal político mais apaixonado do que eu. Por mim, eu votava todo dia. Pra você ter uma idéia do tanto que eu gosto de votar, eu tô achando é bom que o Big Brother começou de novo e agora vou poder me enterter e passar a semana votando pra um ficar e o pro outro sair da casa. Quando começar os paredões, aí é que vai ficar bom mesmo. Então, fico feliz de que mal tenha acabado as eleições de 2008 e já passemos a nos ocupar em discutir as eleições de 2010.

A Favorita

Só lamento é eu não poder votar também nas eleições para a presidência do Tribunal de Contas, para as eleições da mesa da Câmara Municipal, da Assembléia Legislativa, da Câmara dos Deputados e até do Senado. Ah, se eu pudesse!

Para as eleições da mesa diretora da Assembléia, por exemplo, neste ano, o Themistim vai comer bem molim a re-reeleição para presidência. Siribolo grande tá é na eleição do vice. Estão na briga os petistas Flora (que é bem boazinha, diferente da Flora da novela A Favorita) e o Cícero Magalhães. Se eu pudesse votar pra escolher, eu ia votar no Magalhães. Vou demais com a cara dele. E de graça! Deve ser porque, quando eu olho pra ele, morenim que nem eu, baxim, gordim, com o pescoçim curto, enforcado numa gravata que nem o Marechal Castelo Branco, me vem no juízo que eu tô olhando impriauzim pra uma garrafa de uísque Old Parr.

Eu acho que a Flora Izabel também não pode dar uma de potassa ou de terra de cemitério, que come tudo sozinha. Pra não ficar com a fama de má que nem a Flora da novela, deveria era aberar e dar uma chancezinha pro Cicim.

Na espera

Eu, enquanto amolo o facão pra votar nas eleições de 2010, fico calculando: em quem meu Deus, pela hóstia, eu vou votar pra governador quando a hora chegar? Na oposição, olho, olho, olho e não vejo saída. Os potenciais candidatos estão todos dentro do governo. E quando olho para eles sabem o que eu vejo, com estes meus zoim de pato gozando? Vou dizer.

Olho para o Antônio José Medeiros, que foi o deputado federal mais votado nas ultimas eleições, e vejo que ele abandonou o mandato parlamentar pra vir, exclusivamente, cuidar da campanha dele para ser governador. O comitê é o gabinete da Secretaria de Educação.

Espio o Antônio Neto, da Fazenda. Ele está se apresentando como o candidato que vai continuar o projeto de desenvolvimento do estado. Que projeto? Este projeto aí é como a "Conceição", do Cauby Peixoto, "ninguém sabe, ninguém viu".

E o João Vicente? Este é dos meus! É empresário, é organizado, é simpático e tem visão de mundo. E foi nele mesmo que eu votei nas eleições passadas para o Senado. Não vou mentir! Só não gastei dinheiro na campanha dele por dois motivos. O primeiro é que o meu é bem poquim vista o dele. E o segundo é porque o Seu João não tava com cara de quem tava precisando. Mas quando eu vi ele votando a favor da CPMF, portanto, contra as forças produtivas do país, pensei: é melhor eu prestar mais atenção neste cabôco!

E o Wilsão? Eu só conhecia ele de nome e de televisão. Mas, no ano passado, depois que ele voltou da China, tive a chance de conhecê-lo pessoalmente, numa confraternização. Pense num sujeito agradável, de conversa envolvente, agregador e cheio de idéias! Um homem desses pedindo voto pra miss é um perigo. Faça o cálculo pra governador! Naquele bem-bom de picanha assada, galinha caipira, cerveja e uísque a balde e, o que era melhor, tudo no 0800, eu já com os olhos passando um por cima do outro, enxerguei o homem dum jeito. Mas, quando é agora, fui ver direito. Na primeira chance do ano de nomear uma pessoa para o governo, ele arrochou logo foi o nome do irmão dele pra assumir a Secretaria de Desenvolvimento Rural. Peeense numa ressaca que eu fiquei!

Meu Deus do céu, misericórdia! Me acuda pelas horas que são e pelas sete chagas de Cristo! Será que no dia da eleição, eu vou ter que botar minha melhor roupa, calçar meu melhor sapato e passar a minha melhor loção, pra ir votar num desses homens aí? Cruz credo!!
chamada: O meu mundo caiu! Só porque chamei minha filha de petistinha!
 
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09/01/2009 - 09:20:23

A petistinha

O ano de 2008, que acabou de acabar, pra mim vai deixar é saudades. No final de novembro, a cegonha deixou lá em casa a Maria Eduarda, uma filhota que eu há muito queria e esperava. A minha outra filha, a Gabriella, já tá uma moçona, bonita que nem o pai. E eu já tinha era me esquecido o que é cuidar de menino novo. Mas, neste mês e pouquinho de vida dela, eu já detectei que a minha fofinha tem tudo para ser uma grande petista: quando ela não tá pegada mamando, tá chorando ou tá cagada! 

A Favorita

De tanto eu me interter lambendo a minha cria, nem a minha novela favorita, A Favorita, eu tô vendo mais. Televisão eu só escuto de loooonge. Anteontem, eu tive a impressão de ter ouvido um negócio de guerra na Faixa de Gaza. Mas a única faixa que eu tô entendendo mesmo é a faixa de gaze, que eu enrolo no dedo pra limpar a língua da menina de resto de leite, pra não dar mofo. Pra não dizer que estou por fora, por fora mesmo de tudo, ainda conservo o hábito de ouvir a Rádio Antares AM, aquela do governo. Isenção e imparcialidade a toda prova tão ali!  

A Rural raiatolá

Esta semana, eu estava ouvindo lá a primeira participação do ano do governador Wellington Dias, e fiquei encabulado com o que ele tava dizendo. Ele contou que quando percorria o Piauí, na sua primeira campanha ao governo, achava o Estado tão atrasado que costumava compará-lo com uma Rural velha, com o motor batido, o câmbio de marcha desmantelado e os pneus carecas. Ah, e ainda por cima atolada!

Ele fazia esta comparação lembrando saudosamente de uma Rural que o pai dele tinha. Pois bem. O certo é que prometia que, se eleito fosse, ao longo de seu governo iria ajeitar aos poucos a tal da Rural (Piauí), regulando o motor, fazendo funcionar a caixa de marcha, colocando pneus novos... E mais: que iria morgar pra frente e pra trás a tal Rural até ela desatolar. Era ele do lado de lá falando no rádio, e eu do lado de cá escutando feito um jumento olhando uma procissão: as orelhas em pé, o rabo entre as pernas, mas sem entender nada. 

Até o eixo

Do que eu vi mesmo que o governador fez, foi em vez de botar o povo atrás dessa Rural, empurrando pra ver se ela desatolava, entupiu tanto ela de gente, criando secretarias desnecessárias (dá última vez que contei eram bem umas 40) que o eixo do diferencial topou no chão. Na hora de botar o motor pra funcionar e ajeitar as marchas da Rural, o que eu vi foi muita burocracia travando as forças produtivas. Ou não foi? Um exemplo do que estou dizendo está acontecendo agorinha mesmo no setor de vendas de veículos automotores que movimenta muitos comércios nas Avenidas Miguel Rosa, Barão de Gurguéia, Joaquim Ribeiro, Frei Serafim e João XXIII. Para amenizar os efeitos da crise mundial no setor, o governo federal cortou o IPI dos carros e motos e as montadoras e concessionárias diminuíram a lucratividade. Mas o governo do Piauí, na contramão da história, acabou de aumentar as taxas do DETRAN em 10% e chamou de volta uma empresa de Brasília pra cobrar uma taxa indecente do pobre trabalhador que resolver financiar um veículo pra sair do sol e da chuva nas paradas de ônibus. E é porque o nome do diretor do DETRAN é Jesus! Calcule se não fosse! Misericórdia! O

Mela-mão

Outra: nesta sexta-feira, o governo do estado vai abrir licitação para contratar agências de propaganda para 2009. Sabem de quanto é a babinha? Seis milhões de reais (R$ 6.000.000,00). Quando ouvi esta notícia me lembrei de uma coisa. Vou contar e já volto!

Eu já relatei aqui neste espaço a história do Manelzito, um rapaz pobre do município de São Miguel da Baixa Grande que foi tentar ganhar a vida no Rio de Janeiro. Trabalhador, não custou muito a ganhar dinheiro. Mas nunca conseguiu juntar um só vintém. Todo o dinheiro que ganhava, gastava de telefone ligando pros parentes daqui do Piauí pra contar que tava enchendo o bolso. Vou voltar pro assunto de que eu tava falando.

 Pois não é que o governo tá se comportando impriauzim o Manelzito? Por que diabo é que não pega estes seis milhões de reais que vai gastar fazendo placas pra dizer que vai fazer umas obras que nunca aparecem e conclui logo pelo menos a linha do Metrô? Não existe propaganda melhor do que uma obra pra servir à população! Esse governador Wellington Dias é um craque em muita coisa. Até em encantar serpente. Mas neste negócio de consertar Rural velha ele é muito é um mela-mão. 

Faísca e Fumaça

Mas vou deixar o governador de mão, que até de férias ele tá. De novo! Nesta semana, num tempim que eu tive pra olhar os jornais e as televisões, topei com uma briga barulhenta entre o Assis Carvalho, secretário de Saúde do Estado, e o Firmino, agora presidente da Fundação Municipal de Saúde. O Firmino dizia que a culpa da superlotação do Pronto-Socorro de Teresina é dos doentes do interior do Piauí e dos estados vizinhos. E disse mais: que os doentes se deslocam para a capital porque os hospitais do interior não funcionam. Pronto! Foi mesmo que jogar sal na cacunda dum cururu. O Assis Carvalho se inchou de lá pra cá e disse que o que não funciona são os hospitais da Prefeitura de Teresina. E os dois continuaram num lenga-lenga que eu não dei mais nem fé. Eu só sei é que este filme aí desta briga é repetido até na “Sessão da Tarde”. E eu já o assisti outras vezes. Em 1998, o Wellington Dias, então deputado estadual, botou foi discatitando no rumo do DETRAN, que na época, era dirigido pelo Themistocles pai. E tome denúncia de robalheira! E tome denúncia de desmandos e o diabo a catorze. E o resultado, a minha leitora e o meu leitor se lembram qual foi? Eu vou lembrar: os dois, denunciante e denunciado, ou seja, o Wellington e o Themistocles pai, foram eleitos para a Câmara Federal sem fazer nem força. Será que estes dois meninos sabidos, o Firmino e o Assis Carvalho, não tão não é copiando moda, não, hein?  

damasio.danilo@yahoo.com.br chamada:

Wellington Dias comparou o Piauí a uma Rural velha. E atolada!

 
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19/12/2008 - 09:09:12

Papai Noel,

Será que o Zezé de Camargo se inspirou foi no senhor quando fez aquela música que diz que é a “tua indiferença é que me mata...”? Pelo tratamento que o senhor me destina, ou melhor, nem me destina, acho que sim.

Então, quero começar esta minha cartinha pedindo logo perdão ao senhor.  Não sei nem o que que eu lhe fiz, mas pelo desprezo que o senhor resolveu me dar, só pode é tá com muita raiva de mim. 
No ano passado, eu lhe escrevi e na noite de Natal fui dormir na maior ansiedade. Crente, crente que ia ser atendido.  Quando acordei, em vez de achar os meus presentinhos, a única coisa que vi foi uma poça de mijo debaixo da minha rede. Sofri um bocado, mas senti que tinha que me conformar. Eu não tinha sido mesmo um bom menino em 2007.
Mas neste ano, eu fiz foi por capricho. Respeitei bem direitim o papai e a mamãe, não falei mal de ninguém, fui bonzinho, jejuei, fui a umas quatro ou cinco missas (de sétimo dia, mas fui). Pra resumir: eu comportei foi como um santo!Para este Natal estou escrevendo novamente para o senhor. Mas como eu não fui atendido no ano passado, não preciso nem inventar pedido novo.Então, renovo aqui a minha listinha: conclusão das obras do metrô; conclusão da Ponte do Sesquicentenário; reabertura da Potycabana; reforma e ampliação dos Aeroportos de Teresina e de Parnaíba; construção do Aeroporto de São Raimundo Nonato; funcionamento do Hospital Universitário e, por fim, que o senhor arrume um lugarzim bem bonzim para os camelôs que enchem as ruas de Teresina e passam os dias debaixo de chuva e sol.Olhe que eu não estou lhe pedindo nada de escalafobético. Tô lhe poupando dos outros pedidos que eu tinha em mente, mas que reconheço que seriam impossíveis do senhor me atender, mesmo tendo o coração e o saco grandes.Veja, portanto, que eu não vou lhe pedir que o senhor me faça importante feito o Arimatéia Azevedo. Nem que o senhor me dê o sorriso fácil do Nazareno Fonteles. Nem que o senhor me deixe sabido que nem o Assis Carvalho. Nem que o senhor me dê o charme da Flora Isabel. Nem que o senhor me dê o apetite do delegado Jorgim. Nem a fluência verbal do Roberth Rios. Nem a valentia do Fábio Novo e da Teresa Brito. Nem a beleza do Heráclito. Nem a oratória do Mão Santa e – muito pior – a capacidade do Wellington Dias de enganar os bestas. E de enganar os sabidos também!Portanto, Papai Noel, deixe de ser mão de vaca feito o Ciro pai e me ajeite aí, que eu mereço.Assinado: Danilo 

Mangabeira, eira, eira... 

Eu nunca tinha ouvido falar em Roberto Mangabeira Unger. A primeira e única vez que li um texto seu foi um que ele escreveu em 2005 para a Folha de S. Paulo. O Brasil ainda vivia a ressaca do mensalão e Mangabeira Unger não contou conversa: "Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional.” Me arrepiei todo quando li isso!Mas não foi só. Ele completou o lecho: "Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente.”E pensa que ele parou aí? Foi foi diacho. Disse mais:"Afirmo que o presidente, avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e orgulhoso de sua própria ignorância, mostrou-se inapto para o cargo sagrado que o povo brasileiro lhe confiou." 

Sealopra

E escreveu mais outras coisas cabeludas contra Lula, no mesmo texto, que hoje eu tenho até vergonha de contar. Mas este artigo do Mangabeira só veio a ganhar repercussão quando ele aceitou ocupar a Secretaria de Assuntos Estratégicos de Longo Prazo, cuja sigla foi definida pelo senador Mão Santa como Sealopra, numa referencia direta aos aloprados do PT. Para ser ministro, segundo a mídia noticiou na época, Mangabeira engoliu o que disse contra Lula e trocou um salário de 44 mil reais por mês na Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas do mundo, por um de 8 mil reais. Tudo por amor à pátria amada, salve, salve! 

No Piauí 

Desconhecido por esta besta quadrada da Chapada do Corisco, o homem é mais afamado nos Estados Unidos do que era o Raimundo Soldado em Timon. Pra se ter uma idéia, dia desses o Barack Obama declarou que queria visitar o Brasil para se reencontrar com seu ex-professor.  Referia-se, naturalmente, a Magabeira Unger, que – segundo o senador Heráclito Fortes – embora tenha nascido no Brasil, fala inglês melhor do que português.Bem, todo esse leriado é para um breve comentário sobre a vinda do ministro Magabeira ao Piauí, no final de semana passado, para discutir com as mentes brilhantes do Estado "um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil e, em especial, o Nordeste". O ponto alto da visita do ministro, para mim, foi quando ele declarou que não vinha trazer dinheiro, mas idéias. Mesmo eu sabendo que o inferno está empestadozim de boas intenções, achei foi bom porque, finalmente, um ministro do Lula vem ao Piauí sem ser pra enganar ninguém com promessas de liberação de verbas.Bem que merecia uma medalha! 

Sapatada 

Nesta semana, um jornalista iraquiano tirou os dois sapatos e arremessou na cabeça do George Bush, em protesto contra a invasão americana a seu país.Mais que depressa o arremesso de sapato virou sinônimo de repúdio no mundo todo.Aqui no Piauí eu quero lançar esta moda. Tô juntando tudo quanto é de ki-chute velho, conga all color, bamba, melissinha e sapato cavalo-de-aço que estou achando pela frente para começar um movimento pela moralização da política no Piauí. Pode deixar que eu mesmo vou jogar sapato velho em quem merecer.Peço à minha leitora e ao meu leitor que mande para o meu email as sugestões de quem deve levar as primeiras sapatadas. E  por que. 

damasio.danilo@yahoo.com.br   

chamada:

A minha listinha de pedidos para o Papai Noel já tá pronta!

 
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12/12/2008 - 00:47:25

O jumento do João Cláudio

O João Cláudio Moreno é um dos grandes patrimônios culturais do Piauí. Ele tem a fama de louco, às vezes até de bruto. Mas é uma alma das mais caridosas desta Terra Querida. Acredito que a mente atordoada do João é fruto de muita profundidade de conhecimentos e de dúvidas. Entre as muitas histórias que conta, me lembro de uma, em particular. Certo dia, andava pela sua Piripiri, quando  reencontrou o Seu Binga, um velho amigo,  se queixando muito da vida. Dizia que todo mundo no mundo tinha alguma coisa pra chamar de seu. Mas ele, coitado, a única coisa que tinha possuído era uma mulher, que, segundo o João, perdeu por conta dum chifre. Seu Binga dormia de favor em cima de uma pedra, de forno numa casa de farinha. E tinha o sonho de, antes de morrer, ainda possuir alguma coisa. Então, pediu ao João Cláudio 15 reais pra comprar um jumento. O João, frouxo que só pra dinheiro, desembainhou logo 20 contos para a compra do gobila e caminhou no rumo da feira pra comprar por mais 50 reais a melhor cangalha que achou, com esteira, cabresto e tudo. Pra se ter uma idéia, as cilhas, que amarram a cangalha no vazio do animal, eram de sola de couro de gato maracajá. E a rabichola, que laça a cangalha por baixo do pé do rabo, opegado no monossílabo do jegue, era num couro trabalhado. Um presentão! 

Alegria de pobre

Passados uns dois meses, o João Cláudio voltou a Piripiri e foi ver como era que tava a vida nova do Seu Binga. Quando avistou o homem, viu logo que ele tava com uma cara de jumento que perdeu a mãe: triste, amuado, sucumbento, macambúzio...  “Quequiá, Seu Binga! Que que tu tem que tá com esta cara de quem comeu e não gostou?”. Seu Binga: “Ô coisa ruim, João, é a gente possuir as coisas. Quando eu não tinha nada, eu dormia bem danado. Agora, que só por pissuição eu tenho este jumento, acabou foi meu sossego. O bicho passa a noite é rinchando. Tira um calco aí: na semana passada, o diabo desse jumento, sem ter o que fazer, foi derrubar a cerca da Dona Raimundinha, tua mãe. Foi dois dias pra eu botar a cerca em pé de novo. Já vi que é coisa ruim a gente ter as coisa!”Não sei se foi verdade ou foi apenas mais uma de suas piadas, mas duns dias pra cá esta história que o João conta não sai do meu juízo. E sabe por quê? Não tô fazendo nada. Vou contar. 

Crise? Que crise?

Aqui em Teresina, quando queremos puxar conversa com alguém, é só reclamar do calor que a pilhéria engata: “Eita, mas tá quente, tu não tá achando não?”. Nestes tempos de inverno, é só adaptar: “E tá é bonito pra chover, num tá não?”.Por aí afora, eu não tenho nem idéia como é que se puxa um leriado com um estranho. Mas, nas últimas semanas, as pessoas de outros estados que eu encontro, a pergunta que elas me fazem é uma só: o que é que eu tô achando da crise aqui pelo Piauí. Crise?! Que crise?! Aqui não tem crise! Aí eles ficam com cara de quem tá pensando que eu tô é frescando! Crise é coisa de ricoComo dizia Seu Binga, ô coisa ruim é a gente possuir as coisas. Nos Estados Unidos, somente no mês de novembro, foram demitidas mais de 500 mil pessoas. Mais de meia Teresina no olho da rua num único mês! A multinacional Philips anunciou a demissão de 8 mil funcionários. Aqui no Brasil, nos estados que têm indústria, as férias coletivas do final do ano foram antecipadas para novembro, por causa desta tal “crise”. E não são poucas as que já começaram a demitir e ainda fazem planos para demitir muito mais. Isso tudo num período pré-natalino, época tradicionalmente de expectativa de alto consumo.Nos estados que têm exportação, com a retração dos mercados americano, europeu e chinês, ninguém sabe nem mais o que fazer. Não se consegue exportar e o mercado interno está amedrontado para absorver esta produção que normalmente era destinada ao mercado internacional.Nos estados onde o turismo é desenvolvido, a rede hoteleira, restaurantes, bares e taxistas, reclamam que o fluxo de turistas diminuiu em função do aumento exagerado das passagens aéreas. O turista sumiu, o dinheiro desapareceu e até meretriz tá fazendo promoção pra ir escapando.Mas, pra nós, piauienses, graças ao nosso bom Deus, à venerada padroeira Nossa Senhora da Vitória, à Divina Santa Cruz, ao finado Gregório e, principalmente, aos nossos políticos – uuufa! – nada disso está acontecendo! E sabem por que aqui no Piauí, este negócio de “crise” não produziu nem produzirá nem marola e muito pior um tisunami? Eu digo já, já. Mas antes vou fazer um diarrudei. 

Mão Santa

Quando o Mão Santa era governador, todo mundo sabe que ele não perdia nem batizado de boneca. Um dia, um prefeito de uma cidadezinha lá do extremo Sul do Estado o convidou para inaugurar um chafariz com duas torneiras. Foi o bastante para o Mão Santa arregimentar todo o governo e se picar no rumo de lá.Na inauguração, com direito a banda e foguetório, além da imprensa escrita, falada e televisionada, o Mão Santa caminhou no rumo da torneira com sua Adalgisa. Fez pose... Abriu a torneira...Cadê a água? Nada de água! Você pensa que ele perdeu o rebolado? Não bateu nem a passarinha! Pegou o microfone e agradeceu a São Francisco do Canindé por não ter água. E explicou: “A dengue pega é pela água. Como aqui não tem água, também não vai ter dengue”. Nesta horinha o João Madison puxou as palmas e a negada do governo arrochou atrás. 

E nossa Balança?

Então, no Piauí, como diabo é que vamos ter crise na indústria se nem indústria nós temos?! Neste negócio de crise nas exportações também não vamos sentir nada. A única coisa que ainda exportamos é cera de carnaúba, que sempre saiu mesmo pelo foi Ceará e aqui nós nunca tomamos nem conhecimento. Tem também a soja dos cerrados, que sai todinha na cota do Maranhão. Ah, exportamos também piauienses como mão de obra escrava pra cortar cana nos canaviais de São Paulo ou para as fazendas de carvão no oco do mundo. Mas isso não conta na vigorosa e inabalável balança comercial piauiense. E turismo? Não há perigo de alguma coisa abalar as nossas férias de final de ano em Luis Correia. Como lá só dá teresinense mesmo, pra nós pouco importa esta agalândia de preço de passagem aérea.Crise? Que crise? Se o Piauí fosse uma potência industrial e econômica, hoje estaria atormentado como o Seu Binga, depois que se tornou proprietário de um jumento. Eis, enfim, a vantagem de não se ter nada! É feliz quem vive aqui! 

damasio.danilo@yahoo.com.br 

chamada: Crise? Que crise? No Piauí, não tem disso não!

 
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21/11/2008 - 09:03:53

Encontro nas alturas

Um dia encontrei o governador Wellington Dias num vôo da Tam de Brasília no rumo de Teresina. Na hora que ele me enxergou, foi logo me dizendo que lia estes meus arrazoados que escrevo aqui, sempre que podia. Não sei se ele disse só pra me agradar. O certo é que me agradou. Fiquei mais alegre do que cachorro amarrado com linguiça. Se até o governador lê o que eu escrevo, o Frank Aguiar que se cuide, porque jazim eu também vou virar pop star.

Na esperança de hoje ser lido por Sua Excelência, peço desculpas às minhas leitoras e aos meus leitores, para destinar metade desta coluna para o nosso governador. E não é nem mais para pedir “DAS”, que já pedi foi muito e ele nunca me deu! É apenas para convidá-lo a uma reflexão.

O mestre

Governador, não é porque eu esteja na minha presença não, mas neste negócio de gestão pública eu só tiro o chapéu para três pessoas. Primeiramente, para o doutor Alberto Silva, que deu um show de bola em seu segundo governo. Segundamente, para o gatão Guilherme Melo, que passou 10 marcantes meses à frente do Governo da Modernidade. Terceiramente, eu tiro o chapéu pra mim mesmo. Entendo tudo de administração pública, só ainda não tive foi chance de mostrar. Pra entrar nesta boca precisa ter voto ou padrinho. E até agora eu tô ao Deus-dará. Não achei nem uma coisa nem outra.

Mas, pelo meu elevado espírito público, pelo amor que tenho à Terra Querida e pela admiração indisfarçável que tenho pelo PT, é que vou fazer aqui uma consultoria para o senhor. E no zero oitocentos!

A crise

O senhor já notou que a crise econômica mundial paira sobre nossas cabeças de pequi? O senhor já notou que o faturamento das empresas piauienses começou a cair? O senhor já notou que o faturamento caindo a arrecadação de impostos vai cair também? E se a arrecadação vai cair, será, governador, que não é hora de adequar o Estado para esta nova realidade de crise financeira?

A estrutura administrativa do Piauí é composta hoje de 41 órgãos na administração direta, mais 10 autarquias, 7 fundações, 2 empresas públicas e 7 sociedades de economia mista. Tudo bem, tudo bem! Eu sei que a máquina inchou foi só para agasalhar os petistas e aliados. Coisa do seu coração grande! Mas, quem vê crise, não vê coração. E a crise econômica está forçando mudanças nos planos das grandes potências do globo. E, como potência, o Piauí precisa se adequar também.

Plano anticrise

Para que o nosso estado continue com sua administração organizada e na rota do desenvolvimento, sob o seu firme e decidido comando, apresento um esboço do meu plano anticrise. Ele foi elaborado tendo como baliza os mais rígidos fundamentos da hermenêutica da colpocitologia e da propedêutica epistemológica. 

No meu plano, a estrutura administrativa do estado deve ser dividida em apenas duas grandes pastas. Na primeira, devem agrupar-se todos os órgão públicos que mexam com dinheiro grosso, como a Saúde, Educação, DETRAN, Agespisa, DER, Secretaria de Transportes e Engerpi. O titular para esta super secretaria não poderia ser outro: Assis Carvalho, o homem que sabe se virar nos 30.

Na segunda grande pasta, devem agrupar-se os órgãos públicos sem arrecadação ou com orçamento apertado, como FUNDAC, Defesa Civil, secretaria de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico, Agência de Tecnologia da Informação, GASPISA e LOTEPI. Já para esta segunda super secretaria, qualquer um da base aliada serve. Mas sugiro o nome do Fernando Monteiro. Ninguém entende mais de calamidade do que ele.

O capiau

Mudando um pouco de assunto, em 1996 resolvi fazer uma especialização em Direito Processual Civil na PUC de São Paulo. Levei o curso adiante no pescoção. Eu sentia muita saudade da mamãe.

Pra piorar, lá no curso fiz amizade com um piauiense. Este cidadão tinha sido aprovado para o cargo de Promotor de Justiça aqui e enquanto esperava a nomeação, resolveu se especializar mais no direito, para, segundo ele, servir melhor ao povo do Piauí.

A minha amizade com este piauiense me impediu de conhecer os paulistas. O bicho era baixinho, buchudo e se vestia mal. Um dia pedi pra ele se vestir melhor. Ele me disse que era daquele jeito que o piauiense se vestia e ele não iria mudar. E o linguajar? Pedi para que ele chamasse lanche em vez de merenda e intervalo em vez de recreio para que nós podessemos nos encostar nas meninas da PUC. Não! - foi categórico – é assim que o povo da minha terra fala. Não vou mudar pra agradar estes abestalhados.

Antes de acabar o curso em São Paulo, ele foi convocado para o emprego e teve que voltar. Nunca mais vi esse cidadão.

O promotor

Este piauiense que tanto atrapalhou minha vida de playboy em São Paulo é o hoje promotor de Picos, Elói Pereira de Sousa Júnior. É ele que está sendo ameaçado de morte por denunciar que presos do município sofreram torturas físicas, inclusive, apanhando na genitália. Segundo a denúncia do promotor, encampada pelo Ministério Publico do Estado, pela Igreja Católica e pela OAB local e federal, as torturas teriam sido praticadas por policias do 4º Batalhão de Polícia de Picos, cujo titular é o Major Wagner Torres.

Não conheço o Major e nem me interessa ver a genitália dos presos. Mas se este promotor continua sendo o mesmo que conheci, autêntico, apaixonado pelo Piauí e sua gente, é bom o Comando Geral da PM e demais autoridades tomarem uma providência, porque o negócio deve ser sério mesmo! 

damasio.danilo@yahoo.com.br

chamada: No Piauí, só 3 pessoas entendem de gestão publica indo e voltando

 
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14/11/2008 - 11:43:02

Vivre la vie!

 

 Passei os últimos meses escrevendo aqui neste espaço e, ao final, pedindo às minhas leitoras e aos meus leitores que, pela hóstia, comprassem o meu livro “O Encomendador de Almas”. Com o apurado do livro, eu calculei passar o Reveillon em Paris. Eu tinha comigo mesmo: se o Paulo Coelho mora lá só às custas de venda de livro, por que eu não podia dar pelo menos uma voltinha por lá?  Aí eu tava indo até num embalozim bom danado, juntando o dinheiro e traçando o meu roteiro de viagem: um dia no Museu do Louvre, um dia na Champ´s Elisée com Arco do Triunfo, Torre Eiffel, passeio no Bateau Mouche, show e visita à Catedral de Notredame. E, como ninguém é de ferro, tomar um vinho Chateau Lafite Rothschild 1982, às margens do Sena, tirando o gosto com Caviar Beluga.

 

 

Acontecendo com grife

Até aí eu só tinha uma dúvida: em que hotel ficar. Ou iria para o Hotel Ritz, ali no número 15 da Place Vendôme, que pertence ao milionário egípcio Mohamed Al-Faied, pai do namorado da Lady Di, ou para o Four Seasons George V, que foi onde o Ronaldinho Fenômeno passou a lua-de-mel com a Cicarelli. E, ao estilo dos casais Luiz Gonzaga Viana e Gilka, Cirim e Iraceminha, Beto e Adriana Castro, Adriano e Constance Jacob Melo, Vânia Guerra e dr. José Wilson Pereira, Fernando Fortes e Malu, Freitas Neto e Cristina Miranda, Jesus Filho e Gláucia, vip´s de nossa melhor sociedade, eu iria bater um monte de retrato meu e da patroa pra encher as colunas do Nelito, do Rivanildo e da Elvira. Só pra mostrar que eu também não sou fraco nem um pingo!

Mudança de plano

Mas, como diz o filósofo Chico Bernardes, “pobre que arremeda rico, morre fazendo careta”. Eu me esqueci que a minha patroa tava grávida. Tivemos que começar a preparar o enxoval do bebê. O primeiro gasto foi logo com roupas de mulher buchuda. Depois, começamos a providenciar um quarto para a menina (é menina!). Compramos cortinado, berço, cômoda, carrinho e um tal de moisés. Aí partimos para o enxoval: mamadeira deste tamanho, daquele também, escova de cabelo, cortador de unha, desmamador elétrico, babador, coeiro, luva, sapatim de lã, um par de brinco, banheira, garrafa térmica, termômetro, mijão, vestidinho, toalha pra banho...Um parêntese: vi nas revistas de criança que a estimativa é que um recém-nascido use 8 fraldas por dia. O que dá 240 por mês ou 2.880 por ano. Fui logo na farmácia pra fazer o estoque para os primeiros 6 meses. Quando eu vi o preço das fraldas, senti uma gastura ruim e faltei pouco foi me borrar todo! Voltei pra casa e fui pesquisar na internet por que tanta carestia. Adivinhe só! O imposto neste produto é de 54%. Ou seja, o governo, em matéria de tributos, não dispensa nem os inocentes e cobra imposto até na hora de aparar merda e mijo de recém-nascido. Pois bem. O certo é que quando acabei a primeira etapa de compras do enxoval e cuidei de ver o que tinha sobrado do dinheiro do projeto de Réveillon em Paris, dei fé que o restim que tava na minha conta dava mal pra eu passar a virada do ano bem aí em Luís Correia. E isso é se eu conseguir um cristão de bom coração que me convide pra ficar na casa dele, com direito ao de comer e ao de beber. Pra mim, a mulher e a menina, que já terá dado o ar de sua gracinha!Ê vida! 

Yes, nós temos Obama

Quando se elegeu presidente da Assembléia Legislativa, o deputado Luciano Nunes (o pai), recebeu, certo dia, em seu gabinete, três assessores do também deputado estadual Nazareno Fonteles, do PT. Luciano, impressionado com a vivacidade dos jovens, resolveu puxar conversa: - Como é seu nome?- É Marcus Vinícius Furtado Coelho.- Isso não é nome de petista. E o seu? Perguntou ao segundo.- Robertônio Santos Pessoa.- Isso também não é nome de petista. E o seu, rapaz? Perguntou ao terceiro.- É Chico Antônio!- Aaah! Você, sim, tem nome e cara de petista! Já naquele tempo o velho Luciano, uma das raposas políticas mais astutas do Piauí, enxergava longe. De fato, Marcus Vinícius e Robertônio deixaram o PT pra trás e foram cuidar de ganhar dinheiro na advocacia. Já o Chico Antônio continuou a vida toda carregando bandeirola do PT no meio do sol quente.Agora, elegeu-se prefeito de Esperantina, derrubando de uma só vez, o polêmico prefeito Felipe Santolia, o ex-prefeito José Ivaldo e o ex-deputado federal e empresário Themístocles pai. O PT agora está na obrigação de considerar, também, o nome dele para governador em 2010. Porque, bem comparando, o Chico Antônio é o nosso Barack Obama! Notícias da semana Os fazendários cederam e fizeram acordo para o fim da greve da categoria, que já durava mais de mês. O movimento acabou nos termos que o secretário de Fazenda, Antônio Neto, quis.Bem que eu avisei: de greve ninguém sabe mais do que esse povo do PT! 

 damasio.danilo@yahoo.com.br 

Yes, no Piauí nós também temos o nosso Barack Obama!

 
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06/11/2008 - 20:04:57

Reforma ortográfica

 Ando meio destreinado da escrita. Parei de escrever umas duas semanas tentando aprender as novas regras da ortografia baixadas pelo catedrático Lula. Pra quê? Tô desaplaneivadozim! Me atrapalhei com o pouco que sabia das regras antigas e até agora entendi bem pouquinha coisa das novas. Além disso, as eleições passaram e tiraram toda a minha inspiração. Aqui no Piauí, ou a gente manga de um político ou tem que esperar que apareça outra Gyselle no Big Brother pra ter assunto até pra mesa de bar.Quer ver como a falta de assunto é grande? Nestes últimos dias o maior ti-ti-ti, bafafá e trololó da cidade tem sido a notícia de que Seu João tá preparando o shopping dele pra cobrar pelo estacionamento. “E vai ser logo 2 real!”,dizem alguns, em tom de protesto. 

Na rabeira

 Na minha opinião, este é só mais um atestado do atraso do Piauí. Aqui tudo acontece por último. Dos estados do Nordeste, o Piauí foi o último a ter sua universidade. É o último que vai ter o aeroporto reformado. É também o último em turismo, que por aqui é como o caviar do Zeca Pagodinho (nunca vi, nem comi, eu só ouço falar). Foi o último a ter Shopping Center. E será o último a cobrar estacionamento no shopping.  A negrada queria passar a tarde no shopping do homem, no bem-bom do friozim, jogando conversa fora, paquerando as catitas e pitiacas, sem comer nem um pastel e, ainda por cima, de graça! Faz bem Seu João em acabar com esta folga. De graça aqui em Teresina já basta o calor.Por mim, o estacionamento só voltava a ser liberado novamente só lá bem pertim da candidatura do João Vicente ao governo. E depois arrochava na cobrança de novo! O povo precisa entender que quem come de graça é menino de creche. 

Fusão de bancos

 Aqui em Teresina tem muita gente que acha que entende de banco. Mas só se for desses bancos de praça, pra ficar pinando com as filha alheia. De banco, desses de dinheiro, quem entende é o papaizim aqui, ó!Nesta semana, o mercado financeiro ficou em polvorosa com a fusão do Itaú com o Unibanco, que, juntos, terão 4 mil e 800 agências. Ô povo véi besta!Fusão maior já aconteceu e ninguém nem fé deu. O bicentenário Banco do Brasil, prevendo o cenário futuro da economia mundial, teve uma brilhante sacada de incorporar um outro gigante do ramo financeiro: o BEP.O BEP é um banco tão forte, que passou décadas em poder do governo do Estado e não quebrou fácil. Foi preciso a genialidade do engenheiro Alberto Silva pra afundá-lo. E não foi nem no primeiro mandato! Essa proeza ele só conseguiu no segundo.Saneado e de pé novamente, o BEP se afirmou como potência em expansão. Quando o Banco do Brasil se interessou, ele já ia com 3 agências só em Teresina – uma na 13 de maio, outra na Piçarra e a terceira no Teresina Shopping. Mas o que mais apeteceu o Banco do Brasil na hora de merendar o nosso BEP não foi nem o seu patrimônio imobiliário e nem sua “rede de agências”. Foi mesmo o movimento da folha de pagamento do funcionalismo estadual, que é feito por lá.Só o movimento gerado pelos milionários contracheques dos professores da rede estadual de ensino e dos soldados da nossa briosa PM já abre o apetite de qualquer banco. Se o Banco do Brasil não corre na frente para adquirir o Banco do Estado do Piauí, hoje, quem sabe, ele teria sido fundido a esta nova holding Itaú Unibanco, que, sem o BEP, perdeu a oportunidade de ser o maior banco do mundo. 

Remando contra a maré

Eu tenho muita admiração pelo trabalho dos fazendários. Mas eu tenho inveja mesmo é do salário que muitos deles recebem. Taí um negócio que dava pra mim! Mas nestes dias eu tenho ficado encabulado com uma coisa: eu não sei o que estes homens e mulheres inteligentes estão querendo quando inventam greve contra o governo do Wellington Dias. Se fosse contra o governo do Hugo ou do Mão Santa eu nem ia dizer nada. Mas quando lembro que quem inventou greve no Piauí foram justamente a Regina Sousa, o João de Deus, a Flora, o Cícero Magalhães, o Assis Carvalho, o governador e o próprio Antônio Neto, eu fico pensando: será que os fazendários sabem, nessa matéria aí – greve – alguma coisa que estes outros aí não sabem? Du-vi-d-o-dó!!A chance de se obter resultados fazendo greve contra um governo do PT é a mesma que eu tenho de dar uma surra de bofete no Mike Taysson. E os fazendários que se cuidem, porque o que parece ruim tem é muito pra ficar pior. Os petistas não sonham em outra coisa a não ser mudar o endereço de trabalho do secretário de Fazenda. Querem trocar o gabinete dele do Centro Administrativo pelo Palácio de Karnak, em 2010. Uuuuuiiiiiiiiiii!!!!!!!! 

O redondim

 Um outro assunto de menor relevância que tomou a semana foi a queda do Felipe Santolia, apeado da Prefeitura de Esperantina pela Câmara Municipal. Da minha parte, eu tenho muito a lamentar. Este “impiti” do Santolia só deu pra minha radiola. Eu não queria, de forma alguma, que ele perdesse o poder. Eu vendi um relógio pra ele, fiado, por 300 reais, em dezembro de 2006. Nunca perdi a esperança de receber este dinheirim. No meu juízo, até o final do mandato, ele ia me pagar. Como a mulher lá em casa tá nas horas de parir, eu já me imaginava destroçando estes trezentim todo em fralda. E agora, papai? Me veio logo o pensamento: se com a caneta na mão e nadando em real do FPM ele não me pagou, como diacho é que agora eu vou receber o dinheiro? Mas graças a Deus, anteontem um juiz ordenou que ele reassumisse a prefeitura. Já tava achando que tinha amarrado meu relógio no rabo de um veado!  

damasio.danilo@yahoo.com.br 

 

chamada: Se o Itaú/Unibanco comprassem o BEP, virariam o maior banco do mundo.

 
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20/10/2008 - 19:35:40

Filosofia de boteco

Quem quiser que fique pra si, mas este negócio de ler Sócrates, Platão, Aristóteles, Bobbio e outros tantos filósofos, só presta mesmo pro Mão Santa. Ele decora uma frase perdida de um e de outro e sai por aí repetindo feito papagaio. Aí os bestas, como eu, ficam pensando que ele é sabido. Os únicos filósofos que eu gosto são os de mesa de bar. E é lá que se escutam as melhores e mais profundas análises sobre cultura, política e economia.

Nesta semana, eu estava no bar do Zé Filho, tentando entender a crise mundial nas bolsas, quando o publicitário Siqueira Campos me fez a seguinte análise:

“Se você tivesse comprado, em janeiro/2005, R$ 1000,00 em ações da Nortel Networks ou da AIG , ambas gigantes da economia americana, hoje teria R$ 59,00! Se você tivesse comprado, em janeiro/2005, R$ 1000,00 em ações da Lucent Technologys , outro gigante da área de telecomunicações, hoje teria R$ 79,00! Agora, se você tivesse, em janeiro/2005, gasto R$ 1.000,00 em Skol (em cerveja, não em ações), tivesse bebido tudinho e hoje vendido as latinhas vazias, teria R$ 80,00!!!”

Aí eu pergunto ao meu leitor e à minha leitora: pra quê eu vou queimar pestana com leitura de besteira se nos botecos de esquina é que eu acho grandes pensadores como este? 

Crise? Pra lá!

E nós, piauienses, não estamos nem batendo a passarinha com este negócio de crise econômica mundial e recessão. Nós somos um povo forte. Se não der mais pra tomar coca-cola, vamos escapar com cajuína ou no suco do seu Abraão. Se não for mais possível comprar whisky, tomaremos cachaça mangueira. Se não der pra comprar Mcdonald, comemos o pastel da Divina ou o pão de queijo do seu Cornélio. Se não conseguirmos mais comprar roupas importadas, compraremos as feitas aqui mesmo, na fábrica do Seu João e na Lazule Jeans. Se as passagens aéreas ficarem caras, vamos andar de Líder, Jurandi, Linhares, Fretur, Transpiauí e Barroso. Se o gás de cozinha ficar caro, não tem problema. É só colocar a panela no asfalto, que neste calorzão tudo assa e tudo cozinha. E, por fim, se eu nunca mais conseguir botar nos Estados Unidos por causa do dólar alto, eu lá vou me importar! O que é que um turista de nível como eu vai querer mais na vida do que tomar um banho na Cachoeira do Urubu, em Esperantina (agora sob nova direção), e comer uma farofinha de ovo nas barracas de praia do Silvio Leite, lá em Luis Correia?É feliz quem vive aqui! 

Nepotismo

Em minha família, a dos Silva, tem muitos políticos. Começando pelo Lula da Silva, na presidência, passando pelo Alberto Silva, na Câmara dos Deputados, até peitar na Câmara de Vereadores, com meu primo, o vereador R.Silva. Eu pensei muito em pedir um emprego pra mim a um deles. Pensei tanto que cheguei tarde. O STF agora inventou de proibir a contratação de parentes em todas as esferas de governo.

 

O que eu queria mesmo era arranjar um jeito de me dar bem sem fazer força. Este negócio de trabalhar, como diz o amigo Abelardo Carvalho, é coisa de jacu. Mas, graças ao meu bom Deus, eu encontrei uma saída: dagora em diante, eu vou é fazer greve.

 

 

Greve é meio de vida

Foi nessa pisada de grevar que o João de Deus, o Cícero Magalhães e o próprio governador Wellington Dias – sem falar no Lula, mas já falando – saíram do ônibus com vale-transporte contado pro carro oficial. O nosso Wellington foi o mais craque de todos eles nesta arte. Sem perder tempo, empinou de vereador a governador mais depressa do que rabiola no mês de junho, numa eleição atrás da outra. Foi até melhor do que o Lula, que pra chegar a presidente, penou mais do que mala velha pra largar a poeira. Foi derrotado um bocado de vezes. Mas foram eles que ensinaram aos trabalhadores que greve dá resultado. E como tem dado! Neste outubro, estão de greve os fazendários, os bancários e o pessoal do Dnit.

Mas desde a semana passada que os professores já ameaçam que vão entrar nesta onda também. O governador, que não tinha outra coisa pra dar ao magistério, deu pelo menos um final de semana prolongado, puxando a folga de quarta (15 de outubro, dia do professor) pra segunda. Aí foi mesmo que botar manteiga em venta de gato. Na quarta, dia oficial do professor mesmo, quase todo mundo parou de novo. Na quinta, tornaram a folgar, para fazer uma paralisação. Eu desconfio que nestes três dias sem aula, em apenas uma semana, os alunos só sentiram falta mesmo foi da merenda  

Mão Santa para presidente!

Nesta última semana, o noticiário local deu conta da disposição do senador Mão Santa em se candidatar a presidência da República em 2010. Eu nunca vi idéia melhor! Dizem até que ele já tem o slogan da campanha: “Chega de aloprado! O Brasil precisa ser levado a sério!”.

 

O senador tá preparado desde já para ser presidente. Ele tem falado a seus assessores mais próximos que levará para Brasília a extraordinária experiência de seus sete anos à frente do Governo do Estado do Pííííiaui. Pra isso, pretende convocar para esta missão histórica alguns dos técnicos de alto nível que lhe ajudaram a transformar o seu governo no mais organizado e mais progressista que o Piauí já teve a sorte de ter.

Tive acesso privilegiado à lista preliminar dos ministeriáveis. Eis alguns deles:

Gabinete Civil: Mão Santinha; Ministério da Fazenda: Paulo de Tarso Moraes Sousa; Saúde: Paulo Lages; Educação: Nilson Sá; Justiça: Edvarzim; Agricultura: Chico Filho; Transportes: Marcos Silva; Turismo: Roberto Broder; Esportes: Abelardo Carvalho; Cultura: Neto Sambaiba; Comunicações: Genésio Araújo; Relações Exteriores: Ray Carvalho e Ministério do Trabalho e Emprego: Rui Berger.

Com este time de notáveis, vamos reviver os anos dourados de JK. Só que na República da Parnaíba, em vez de 50 anos em 5, serão 400 anos em 4.

Atentai bem!

damasio.danilo@yahoo.com.br 

Chamada: O Mão Santa quer ser presidente. E já escalou até o ministério!

 
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10/10/2008 - 13:28:39

O mundo é um quintal

Segundo os papas da economia mundial, quando Wall Street espirra, em Nova Iorque, o mundo pega pneumonia. E isso pode até ser verdade. Mas, se for, está incompleta! Com a globalização dos nossos tempos, não é só a “Big Apple”que está passando gôgo pro resto da humanidade.Nesta semana, por exemplo, as bolsas de valores do mundo todo despencaram vertiginosamente na segunda-feira, dia seguinte às eleições municipais no Brasil. A BOVESPA teve que interromper o pregão por duas vezes pra conter a queda. E o dólar, que já tinha amansado na casa dos 2 reais, voou e atingiu os 2,45 reais em menos de 72 horas.Os analistas econômicos não conseguiram explicar a razão da queda nas bolsas, já que o pacote de 850 bilhões de dólares do Bush foi aprovado com sucesso na Câmara e no Senado americanos. Aparentemente, não haveria mais razão para o descontrole dos mercados. No caso da BOVESPA, os motivos das constantes quedas são ainda mais inexplicáveis. Para que os leigos tenham uma idéia, a Vale do Rio Doce – que tem o menor custo de extração de minério no mundo –  teve suas ações desvalorizadas em 18,90% em apenas 10 dias. Já a Petrobras – que acaba de anunciar a descoberta de dois mega poços de petróleo – viu suas ações desvalorizarem 17,94% no mesmo período.  

Os gênios da bolsa

O que faltou para compreensão ou prevenção desta crise toda foi atenção para o fato de que a humanidade só contou com três escassos gênios em bolsa. O primeiro foi o Louis Vuiton, que criou umas sacolas com a logomarca dele ferrada pelo lado de fora. As bolsas caíram no gosto do mulherio de bom gosto e alto poder aquisitivo e, desde 1854, que elas gastam verdadeiras fábulas em dinheiro somente para desfilar com uma dessas a tiracolo. O segundo gênio em bolsa é o Lula. E a bolsa em que o Lula é craque é a “Bolsa Família”. O terceiro gênio em bolsa é o papaizim aqui. Entendo deste negócio de bolsa de valores indo e voltando, de cima pra baixo, de lado e de banda e esticando e puxando. Sou PhD em mercado de ações, divisão de conta de bar, contagem de carta de baralho e economia de palito. Meu doutorado foi na Sorbone de Paris.  Lá fui discípulo dos mestres Pierre Latibotô e Francois Meticom Avara. Mas, apesar deste currículo invejável, até hoje ninguém nunca me perguntou nada sobre esta crise econômica mundial. Nem um telefonemazim da Gazeta Mercantil nem da Globo News eu recebi.Melhor para vocês, minhas leitoras e meus leitores, que vão saber agora, em primeiríssima mão, o motivo da queda nas bolsas de valores mundo a fora. 

Efeito Santolia

A razão de tanta insegurança nos mercados mundiais foi a derrota nas urnas do Felipe Santolia, em Esperantina. Tudo começou quando o capital especulativo e as agências de risco começaram a tremer diante da queda anunciada do melhor modelo administrativo já implantado nas Américas, desde Cristovão Colombo. Acreditavam os especuladores que, dando certo em Esperantina, o resto do país iria adotar o “Modelo Santolia” de administrar, alçando o Brasil da simples condição de país emergente para a de super potência primeiro mundista. Pra começar, a humanidade só registra dois casos de crucificação seguidos de ressurreição. O primeiro foi o de Cristo, naturalmente. O segundo foi o do saltitante Felipe Santolia. A crônica policial e política dão conta de que ele foi baleado e crucificado num pau, perto de Joaquim Pires, em outubro de 2002. Pela semelhança dos acontecimentos (crucificação), separados um do outro por apenas 2 mil anos, o Santolia chegou até a ser conhecido como Felipesanto.  

Dando nos gosto

Mas Esperantina não é globalizada apenas por esta efeméride. Nem esta história da crucificação é a mais conhecida de lá! Depois de uma pesquisa de opinião que detectou que menos de 10% das mulheres da cidade entre 14 e 50 anos conheciam o prazer sexual, foi instituído, por uma votação histórica da Câmara Municipal, o dia 09 de maio como o “Dia Mundial do Orgasmo”. Foi uma atitude tão de vanguarda que desde lá o mundo nunca mais o mesmo. A lei foi tão importante e tão bem feita que chegou a distinguir os tipos de orgasmos femininos. Aqui vão alguns desses orgasmos:Geográfico - Aqui, aqui, aqui, aqui…
Matemático - Mais, mais, mais, mais…
Religioso - Ai meu Santo, ai meu Santo…
Suicida - Eu vou morrer, eu vou morrer…
Homicida - Se você parar agora, eu te maaaaaatooo!!!
Sorveteiro - Ai Kibon, ai Kibon, ai Kibon...
Torcedor de Futebol - Vaaaai, entra com bola e tudoooooo!!!
Ambicioso - Eu quero tudo!!! Me dá tudo!!!
Margarina - Que delícia, que delícia…
Pornográfico - PQP! Vai FDP!
Sensitivo - Tô sentindo… tô sentindo…
Desinformado - O que é isso? O que é isso?
E, por fim, entre outros, o orgasmo “Rubens Barrichelo” - Não pára! Não pára! Não pára!  

Recesso branco

Durante o período da eleição, o Senado, a Câmara dos Deputados, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais fizeram um recesso branco. Os parlamentares abandonaram os gabinetes e caíram na campanha. Ninguém trabalhou, mas continuou recebendo, lógico!  Mesmo assim, sem duvida, foi a época mais produtiva das casas legislativas. E foi produtiva justamente porque não fizeram nada. E não fazendo nada o povo economizou com cafezinho, água mineral, energia e papel de limpar os quarto.

damasio.danilo@yahoo.com.br

Pra não ficar mais chato do que eu já sou, nesta coluna não vou mais pedir a ninguém pra comprar as últimas unidades do meu livro “O Encomendador de Almas” que ainda está a venda nas Livrarias Universitária e Piauiense e nas bancas do Tomás (Praça João Luis) e do Aeroporto.

Chamada:Sabem porque a bolsa caiu e o dólar subiu? Leia a coluna pra saber.

 
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01/10/2008 - 11:55:04

O Batista e o Nazareno

No Evangelho de São Lucas, capítulo 3, João, o Batista, gritou para a multidão: “Arrependei-vos e endireitai-vos!” Ele, o Batista, fazia cumprir o seu destino que era preparar a terra para a chegada do Nazareno, o Jesus, seu primo. E é emocionante a história dos dois. O Batista tinha tanta devoção pelo Nazareno que dizia não ser digno nem de tocar em sua túnica, pois ele batizava com água e o Nazareno, quando chegasse, batizaria com o Espírito Santo. A Bíblia, rica em parábolas e sabedoria, nos dá muitas lições do bem viver. É só prestar atenção. Por exemplo: foi o Batista que, naqueles dias, anunciou a chegada do Nazareno para um novo reino de salvação. No nosso tempo, um outro Batista (o Honório dono do Instituto de Pesquisa DataCerto) tem anunciado a ascensão de outro Nazareno (o Cardeal petista), que despontou, de uma hora para outra, com 33% das intenções de votos do teresinense. Eu não sei se é muito ou pouco, mas que foi rápido demais, foi!  Na marcha que vai, este Batista (o Honório) acabará por se revelar com o mesmo dom profético do outro Batista (o João), filho de Isabel, prima de Maria, que foi anunciado ao pai, Zacarias, pelo Espírito Santo como sendo “o Profeta do Altíssimo...”(Lucas, 1,76). E eu ando desconfiando que o Batista (Data Certo) e o Nazareno (o Fonteles) são taliqual o Batista e o Nazareno da Bíblia. Primeiro porque os dois são primos de partido, já que são petistas históricos. Depois porque o Batista (o Honório do DataCerto) é presidente da CUT no Piauí, gerada no ventre das hostes petistas, onde o Nazareno (o Fonteles) também nasceu. E o Nazareno (o Fonteles) falta pouco é também ser santo, segundo a propaganda eleitoral no rádio e na TV. E, sendo santo, pode obrar o milagre de ser prefeito.  

O Poder dos nomes 

Não sei se baseado em astrologia, numerologia, tarô, jogo de porrinha ou sacada de marketing, mas o certo é que nós, os piauienses, temos procurado dar glamu e dignidade ao que é nosso. Pra isso, colocamos nomes bonitos nas coisas. Quando o Saraiva fundou uma nova capital para o Piauí, tratou logo de batizá-la de Teresina, homenageando ninguém menos do que a nobre, ínclita e conspícua Imperatriz Tereza Cristina. Que ela era importante, era mesmo. Mas a caneta dos historiadores dão conta de que ela era desabonitada. Mas aí é uma história pra outro dia. Mais pra cá uma coisinha, o Petrônio Portela quando foi prefeito da cidade de Saraiva, cuidou de mudar o nome de alguns bairros, dando mais esclepcência à capital. Assim, o Morro do Urubu virou Morro da Esperança. O bairro Macacau tornou-se São João. E o Alto do Bode virou o bairro Alto Alegre. Os tucanos também fizeram as suas. O lugar em que mais matavam gente em Teresina virou a Vila da Paz. A comunidade mais atrasada virou a Vila Progresso. E uma outra comunidade que era um verdadeiro inferno – pois lá faltava tudo – passou a ser chamada de Vila Paraíso... A população pegou a onda e arrochou também mudando o nome das coisas. Padaria virou panificadora. Cabeleireiro virou coifé. Bodegueiro recebeu o nome de empresário. Fantasia virou bijuteria. Coletor virou fiscal. E o povo que era chamado de macho e fêmea agora virou gay. 

Só no Piauí 

Algumas coisas que nós não conseguimos mudar o nome para dar-lhes imponência, nós tratamos de avacalhar. Quer ver?  O presidente da Federação da Indústria do Piauí, Moraes Souza, não tem nem uma fábrica de picolé. O presidente da Associação dos Supermercadistas, Raul Lopes Filho, não tem nem uma quitanda. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Jacinto Teles, não é policial.  A Associação das Domésticas tem um homem como presidente, o Sr. Ascânio. No Albertão, tem de tudo do lado de fora, menos jogo do lado de dentro.  O Iate Clube não dá fundo pra água, tem uma avenida no meio. O Jockey Club não tem cavalo. E, falando em Jockey Club, a Avenida Jockey Club  não passa lá, passa é no Clube das Classes Produtoras. E, por falar no Clube das Classes Produtoras do Piauí, ele não é presidido por um empresário, mas por um militar aposentado, o boa praça coronel Raul Feitosa.  A Federação de Natação já foi presidida pelo Sarmento, que não sabia nadar. A Avenida Piauí é no Maranhão. A Avenida Maranhão é no Piauí. O Henrique Pires, de cabelo branco, era o presidente do PMDB Jovem até há pouco tempo. Agora é presidente do PMDB sindicalista. Só que não é sindicalista. O Pedro Tamanco, já pintando o cabelo com tintura Sobral, só deixou de ser presidente do PFL Jovem porque o partido acabou. O Ubiraci Carvalho, que não dá bom dia a ninguém, foi secretário de Educação. Barrigudo, sedentário, fumante e pinguço, depois foi ser secretário do Esporte. O maior forrozeiro do Piauí, que é o Lázaro, não toca sanfona. E assim vamos tocando a vida...   

Chega de censura 

A Delegacia do Trabalho, a CUT, a CGT, os direitos humanos da OAB, a Irmã Janaina e o Padre Beleca precisam saber do que esta acontecendo neste governo do PT. Uma amiga me disse que na repartição dela proibiram os servidores de usar o “msn” e de acessar o Orkut. Ora, veja só! E agora? O que diabo é que este mói de gente vai fazer a manhã todinha se não tiver o computador pra espalhar fofoca, curiar a vida alheia e matar o tempo?

damasio.danilo@yahoo.com.br  

Me ajude, pela hóstia! Falta pouco, muito pouco mesmo, para eu completar meu réveillon em Paris. Compre meu livro “O Encomendador de Almas”, que está à venda nas Livrarias Universitária e Piauiense e nas Bancas do Tomaz (na praça João Luís) e do Aeroporto. 

CHAMADA: Cada povo tem seu Batista e seu Nazareno que merece

 
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19/09/2008 - 16:43:00

Famoso no tapa

Sempre ouvi dizer que de boas intenções o inferno tá cheio. Pensei que o ditado tava certo, mas tá errado! De boas intenções tá cheio é o Horário Eleitoral Gratuito na TV e no rádio. Todo mundo é do povo, para o povo e pelo povo.  Todos prometem que protegerão os mais humildes e, na Câmara dos Vereadores, serão os porta-vozes das comunidades mais carentes. Eu não acredito em nenhum. Mas que eu me divirto, ah, sim, eu me divirto!Me divirto tanto que nas próximas eleições eu vou é me candidatar. Não pra encher o povo de proposta, até porque meus projetos são poucos. Na área da saúde, pretendo colocar um aparelho pra desempenar meus dentes. Na área de educação, pretendo arrumar dinheiro para pagar escola particular e curso de inglês pra minha filha. Na área de emprego e renda, se eu me eleger não vai mais ter problema pra mim durante quatro anos. Para a melhoria da cidade, pretendo arranjar um asfalto pra colocar em minha rua, em cima do calçamento cabeça-de-jacaré do Chico Gerardo que tá pra acabar com meus peitos de tanto que balançam. Fora estas propostas que apresento num único programa, eu quero aproveitar os outros só para aparecer na televisão. O tempo que eu tiver pra dizer meu nome e número, vou arrochar mandando “alô” pro povo. Alô, mamãe! Alô, papai! Alô, Paixão do Mercado da Piçarra! Alô, Iracema gerente da Beth! Alô, Seu Abraão do suco! Alô, Seu Cornélio do pão de queijo!  Alô, Vicente do VTS! Alô, Iaiá na Centenário! Vou ficar famoso dum tapa.

Alô, Amadeus!

E besta quem não acredita que vou ficar conhecido. Foi mandando alô que o radialista Roque Moreira fez o programa de maior sucesso já visto na Rádio Pioneira em todos os tempos: “O Seu Gosto na Berlinda”. Os “alô” eram acompanhados de uma musiquinha de fundo que parecia mais o vôo duma muriçoca. Era a famosa “Mula Preta”, do Luis Gonzaga, executada num órgão. O Roque tocava a música da “Pulga”, do Gilliard, e mandava um alô. Tocava “Eu não sou brinquedo”, do Genival Santos, e acunhava outro alô.Tocava o “Fracasso”, da Núbia Lafaiete, e arrochava outro alô. Tocava “Cartas na Mesa”, do Moacir Franco, e emendava mais um alô. Era “alô” do começo ao fim do programa. E a audiência era tanta que o locutor tinha que fazer duas apresentações por dia, um de manhã e outra de tarde. Os “alô” que o Roque Moreira mandava eram acompanhados de uma música de fundo que parecia o vôo de uma muriçoca. Era a famosa “Mula Preta” do Luis Gonzaga executada num órgão. E é seguindo a receita do mestre Roque Moreira que, de alô em alô, o programa do Amadeu Campos é o mais visto da TV piauiense. É só olhar que qualquer um vê que ele passa mais da metade do programa mandando alô pro Elivaldo Barbosa, pro Emiliano da Van, pro Mestrinho, pra fulano e pra cicrano. Quando não tem pra quem mandar alô, manda um pro o Jesuizim, patrão dele. Só tem um problema: e se eu ficar mais famoso do que a Gyselle do Big Brother e me chamarem pra pousar nu? Só aceito se o cachê for bom (pelo menos duas oncinhas) e se eu tiver também o direito de escolher onde tirar os retratos. É lá na coroa do rio Poti, no balneário Curva São Paulo. E mais: exijo também a presença do Corpo de Bombeiros, pra eu não morrer afogado.

Uma Pedra no caminho

A pedra já foi um utensílio de respeito, sim senhor! Já deu até nome de era: a da pedra-lascada. Foi batendo uma pedra na outra que descobriram o fogo. Foi roçando uma pedra na outra que fizeram as primeiras armas. Foi com uma pedra que o pequeno Davi derrubou o gigante Golias. Era com pedra que os hipócritas queriam que Madalena pagasse seus pecados. Foi com pedra que construíram o Coliseu de Roma, as Muralhas da China e o Muro de Berlim. Foi também com pedra que muita gente fez sucesso na música e na literatura: Orlando Dias (Com pedra na mão/Você me recebe com pedra na mão...), Ataulfo Alves (Atire a primeira pedra ai,ai,ai/Aquele que não sofreu por amor...), Herivelton Martins e David Nasse (Atiraste uma pedra/No peito de quem/Só te fez tanto bem...). Carlos Drummond de Andrade ficou famoso com um poema com pedra no meio (Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra...)Pois bem! Do alto de sua importância histórica e artística, a pedra desceu para o avacalhamento. Hoje, a maior utilidade da pedra tem sido passar o dia atrepada em cavalete de político pro vento não carregar!damasio.danilo@yahoo.com.brTa faltando bem pouquim pra eu completar o dinheiro do meu Réveillon em Paris. Me ajude comprando o meu livro “O Encomendador de Almas”, que ainda está a venda nas Livrarias Universitária, Livraria Piauiense, Banca do Tomás (Praça João Luis) e Banca do Aeroporto. 

Chamada: Como ficar famoso na televisão sem fazer força

 
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11/09/2008 - 23:34:34

Santa Cruz

“Bendito e louvaaado sêêêja/ no céu a divina luuuuuzzzz/ e nós também na teeérrra/ louvemos a Santa Cruz”.  Desde menino véi, escuto meu pai, que é devoto de Santa Cruz, cantando esta música. E é de menino também que escuto a promessa de construção da estrada que liga a BR 316 - entre Passagem Franca e Elesbão Veloso - à cidade de Santa Cruz dos Milagres, passando por São Miguel da Baixa Grande e São Félix do Piauí.  Eu nunca duvidei dos milagres da Santa Cruz. No que eu nunca acreditei mesmo foi em promessa de político. E a mais desacreditada delas pra mim sempre foi a da construção desta estrada, que se arrasta e se renova desde os anos 60, segundo os moradores mais antigos da região.  

O castigo

Por lá também corre uma história de que todo governador que enganou a Santa Cruz com a promessa da construção da estrada recebeu um castigado. E vem sendo assim desde o Petrônio Portela. Eu não sei o que aconteceu com cada um. Mas o que eu sei é que o Petrônio Portela quase teve seu mandato de governador cassado e morreu no auge da sua brilhante carreira, quando seu nome era cotado até para a presidência da República. Depois, o Lucídio Portella se coligou com o Alberto Silva, que, como foi governador duas vezes, além de se coligar com o Lucidão, se aliou também com o Hugo e com o PT. O Freitas Neto foi proibido pelo médico de beber uísque. O Mão Santa foi cassado da noite para o dia. O Hugo perdeu a eleição para governador e depois tornou a perder para senador.  

O Índio e a Santa

Na campanha eleitoral de 2002, o Wellington Dias fazia um discurso no meio do sol quente, na cidade de Santa Cruz, e já estava coçando a língua para prometer a estrada. Foi quando um correligionário seu o avisou da maldição. O candidato engoliu a promessa e pegou a estrada rumo à sua eleição e, depois, à sua reeleição. Na quarta-feira passada, o homem inaugurou a estrada, cumprindo uma promessa, não dele, mais de seus antecessores. Com os petistas e aliados fazendo besteira, o Indiozinho já é campeão de voto, que dirá agora que ele ficou cocó e trança com a milagrosa Santa Cruz!  

Como enricar

Já fui um leitor voraz de livros que ensinam a enricar. Li o “Como enriquecer rapidamente”, “Guia para enriquecer”, “Como enriquecer com amor e trabalho”, “Pai rico e pai pobre” e muitos outros. Gastei o meu dinheiro quase todo com esta literatura pobre. Ora, pra aprender a enricar, basta seguir o exemplo de um português destes de padaria, que em São Paulo tem aos montes. É só trabalhar de sol a sol, de segunda a segunda, lucrando sempre e não gastando nunca. É arrochar no pão com quisuco e deixar o apurado de baixo do colchão. Com 40 anos de trabalho nesta marcha, a riqueza é certa. É verdade também que existe a possibilidade de morrer antes de começar a gastar. Mas é assim mesmo. De morrer ninguém tá livre. Nem o papa!  

Surge um novo guru

Esta semana, chegou às minhas mãos um esboço de um livro que será editado em breve pelo Doutor Helder Eugênio (ele faz questão do doutor, doutor!), capo do Portal 180 Graus. Este, sim, é pei-bufo! O título, ainda provisório, mas quase definitivo, não é nada econômico.  É “Tudo que você precisa fazer para continuar pobre”. Será um “best seller” e é bem capaz do apurado tirar o Doutor Helder da liseira pra sempre.  

As lições do mestre

Fisguei algumas lições que constarão na obra do futuro guru das finanças e passo para a leitora e o leitor, de graça. Lá vai:

1- Nunca se preocupe com a hora de acordar. Você é especial. Portanto, o mundo que espere por você;

2- Não leve em conta a hora de compromissos.. Eles sempre podem ser adiados;

3- Sempre compre no maior prazo que puder. A prestação fica pequena, você paga que nem sente e o juro é só um detalhe;

4- Tenha todos os cartões de crédito possíveis e que lhe forem oferecidos. Tente fazer com que vença um cartão diferente a cada dia do mês;

5- Reúna-se sempre com os mesmos amigos. Você nunca vai passar pelo constrangimento de precisar aprender alguma coisa;

6- Deixe sua esposa gastar tudo o que quiser. O amor não tem preço;

7- Se ligue! Carro é igual a iogurte. Tem prazo de validade. Jamais use um carro do ano anterior.

8- Municie cada filho seu com um celular de conta. O pré-pago é brega;

9- Mantenha, no mínimo, 30% do seu salário empenhado com alguma financeira. O empréstimo consignado tá aí é pra ser emprestado.

10- Não esqueça de arranjar uma amante.. E trate de ter logo um ou mais filhos com ela.  

damasio.danilo@yahoo.com.br  

Me ajude a passar o Réveillon em Paris. Os últimos exemplares do meu livro “O Encomendador de Almas” estão à venda nas Livrarias Universitária, Livraria Piauiense, Banca do Tomaz (Praça João Luis), Banca do Aeroporto e na recepção do Metropolitan Hotel  

Chamada:   “Tudo que você precisa fazer para continuar pobre”

 
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09/09/2008 - 20:36:27

Seresta no céu

Daqui eu imagino a cena. O Waldick Soriano se encontra com São Pedro, que, do alto de sua autoridade de porteiro do céu, começa a botar banca pra abrir a cancela do paraíso e deixar o boêmio entrar:

- Waldick, queima São Pedro, tu tá pensando que o céu é um cabaré? Aqui tem ordem! Não entra qualquer um, não!

Aí o Waldick ajeita o óculos escuro e sapeca:

- Conversa, Pedoca! O diabo é quem vai para o inferno. Meu lugar é aqui. Eu não sou cachorro, não!

Com a morte do Waldick, anunciada ontem, não sei se o céu ficou mais alegre, mas que a terra ficou mais triste, ficou. Ele era um dos últimos dos boêmios inveterados. Sua voz, seu violão e seus versos simples acalentaram muitos momentos de amor e paixão, correspondidos ou não.

E se o que é ruim de passar é bom de contar, como ensina Ariano Suassuna, uma história de amor, uma dor de cotovelo, fica bem mais enfeitada se tiver um sofrimentozim numa mesa de bar, tendo como companhia uma cerveja gelada, um prato de torresmo e uma música do Waldick de gorjeta na caixa de som. E, graças à tecnologia, à obra do homem tá aí, imortalizada.

Um show

E são poucas mesmo as pessoas que cantaram as desilusões amorosas como o baiano Waldick Soriano. Nos anos 60 e 70, ficou famoso com músicas como  “Paixão de um homem”, “A carta”, “Torturas de amor” e “Dama de vermelho”.

E foi nos idos de 60, segundo um tio meu, que Waldick, em turnê pelo Piauí, parou na cidade de Àgua Branca, num mês de setembro. Não tinha nenhum show agendado, mas como o empresário dele achou que o tamanho da cidade comportava pelo menos uma apresentação, resolveu dar uma volta para encontrar alguém interessado em contratar o artista. Enquanto isso, o Waldick Soriano ficou em um bar e lanchonete, de propriedade do Zé Cruz na Praça 1º de Julho. Lá também funcionava uma agência de viagens e era parada dos ônibus intermunicipais.

Naquele tempo, era quase como hoje: a energia faltava toda hora. E quando o Waldick chegou, era boquinha da noite e o Zé Cruz tava encandeado pela luz de uma lamparina pendurada num arame pregado a uma ripa do teto. Da porta, soltou o vozerão: “Aqui tem remédio pra chifre?” “Pra chifre aqui eu só tenho cachaça e um mói de LP com as músicas do Waldick Soriano. E pode pedir, que eu tenho todas” – atirou o Zé Cruz. O cantor ficou tão envaidecido que se apresentou e mandou um músico seu desembainhar o violão e começou a cantar e a beber. E quanto mais bebia, mais cantava. E quanto mais cantava, mais juntava gente.

Quando o empresário encontrou quem contratasse o show, já era tarde demais. A cidade já estava quase toda em frente ao Bar do Zé Cruz, aplaudindo o Waldick Soriano, que, queimado, já tinha cantado tudo que sabia. E de graça!

O último show

Ganhei de presente do amigo Magalhães dos Cartolas, há poucos dias, o DVD do Waldick recém-gravado num cinema em Fortaleza, por iniciativa da atriz e fã Patrícia Pilar. Produção de primeira. Orquestra ao fundo, de roupas negras, e um chapéu de ataiá égua postado de banda sobre a cabeça acaju. As mãos um pouco trêmulas e, sobre o rosto, um óculos escuro daqueles de lente marrom. Quando a câmera dá um close no rosto dele, Waldick, dá pra ver refletido em seus olhos a angústia e o sofrimento de quem carrega a certeza de que seus dias de glória estão no fim.

Melhor na foto

Pra mim, a melhor interpretação do DVD é quando o Waldick canta a música “Você mudou demais”, com uma participação e voz pra lá de especial de Cláudia Barroso, uma ex-namorada sua e jurada do Silvio Santos ainda nos tempos em que ele apresentava o seu programa na TV Globo:“Quem foi/quem foi que fez você ficar tão diferente amor?/Você mudou demais/ você não era assim....”

Me lembrei desta música domingo passado, quando vi uma foto num outdoor na BR-316. Distante uns 500 metros, a foto parecia que era da Cláudia Raia, da novela Favorita. Já a 250 metros, espremi os olhos e vi impriauzinha a Débora Secco. Bem no pezim da placa, foi que eu fui dar fé de que era a deputada Flora Izabel. E, pra falar a verdade, só reconheci mesmo porque tinha o nome dela escrito.

Se não soubesse que esta preciosa música foi gravada há muito tempo, eu ia jurar que o Waldick tinha feito esta canção em homenagem àquela placa com a foto da deputada Flora. Pra ela ou pra Elvira Raulino, que nos cartazes de campanha tá mais nova e mais bonita do que a Mara Beatriz, filha dela.

Telefone mudo

Uma amiga que mora próximo ao Posto 6, no Jóquei, se queixava esta semana dos carros que ficam por lá com o som ligado a toda altura. Ela disse que já tentou muitas vezes entrar em contato com a Delegacia do Silêncio, e o telefone da polícia, quando não está ocupado, chama, chama e ninguém atende.

Eu só vejo uma explicação: ora, se a Delegacia é do Silêncio como é o telefone vai tocar e fazer barulho?

damasio.danilo@yahoo.com.br

chamada:

Nos cartazes a Elvira tá mais nova do que a filha

 
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29/08/2008 - 09:51:26

Vivendo e aprendendo 

O Mariano Marques estava apresentando o seu programa na TV Antena 10, um dia desses, e mandou um beijo no coração para um “mercândico” amigo seu. Mais que depressa, um telespectador ligou e, ao vivo, disse que o certo era mecânico e não “mercândico”. O Mariano nem se amoleceu. Botou a mão direita cheia de anel de ouro em tudo enquanto era dedo no ombro esquerdo, como quem se abraça, e arrochou: “Meu amor, e você pensa que eu não sei que o certo é mecânico? Eu falei errado só pra testar a minha audiência, que já abalou até o Fantástico da poderosa Rede Globo”. Aí, escangotou o pescoço pra trás, botou os braços na frente do corpo, com as palmas das mãos pra cima, e gargalhou: rá,rá,rá,rá...!Como o danadinho do Mariano, resolvi testar minha audiência e, semana passada, não escrevi nada. Mas, ao contrário dele, quebrei foi a cara. Ninguém deu nem fé. Certo ta é o Zezé di Camargo quando diz que a indiferença é que mata!  Me danei a bater cabeça para saber a razão do desprezo do leitor para com este modesto escriba. E descobri o motivo: na semana passada inteira, todo mundo só quis saber de uma coisa, que foi repercutir o debate entre os candidatos a prefeito de Teresina realizado pela TV Assembléia, na sexta-feira da semana trasada, dia 15 de agosto, véspera do feriado do aniversário da cidade, com mais de duas horas de duração, a partir das 10 horas da noite. Foi um show de audiência! 

Abalou o mundo 

A idéia deste debate neste dia e neste horário foi uma sacada de marketing tão feroz e tão ousada que o Cláudio Montenegro, dono do IBOPE, veio bater em Teresina, às pressas, na surdina, num jato fretado, para assistir tal acontecimento. Vieram também assistir ao debate os marqueteiros da Marta Suplicy e do Alckmin. Estiveram aqui ainda uns gringos que suspeito serem marqueteiros ou diretores de uma grande rede de televisão americana, ou mesmo da BBC de Londres.Só sei que depois deste debate e desta audiência estrondosa a política no globo terrestre nunca mais foi a mesma. Em São Paulo, a Marta Suplicy disparou e o governador José Serra abandonou o tucano Alckmin à própria sorte. Nos Estados Unidas, o democrata Barack Obama caiu nas pesquisas e perdeu a preferência para o republicano Jonh MacCain. O candidato Major Avelar subiu 100% nas pesquisas. Tinha 0,25% e agora já aparece com 0,50% das intenções de votos.  O debate na TV Assembléia repercutiu até nas Olimpíadas de Pequim. Realizado às 9 horas da manhã do sábado, na hora de lá, desconcentrou os atletas que se amontoaram numa Lan House para assistir o pega-pega do Major Avelar com o Silvio Mendes.  Não foram treinar ou se alongar para as provas, como era esperado, e perdemos muitas chances de medalhas por isso. 

Nepotismo

Tem muita coisa na vida que não é o que aparenta, numa primeira olhada rápida e descuidada. O paraense Pinduca, famoso Rei do Carimbó, fez uma música chamada “Coco sem azeite” que mostra isso com clareza:  “ De onde é que esse coco vem?/Todo coco tem azeite/Mas esse não tem/O braço do mar não tem cotovelo/O caranguejo anda, mas não é pra frente/ Revólver tem cano, mas não é torneira/Cachaça não dá rasteira, mas derruba gente/O prego tem cabeça, mas não tem juízo (...)” Lembrei da música do Pinduca a propósito do tititi que está dando a decisão do Supremo proibindo o emprego dos parentes nos cargos públicos. Todo mundo bate palma para o STF, achando que este negócio de empregar parente é uma imoralidade, coisa e loisa e caixa de fósforo. Que deve ser combatida de qualquer jeito e a qualquer preço. Lógico que os que pensam assim são os que estão fora dessa boquinha, naturalmente.

Bolsa Família dos ricos

Com estes zóim feiticeiros de Rodrigo Santoro que a mamãe me deu, eu vejo a coisa de outra maneira. Eu tenho pra mim que o nepotismo não é o inferno que estão tentando pintar. Tirar os parentes do emprego, assim sem mais nem menos, é, pra começar, contribuir com a desagregação familiar. Manter uma família unida já é difícil com dinheiro. Calcule na liseira!. Só aí, desajustando a família, já estão violando as leis de Deus, da Bíblia e do Alcorão. Sem contar que também estão indo contra as orientações para o bem viver do Padre Beleca e da Irmã Janaína.Outro problema que surge é que, sem poder nomear o parente como assessor, onde é que o político, ou quem quer que seja, poderá conseguir emprego para a parentela? Em concurso, eles não passam, pois, se não gostam de trabalhar, de estudar, que é mais chato, é que eles não gostam mesmo.  E eu não culpo ninguém que não gosta disso. Taí duas coisas que eu também não faço questão de botar na minha prateleira: estudo e trabalho! Além do mais, todos deveriam entender que empregar parentes sem concurso no serviço público é fazer justiça social. Trata-se mesmo de uma espécie de Bolsa Família amiorada. Assim uma Bolsa Família dos ricos. E, se é dos ricos, a bolsa tem que ser de grife mesmo, como diz o Nelito Marques. E tal e qual a Bolsa Família dos pobres, o dinheiro da Bolsa dos ricos deve ser conquistado sem trabalho, sem expediente, sem batimento de ponto e sem encheção de saco do chefe. É só dinheirim caindo na conta – tililim, tililim, tililim. E pronto!

damasio.danilo@yahoo.com.br

Chamada:

Debate na TV Assembléia derruba Barack Obama

 
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15/08/2008 - 10:32:21

O dia é azuzim

Na casa dos meus pais, nós nunca demos ao apresentador do Jornal Nacional o prazer de nos dar boa noite. Todo mundo dormia antes das 20 horas e acordava antes das 5 da manhã, ou pra rezar, ou pra estudar ou pra trabalhar. Mas nas férias, dávamos umas voltinhas pela noite de Teresina e sempre esquecíamos das regras da casa. Assim, tocávamos o sono de manhã adentro.Ainda soam nos meus ouvidos as palavras do meu pai quando me flagrava nesta hibernação: “Meu filho, se levante por que você não é rapariga que trabalha de noite e dorme de dia. Os passarim que não devem a ninguém já tão voando faz é tempo”. Depois deste breve e definitivo informe, e por amor e zelo ao coro das costas, era bom tirar o espinhaço da rede.Tirante rapariga, tem mais bicho que, se não anda só a noite, pelo menos é mais visto na escuridão. O vaga-lume, o morcego, a coruja, a mucura, o mambira, o peba e o gambá são exemplos. Agora tem deles que a gente só vê mesmo de dia. O quati, o jacu, o calango, a pipira, a rolinha fogo-pagô, o tiú, dentre outros. Mas tem um animal que não sobrevive sem o raio do sol: os guardas da Strans.Treinados para multar, e tão-somente, vivem na espreita dos cruzamentos e detrás dos postes da Cepisa, esperando com um bloco na mão um desavisado passar com o celular ou um walkman grudado na orelha, estacionar em lugar errado, invadir sinal de trânsito, parar em cima da faixa de pedestre e cometer outras infrações. A gente nem vê. Quando damos fé, o Correio deixa em casa a má notícia: uma multa. Mas a partir da boquinha da noite, aí é outra prateleira. O trânsito pode engarrafar , pode usar celular, pode sinal apagar, pode avançar cruzamento que se o foto-sensor não pegar, de azuzim o motorista tá livre.

Pires de Sabóia

Ontem, o jornal Meio Norte estampou em sua manchete principal o título: “Ministro fecha HGV no dia 21”. Em baixo o subtítulo: “O ministro da Saúde, José Gomes temporão, vem ao Piauí dia 21 deste mês para marcar o fechamento do Hospital Getulio Vargas...”.O Pires de Sabóia, jornalista da geração do Gutemberg, David Caldas e outros monstros sagrados da imprensa, se espantou quando repercutiu a manchete em seu programa na Rádio Teresina FM (91.9): “Foi a primeira vez na vida que eu vi uma autoridade inaugurar o fechamento de um hospital”. O jornalista Carlos Augusto, o piauiense que mais entende de hospital, arrematou, por telefone, no mesmo programa: “Pra fechar o HGV, ele nem precisava vir aqui. Podia queimar de lá mesmo!...”Na hora que ouvi a análise destas duas feras do jornalismo, pensei: agora lascou! O HGV nunca passou um dia sem reforma nestes mais de 60 anos de existência. Sempre foi reforma por cima de reforma e por cima de doente. Sessenta anos de existência e 60 anos de reformas ininterruptas. Mas nunca fechou um dia sequer.Meu medo maior é que, como agora anda ministro todo dia no Piauí, essa mania de fechar equipamento público como obra de governo acabe virando moda.Ainda bem que o slogan do governo apregoa que “ É feliz quem vive aqui”. Porque, na marcha que vai, se o cabra resolver mesmo morrer, tá é morto! 

Olimpíadas de Teresina

Teresina completa amanhã 156 anos. A capital sonhada por Saraiva e vivida por nós é conhecida como uma cidade de eventos. Na minha modesta opinião, se no Comitê Olímpico Internacional tivesse alguém com inteligência, traria as próximas Olimpíadas pra cá. Deixaríamos Pequim no chinelo. A nossa cidade já está pronta e acabada para uma Olimpíada. Mais acabada do que pronta.A festa de abertura seria no Grand Park Potycabana, que seria pomposamente internacionalizado, feito o Aeroporto de Parnaíba. O foguetório ficaria a cargo do Silvio Leite, que é reconhecido por ser um craque nesta arte.As provas de equitação poderiam ser realizadas no Jockey Club, que nunca viu um cavalo.O judô e o Karatê poderia ser executado no capim da Praça da Bandeira, sempre à noite. Como lá a iluminação é um pouco fraca, ia ser bofete pra todo lado.As provas de atletismo seriam realizadas na Avenida Raul Lopes, sob a supervisão do grande conselheiro e caminhador Luciano Nunes.Já as provas de natação, seriam realizadas no Rio Parnaíba. Daqui eu consigo imaginar o americano “Maiquel Feupis” nadando só com uma mão e a outra carregando a camiseta e um celular Motorola PT 550 pra não molhar.O salto ornamental poderia ser executado com perfeição naquele cotôco da Ponte do Sesquicentenário.Finalmente, as provas de tiro poderiam ser realizadas por toda a Teresina, já que aqui a bala da bandidagem come é solta, todo o dia, o dia todo. Nuinha!A Gyselle do BBB vai sair nua na Playboy de setembro. Se, vestida, ela já levanta a bandeira dos piauienses, faça um cálculo ela nua!

A banana do Ronaldinho

Dia desses escrevi aqui sobre as mulheres frutas e o sucesso que estão fazendo. É Mulher Melancia, Mulher Moranguinho, Mulher Jaca, Mulher Melão... Nesta semana, encontrei um amigo na caminhada e ele me alertou que eu tinha esquecido da principal fruta: a Mulher Banana. Segundo ele, é aquela do Ronaldinho.

damasio.danilo@yahoo.com.br 

chamada: Teresina faz 156 anos e deveria sediar as Olimpíadas

 
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07/08/2008 - 22:08:43

Os chatos de Teresina

O Arnaldo Jabour escreveu que “o chato é, antes de tudo, um carente. Ele vive do sangue dos outros, do ar dos outros.”O Tom Jobim, vítima constante dos chatos, tinha um truque: “Use óculos escuros. O chato fica desorientado quando não vê teus olhos.”Já o cantor Osvaldo Montenegro, um chato de marca maior, chegou até a fazer uma homenagem à sua categoria: “O chato chama cabeça de cuca e arranha um violão/diz que inventou uma música e toca as seiscentas que fez/ e quando você abre a boca e boceja, ele toca tudinho outra vez.”Eu não sei é se o Jabour, o Tom Jobim ou até mesmo o Osvaldo Montenegro conheceram os tipos de chato que existem nesta Teresina.  Eis só alguns deles:

- Chato “Big Jato” ou chato “Boca de Suvaco”. É aquele que insiste em falar em cima de você, sempre em tom de fofoca, sobre qualquer assunto, até sobre a homilia da missa do Padre Tony. E esse modelo de chato é justamente o que tem bafo de esgoto.

- Chato Guarda-Chuva. É aquele que já começa a falar com cuspe no canto da boca, feito cachorro doente de calazar. Demora pouco e começa a cuspir na cara da gente.

- Chato Alto-Falante. É aquele que, embora a gente esteja perto dele, berra nas nossas oiças como se estivesse a légua e meia de distância. E quando um animal desses se mete a falar em TV ou rádio..., vixe minha Nossa, pela hóstia!!! Nem a Delegacia do Silêncio dá jeito!

- Chato Cuíca. Aquele que conversa enfiando os dedos nos braços, na costela ou onde pegar na gente. Fica pra lá e pra cá, num tal de me-cutuca-e-num-cutuca e me-cutuca-e-num-cutuca que adoece qualquer cristão.

- Chato Candidato. É o que coloca todos estes outros no bolso. A (e)leitora ou o (e)leitor sabe mais do que eu de quem se trata. Nesta época de eleição, eles tão por aí à fulote.História de pescadorNo ano passado, na Medida Provisória que criou a Secretaria Especial de Planejamento de Longo Prazo (que o Mão Santa apelidou de Sealopra), o governo do titio Lula criou, de uma canetada só,  626 cargos comissionados, com salários que iam de R$ 1.977 a R$ 10.448. Na época, quando eu li a notícia, enchi minha boca de água com vontade de colocar meus beiços naquela tetona gorda. Mas, como eu não tenho nada a ver com adivinhação, nem de curto que dirá de longo prazo, não sobrou nem um carguim pra mim. Agora, apenas um ano e um mês depois, não é que o governo editou uma nova Medida Provisória, desta vez para transformar a Secretaria Especial da Pesca em Ministério! E isso não é nada! Mais uma vez, de carona, grudou um artiguinho criando mais 268 cargos comissionados. Da outra vez que eu não ganhei nenhum cargo, eu confesso que me decepcionei, mas me recuperei ligeiro. Eu compreendi que os petistas e os aliados ficaram no pé do coitado do Lula, chorando que nem menino novo atrás da chupeta. E foi o jeito ele distribuir a cesta de cargos entre eles mesmos. Mas desta vez, pra este Ministério da Pesca o negócio vai ter que dar pra mim. E vou explicar por quê:

Aprendiz de pescador

Os amigos que me conhecem desde o tempo do Colégio Diocesano sabem que, em se tratando de pesca, eu sempre fui um craque. Pesca na perna, pesca na palma da mão, pesca dentro do estojo, pesca no kichute, pesca em formato de avião, pesca em formato de sanfona, pesca dentro da carga da caneta e muitas outras formas de pescaria. Mas eu me consagrei mesmo quando, sem falsa modéstia, desenvolvi o maior comércio de compra e revenda de provas daquele colégio. Era uma distribuição de pesca tão grande que era capaz de encabular aquela parábola bíblica da pescaria de Pedro, aquela em que ele e Tomé não estavam pescando nada e Jesus apareceu e ordenou para que jogassem novamente as redes, mas, desta vez, para o lado direito do barco. E foi peixe que não acabava mais! Pois bem, sem fazer milagre e nem nada, só apossado antecipadamente das questões, que eu consegui dando um agradinho a um boa gente da mecanografia, na escola eu passava pesca em troca de mochilas novas, cadernos de capa dura, iguarias da Loja Oriental, canetas diferentes e grafites. Mas, quando o comprador não tinha nenhum artigo de luxo pra me oferecer, o humilde dinheirinho de um mês de merenda me servia. O meu inovador e lucrativo comércio de pesca no colégio dos Jesuítas não foi bem compreendido pelos padres, como a conhecida pescaria da bíblia. Só por isso fui expulso. O processo de minha expulsão foi mais rápido do que coice de leitoa e mais curto do que garupa de jumento. Mas, como dizia meu avô: “quando o cabra tá de azar o urubu de baixo caga no de cima”. Pois não é que naquela história de expulsão os padres ainda contaram com a ajuda do meu pai! Este, sempre muito pouco amistoso com quaisquer espécies de delinqüência, me embarcou no dia seguinte no rumo de Brasília. O dia? Dia 08 de agosto de 1988. Hoje faz 20 anos!

Pescador profissional

Naquele exílio involuntário, demorei 10 anos para voltar para o meu Piauí. Mas eu andei foi longe de me traumatizar. Lá em Brasília, longe dos olhos vigilantes e repressores do meu pai, retomei minhas atividades “empresariais”. Com pouco, além de distribuir pesca, que era minha especialidade, descobri uma nova vocação: me tornei um grande revendedor de vale-transporte. Mas não vá pensando que tinha algo de ilícito, não. Em Brasília, era o seguinte: como o transporte coletivo era do governo, o vale-estudantil  custava somente um terço da passagem inteira. Como os meus colegas de turma eram todos filhos de papaizim e não usavam ônibus, eu cuidei em fazer o cadastro de todos na TCB (Transporte Coletivo de Brasília) e comprava os vales no lugar deles. Aí era só correr para a plataforma superior da Rodoviária, ali confrente ao Conjunto Nacional, e esperar passar um cobrador de ônibus interessado em fazer rolo. Eu vendia os vales para eles por dois terços do valor. Eles prestavam conta na empresa como uma passagem inteira. Só parei quando comprei, em sociedade com o meu irmão Damásio Filho – que não tinha nadazaver com o negócio  e com quem eu morava – o que eu queria: um Fusca 86 com dois carburadores, rodas de Brasília, desgarga Kadron, farol de milha redondos, borrachão nos pára-choques, volante esportivo e o melhor: um toca-fitas Bosh auto-reverse, modelo Rio de Janeiro, um tampão na traseira com um par de tuítas, um par de subiúfer profissional e dois alto-falantes Selenium de 12 polegadas. Enfim, o Fuscão era mais enfeitado do que burra de cigano e o som era tão escrincha e potente que, para aumentar o volume, eu tinha que sair de dentro do carro e empurrar o botão com um cabo de vassoura. Mas, voltando ao assunto principal, que é pesca: eu tenho ou não tenho currículo para ganhar um cargo desses aí neste novo Ministério?

damasio.danilo@yahoo.com.br 

 
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31/07/2008 - 18:24:05

Atrás do pobre corre um bicho 

A história da caderneta de poupança e da Caixa Econômica se confundem. As duas foram criadas pelo imperador D. Pedro II, em 1861. O objetivo era captar depósitos das classes menos abastadas, remunerando-as em 6% ao ano. Quando eu era menino, guardava minha poupança numa latinha furada do BEP. Minha intenção, era, quando ela estivesse cheia, ir lá no Banco do Estado e abrir minha poupança. Mas, quando a lata tava enchendo, sempre me via em algum aperto sério e, em minutos, minhas economias iam pelos ares. A primeira vez que me alisei foi quando minha mãe comprou um pote de sorvete da Kibon e meus irmãos, 7 no total, avançaram em tudo e pra mim só ficou a embalagem. Até o cheiro do sorvete no pote, não sei como, eles comeram. Emburrado, botei uma colher no bolso e a latinha do BEP debaixo do braço e queimei no rumo de uma farmácia perto da minha casa. Usei toda minha reserva financeira para comprar um pote de sorvete só pra mim. Como eu sempre tive o olho maior do que a barriga, do meio pro fim eu já tava enfastiado de tanto sorvete. Mas capricho é capricho! Fazer o quê?! Peguei outra latinha do BEP vazia e tornei a economizar. Se o espírito não me mente e a memória não me engana, o dinheiro da segunda latinha eu gastei merendando na Lobrás. Foi a minha valença não ter aberto a tal poupança. Pouco tempo depois, o BEP quebrou e fechou todas suas agências, deixando todo mundo na mão. Foi melhor ter comido sorvete e merendado até quebrar o bucho do que ter perdido as minhas valiosas moedinhas para o penca. 

Comprador de ilusões 

Fiquei tão cabreiro com este negócio de perder dinheiro pra banco que, daquele tempo pra cá, a única coisa que eu ainda deposito é confiança. E, mesmo assim, eu tenho é perdido. Veja só: No começo do governo do PT, espalharam uma história de que a Vale do Rio Doce viria para cá. De outdoor a adesivo de carro era o pau que rolava. “O Piauí Vale!”, era assim que dizia a mídia governamental. E eu confiei que ia dar certo. E cadê? Depois, começaram a circular nas manchetes de jornal que milhões e milhões de reais estavam vindo para o Piauí. E eu botei fé! E cadê? Há uns dois anos, disseram que viria uma grande cervejaria, a Colônia, se instalar no Piauí. E eu novamente acreditei. E cadê? Nesta semana, o Governo do Estado deu como certa, mais uma vez, a vinda de uma mega indústria para o Piauí. É a internacional Suzano Celulose. Eu já tinha até jurado pra mim que não ia mais acreditar em promessa de governo. Mas não é que desta vez eu voltei a acreditar? E é por um motivo simples, simples. E lá existe lugar melhor no mundo pra se fazer papelão de todo tamanho do que neste Piauí?!Du-vi-d-o-dó!  

Saúde para todos  

Um projeto de lei do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), em tramitação no Congresso Nacional, obriga que todos os gestores da educação pública mantenham seus filhos na rede oficial de ensino enquanto permanecerem nos cargos. Se a lei passar ou a educação vai melhorar rapidamente ou ninguém vai mais querer esse negócio de ser secretário de Educação. O projeto do ex-ministro da Educação só peca pelo alcance. Os gestores da saúde também deveriam ser obrigados a utilizar os hospitais públicos para si e seus parentes até terceiro grau, subindo ou descendo a árvore genealógica. Alguém duvida que, se os filhos do secretário de saúde do município e do estado fossem alcançados por esta lei, este jogo de empurra-empura entre HGV e HUT já teria terminado?  

Solução por decreto   Eu até tenho uma sugestão para resolver este impasse. Como neste país tudo se resolve por decreto, basta o governador e o prefeito baixarem um, em conjunto, com os seguintes termos:  

“Art. 1º- Fica proibido, até que o Assis Carvalho e o dr. João Orlando se entendam, que qualquer cidadão sem plano de saúde adoeça gravemente. Parágrafo único - em caso de descumprimento deste artigo, o doente fica terminantemente proibido de se dirigir aos hospitais Getúlio Vargas e Pronto-Socorro de Teresina (Hospital Zenon Rocha), sobre quaisquer pretextos de vida ou morte.

Art. 2º- Resolvendo adoecer, em choque frontal com o disposto no artigo anterior, deve o cidadão dirigir-se aos hospitais particulares da cidade.

Art. 3º- Caso não possua condições financeiras para atender o disposto no artigo 2º deste Decreto, as autoridades competentes esperam que o artigo seguinte resolva. Art. 4º- O Governo do Estado e a Prefeitura de Teresina celebram um convênio emergencial com a Funerária Pax União, na Avenida Miguel Rosa, e com o Cemitério da Ressurreição, ambas as empresas do empresário Geraldim, por considerar que  pobre, mandioca e sogra, quanto mais enterrados, melhor.  

Arti. 5º - Revogam-se as disposições em contrário, especialmente aquelas contidas na Constituição Federal que dizem que saúde pública é um direito do cidadão e dever do Estado.”

 

damasio.danilo@yahoo.com.br  

Chamada: Eu sei como resolver este lenga-lenga HGV X HUT

 
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